sábado, 12 de junho de 2021
Streaming Comédia Dramática

Cruella


Cruella
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Disney Plus

Foi em 1961, há exatos 60 anos, que a Disney estreou 101 Dálmatas, a animação que deu vida aos personagens, humanos e caninos, nascidos nas páginas do livro da inglesa Dodie Smith (1896-1990). O casal Roger e Anita, os dálmatas Pongo e Perdita, e a maquiavélica Cruella De Vil e seu capangas, Jasper e Horácio. A vilã ganhou carne e osso na pele de Glenn Close no live-action 101 Dálmatas (1996), enorme sucesso que rendeu o desnecessário 102 Dálmatas (2000).

Cruella

Cruella não é uma nova versão. Está na seara dos filmes de origem, e aqui já vem à mente Malévola, claro, mas também Coringa e o ainda inédito Viúva Negra. A aposta é tão alta que a Disney estreia a superprodução simultaneamente nos cinemas e no Disney+ com Premier Access para assinantes (R$69,90 até 11 de junho e sem custo a partir de 16 de julho). São 134 minutos de duração, que a gente mal sente passar. Bem, sente um pouquinho, porque o início é arrastado. A doce garotinha Estella (Tipper Seifert-Cleveland) tenta domar a geniosa Cruella que tem dentro de si, e só causa problema para ela e sua mãe solteira, Catherine (Emily Beecham, Daphne).

Pois as duas decidem deixar o interior, tentar a vida em Londres e realizar o sonho de Estella: ser estilista de moda. Mas uma tragédia deixa a menina sozinha no mundo, até ser amparada pelos pivetes Jasper e Horácio. A trama entra na terceira, quarta e quinta marcha quando surge Emma Stone (La La Land) com seus olhos de coruja desvairada. Os dois fiéis amigos são agora seus capangas, encarnados por Joel Fry (Yesterday) e Paul Walter Hauser (O Caso Richard Jewell).

Cruella

Estamos na Inglaterra dos anos 70, em meio à revolução do punk rock, e Stella, que ainda não deixou Cruella sair do armário, dá os primeiros passos na profissão como assistente da lendária Baronesa Von Hellman, estilista que monopoliza todas as atenções no mundo da moda. Emma Thompson (Um Ato de Esperança) abraça a personagem com todos os maneirismos possíveis e faz humor como uma diaba exuberante, que deixaria a Miranda Priestly de O Diablo Veste Prada fora de prumoO duelo das Emmas (Stone e Thompson) é um caso de vendeta (sem apoilers!), e as armas são tesoura, tecido, alfinete e criatividade.

O resultado é uma passarela de moda sem igual. Vencedora do Oscar por Uma Janela para o Amor (1985) e Mad Max: Estrada da Fúria (2015), a figurinista inglesa Jenny Beavan criou 47 modelos diferentes para Stella/Cruella e 33 para a Baronesa. O desfile é constante e embalado por uma trilha sonora eclética, de Supertramp, The Doors e Nina Simone a Queen, Blondie e The Clash. Quem comanda a festa é o cineasta australiano Craig Gillespie, que se firma como expert em vilãs depois das assustadoras mãe e filha (Allison Janney e Margot Robbie) de Eu, Tonya (2017).

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Aí é que está. Para um filme de origem de uma vilã clássica como Cruella De Vil, é esquisito sentir pena, empatia e vê-la quase como a mocinha. A amenização também é presente em Malévola, que debita muitas das malvadezas da fada “torta” em seu afeto pela princesa Aurora. Claro que humanizar um vilão torna-o uma figura complexa, multifacetada e muito mais fascinante do que seria com um perfil maniqueísta. Mas é bom a Disney ficar alerta, senão daqui a pouco a madrasta da Branca de Neve vai lhe dar uma maçã do amor e a Úrsula vai afinar a voz da sereia Ariel.  

Tem cena pós crédito!!!




Trailer

Ficha Técnica

Título: Cruella
Direção: Craig Gillespie
Duração: 134 minutos

País de Produção/Ano: Reino Unido/EUA, 2021
Elenco: Emma Stone, Emma Thompson, Joel Fry, Paul Walter Hauser, John McCrea, Mark Strong, Emily Beechan
Distribuição: Disney

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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