segunda, 26 de outubro de 2020

Quem pode com Kate Winslet?


Quem pode com Kate Winslet?

Neste 5 de outubro, a atriz inglesa comemora 45 anos com uma carreira única no cinema, desde a estreia com o perturbador Almas Gêmeas (1994), dirigido por Peter Jackson (a trilogia O Senhor dos Anéis). Um ano depois, já conquistou a primeira das sete indicações ao Oscar, com Razão e Sensibilidade. A merecida estatueta de melhor atriz e o Globo de Outro de melhor atriz coadjuvante vieram com O Leitor (2008). Nesse mesmo ano, Kate conseguiu a façanha de ganhar também o Globo de Ouro de melhor atriz com Foi Apenas um Sonho, quando voltou à parceria com Leonardo DiCaprio, depois do estrondoso sucesso de Titanic.  

Na trajetória eclética de Kate, sempre marcada por seu talento extraordinário, estão blockbusters como Avatar e a franquia Divergente, e pérolas do cinema independente como o cultuado Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, Iris e Pecados Íntimos. Nada melhor para comemorar o aniversário da atriz com uma seleção também eclética de seus trabalhos. A ficção científica de suspense Contágio, mais atual do que nunca. Seu primeiro papel cômico em O Amor Não Tira Férias, quando ela ainda duvidava se teria talento para a comédia. E dois filmes de época, separados por três séculos, mas irmanados na arte: Um Pouco de Caos e A Vingança está na Moda. Parabéns, Kate Winslet.


Drama Romance
Um Pouco de Caos/A Little Chaos

Um Pouco de Caos/A Little Chaos

Já há um pouco de caos inaugural numa produção britânica que se dispõe a tratar de um evento marcante da história da França, mais precisamente na corte do longevo rei absolutista Luis XIV (1638-1715), o famoso Rei Sol. Com estratégias internacionais agressivas e medidas econômicas internas acertadas, Luis XIV conquistou para a França o status de maior potência europeia de sua época. Entusiasta das artes, foi responsável pela construção do Palácio de Versalhes para abrigar a família e a corte real.

O arquiteto paisagista favorito do rei, Andre le Notre (Matthias Schoenaerts, The Old Guard), foi convocado para desenhar os maravilhosos jardins do palácio, depois de já ter criado a avenida de Champs-Élysées e seu Jardim de Tuileries, dois dos maiores pontos turísticos de Paris. Esse é o berço histórico do qual se alimenta Um Pouco de Caos, para criar uma ficção improvável sobre a vida e a arte ambientada no luxo da monarquia.

O saudoso Alan Rickman (1946-2016), o professor Severus Snape da franquia Harry Potter, é o diretor e coautor do roteiro, além de dar vida ao Rei Sol com a ironia discreta que lhe era peculiar. Por acaso e incógnito, ele conhece Sabine de Barra (Kate Winslet, A Vingança Está na Moda), a paisagista pouco acadêmica, mas extremamente talentosa e dedicada, contratada por Le Notre (que seria décadas mais velho do que o charmoso Schoenaerts) para criar e construir o Bosque do Salão de Baile, um dos jardins de Versailles, concebido como um anfiteatro e salão de baile ao ar livre.

Sabine é viúva, marcada por uma tragédia do passado. A afinidade artística com Le Notre se transforma em amor capaz de desfazer o casamento de aparências dele. A amizade improvável com o rei e a honestidade sem retoques de Sabine a introduzem ao palácio, com direito a uma cena comovente em que as mulheres da corte, proibidas pelo rei de falar da morte, compartilham sua dor e seus segredos.

É assim, nos diálogos e nos detalhes em meio à grandiosidade da produção, à construção do belíssimo bosque e à opulência da corte, que Alan Rickman introduz seu tanto de caos. E através dele subverte a ordem do poder, das classes sociais e do gênero – não apenas com a fictícia Sabine, mas também com o irmão bissexual do rei, Duque d’Orleans (Stanley Tucci, Um Ato de Esperança). O diretor abraça tudo isso discreta e veladamente, quase sempre com metáforas de flores ou por meio da arte. Um legado e tanto.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Um Pouco de Caos/A Little Chaos
Direção: Alen Rickman
Duração: 112 minutos

País de Produção/Ano: Reino Unido, 2014
Elenco: Kate Winslet, Matthias Schoenaerts, Alan Rickman, Stanley Tucci, Steven Waddington
Distribuição: Imagem Filmes


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Drama Thriller
Contágio/Contagion

Contágio/Contagion

Contágio entrou para o topo da lista dos filmes mais vistos, alugados ou comprados nas plataformas de streaming em todo o mundo nesse caótico cenário de coronavírus. Mas, atenção, o thriller dramático dirigido por Steven Soderbergh (A Lavanderia) em 2011 é ficção. Uma ótima ficção, e mais uma parceria bem-sucedida entre o engajado roteirista Scott Z. Burns (O Relatório) e o excelente cineasta. Burns, aliás, se inspirou no surto de gripe suína, a H1N1, para escrever o roteiro de Contágio, fruto de uma pesquisa de três anos. Daí a acuidade na recriação das formas de contaminação, de prevenção e das medidas institucionais de combate ao vírus, neste caso totalmente fictício.

Contágio é de tirar o fôlego. Um cronômetro marca a contagem do tempo para amplificar o efeito de urgência no desenrolar da trama, composta de vários núcleos narrativos e elenco estelar - aliás, uma marca de Soderbergh. Na primeira sequência, a executiva Beth (Gwyneth Paltrow, Shakespeare Apaixonado) volta de uma viagem a Hong Kong, faz uma escala em Chicago para encontrar o amante, chega em casa e no dia seguinte, tem convulsão e morre. Pouco depois, seu filho pequeno tem o mesmo destino, e o marido Mitch (Matt Damon, Ford vs Ferrari) é colocado em quarentena.

Daí em diante, casos semelhantes surgem em várias partes do mundo. Na OMS (Organização Mundial de Saúde), além da mobilização para prevenção e combate, uma cientista (Marion Cotillard, Estaremos Sempre Juntos) é enviada a Hong Kong para investigar a origem do vírus. Nos Estados Unidos, no laboratório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, a cientista Ally (Jennifer Ehle, O Gênio e o Louco) tenta isolar o vírus para encontrar a vacina, enquanto o diretor, Dr. Ellis (Laurence Fisburne, Matrix), faz o meio de campo entre o governo, o exército, a assistência às vítimas e a comunicação oficial dos boletins. Para Chicago, onde a situação está fora de controle, ele envia a dedicada Dra. Erin (Kate Winslet, O Amor Não Tira Férias).

Enquanto as cifras de contágio e mortalidade se contam aos milhões e o estado de calamidade impera no mundo, um jornalista dedicado a teorias de conspiração, Allan (Jude Law, Capitã Marvel), usa a popularidade de seu blog para espalhar fake news (na época ainda não se usava a expressão), inclusive sobre um provável antídoto, com o patrocínio secreto e milionário de uma indústria farmacêutica. A corrida contra o tempo faz a Dra. Ally testar a vacina nela mesma. Mas até que toda a população mundial seja vacinada, a ordem é de isolamento social. O final aponta para uma solução científica, como espera o mundo hoje diante do coronavírus. Que venha logo, pelo amor...




Trailer

Ficha Técnica

Título: Contágio/Contagion
Direção: Steven Soderbergh
Duração: 106 minutos

País de Produção/Ano: EUA/Emirados Árabes, 2011
Elenco: Matt Damon, Laurence Fishburne, Jennifer Ehle, Kate Winslet, Jude Law, Marion Cotillard, Gwyneth Paltrow, Elliott Gould, Bryan Cranston
Distribuição: Warner Bros.


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Comédia Romântica
O Amor Não Tira Férias/The Holiday

O Amor Não Tira Férias/The Holiday

Romance daqueles que se assumem sem preconceitos com açúcar e com afeto, O Amor Não Tira Férias faz também uma encantadora declaração de amor ao cinema. O veterano Eli Wallach (1915-2014), que recebeu um Oscar Honorário pelo conjunto da carreira em 2011, interpreta Arthur, o roteirista da época dourada de Hollywood encarregado de trazer a aura clássica do cinema para o filme. Na trama, Iris (Kate Winslet, Um Pouco de Caos) é a jornalista responsável por uma coluna de casamentos de um jornal londrino. O anúncio do casamento do seu crush com uma colega de redação na festa de Natal da firma é a gota d’água de seus desacertos amorosos.

Enquanto isso, em Los Angeles, a ricaça produtora de trailers para cinema Amanda (Cameron Diaz, O Que ESperar Quando Você Está Esperando), acaba de descobrir a traição do namorado. Por um serviço da Internet, elas combinam de trocar de casa durante o Natal e o Ano Novo. Com os corações partidos, Iris se hospeda na mansão de Amanda e a americana tenta se encaixar na casinha de boneca de Iris na pequena e gélida Surrey, próxima a Londres. Além do roteirista Arthur, Iris conhece o compositor de trilhas sonoras Miles (Jack Black, Jumanji - Próxima Fase). Já amanda Amanda se depara com o irmão de Iris, Graham (Jude Law, O Mestre dos Gênios). O acaso reúne os dois casais, que descobrem ter mais em comum do que imaginavam, apesar de viverem em continentes distantes.

A roteirista e diretora Nancy Meyers (Alguém Tem que Ceder) é uma especialista no gênero, nunca brilhante, mas sempre eficiente na dosagem entre romance e comédia. Mas a cereja do bolo são as conversas entre Iris e Arthur sobre cinema – além de Jack Black numa videolocadora cantando para ela os temas de algumas das trilhas sonoras de filmes famosos.




Trailer

Ficha Técnica

Título: O Amor Não Tira Férias/The Holiday
Direção: Nancy Meyers
Duração: 136 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2006
Elenco: Kate Winslet, Cameron Diaz, Jude Law, Jack Black, Eli Wallach, Edward Burns, Rufus Sewell
Distribuição: Universal Pictures


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Comédia Dramática
A Vingança está na Moda/The Dressmaker

A Vingança está na Moda/The Dressmaker

Apesar do título em português, A Vingança está na Moda é muito mais uma extravagante e bela fábula sobre acerto de contas e redenção, da qual faz parte passar a régua em injustiças e maldades do passado. E olha que Tilly Dunnage (Kate Winslet, Contágio) sofreu uma boa dose de ambas, ao ser expulsa do pequeno vilarejo de Dungatar, no árido interior da Austrália, aos 10 anos, acusada de matar um colega de classe. Adaptação do best-seller homônimo de Rosalie Ham, o filme começa em 1951, com a volta da agora trintona Tilly para Dungatar.

Ela tem planos de cuidar de sua mãe, Molly (Judy Davis, Uma Viagem Extraordinária), e descobrir a verdade sobre o suposto assassinato, do qual não tem nenhuma lembrança. A histriônica Molly vive numa espelunca e sobrevive graças à ajuda de Teddy (Liam Hemsworth, Megarromântico), o pobretão da cidade que ganha todas as partidas de rúgbi para o time local e tem um insuspeitado repertório cultural. Tilly herdou de Molly a profissão de costureira e trabalhou em ateliês de moda em Paris. Munida de sua máquina de costura e alguns belos cortes de tecidos, ela vai seduzir Dungatar com seus maravilhosos figurinos, mas a dura casca da crueldade dos moradores talvez demande um instrumento mais afiado.

A Vingança está na Moda marca a volta de Jocelyn Moorhouse (Colcha de Retalhos) à direção após 20 anos fora das telas, período em que se dedicou aos dois filhos com autismo. O roteiro foi escrito a quatro mãos por Jocelyn e seu marido, o cineasta J. P. Hogan (O Casamento do Meu Melhor Amigo), que também assina a produção executiva. A diretora revelou para o mundo, em A Prova (1991), o talento de Russell Crowe (Boy Erased: Uma Verdade Anulada) e Hugo Weaving (Matrix), que interpreta aqui o divertido sargento da cidade, um gay não assumido fascinado por moda feminina.

Há um certo paralelismo entre o retorno de Tilly a Dungatar e de Jocelyn Moorhouse ao cinema. E ela o faz em grande estilo, preservando o tom da sempre instigante filmografia australiana. A produção tem ritmo fluido, excêntricos personagens secundários e deixa seu trio de protagonistas brilhar, sobretudo a extraordinária Kate Winslet, única estrangeira da produção local. Ah, e os figurinos são uma atração à parte.




Trailer

Ficha Técnica

Título: A Vingança está na Moda/The Dressmaker
Direção: Jocelyn Moorhouse
Duração: 119 minutos

País de Produção/Ano: Austrália, 2015
Elenco: Kate Winslet, Judy Davis, Liam Hemsworth, Hugo Weaving, Sarah Snook, Caroline Goodall
Distribuição: Imagem Filmes


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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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