terça, 30 de novembro de 2021
Lista

Duplamente maravilhosa


Duplamente maravilhosa

Lynda Carter será sempre a Mulher-Maravilha da telinha, a heróina da série televisiva dos anos 70. Isso é eterno. Na telona, pode até haver mais de uma Diana Prince. Já passamos por isso com as várias encarnações de Batman e Homem-Aranha, por exemplo. Mas ninguém vai tirar o manto eterno de Gal Gadot. 

Porque ela não conquistou o público e virou fenômeno de bilheteria pelas proezas em cena, por sua beleza ou carisma. Tem tudo isso, claro. Gal Gadot fez de sua heroína uma mulher cuja força maior vem da alma. Seu poder implacável é o amor. Amor por um homem, Steve Trevor, amor pelo próximo, pela humanidade. 

Para quem não tiver visto o primeiro Mulher-Maravilha, ou quiser refrescar a memória para aproveitar melhor Mulher-Maravilha 1984, reunimos a dupla nesta lista para facilitar o acesso às plataformas de streaming. 


Ação
Mulher-Maravilha 1984/Wonder Woman 1984

Mulher-Maravilha 1984/Wonder Woman 1984

Quem diria que Mulher-Maravilha 1984 seria o blockbuster natalino de 2020! Para uma superprodução anunciada originalmente para junho e adiada três vezes por conta da pandemia, finalmente estrear em dezembro parece perfeito por um detalhe: o desfecho do filme é em pleno Natal. E a mensagem edificante é profética, mas chegaremos à ela. A estreia no Brasil acontece uma semana antes do lançamento nos Estados Unidos. Por lá, o filme chega simultaneamente aos cinemas e à plataforma de streaming HBO Max em 25 de dezembro. 

Mulher-Maravilha 1984/Wonder Woman 1984

A Warner Bros. não pode sonhar em repetir e muito menos ultrapassar os US$ 820 milhões que Mulher-Maravilha fez mundialmente em 2017, mas merece aplausos por arriscar a falta de público nas salas de cinema e, ainda assim, estimular a venda de ingressos e a sobrevivência da tela grande. E quem melhor que a icônica Diana Prince (Gal Gadot) para salvar o mundo novamente? No filme de origem, também dirigido por Patty Jenkins, o palco de batalha foi a Primeira Guerra, onde o escudo, a lança e a corda da verdade não impedem que a protagonista perca seu grande amor, o piloto Steve Trevor (Chris Pine, Legítimo Rei).

Mulher-Maravilha 1984/Wonder Woman 1984

Embora seja ambientado em tempos de Guerra Fria, as cores sóbrias dos soldados do primeiro filme dão lugar ao colorido extravagante da moda da década de 80. Tudo é divertidamente over em Mulher-Maravilha 1984, do figurino ao humor à beira do pastelão, e até no perfil caricato dos vilões. A sequência de ação em um shopping center tem ladrões bufões e uma significativa troca de olhares entre a heroína e uma garotinha, maravilhada diante daquela deusa empoderada acabando com a festa dos bandidos. É uma cena brega, assim como todo o filme. Então é bom entrar no clima e aceitar a trama estapafúrdia.

Mulher-Maravilha 1984/Wonder Woman 1984

Uma pedra ancestral, com o poder de realizar desejos profundos, traz Steve Trevor de volta à cena. É um reencontro emocionante e uma bela artimanha do roteiro para validar a presença da cara metade de Diana. O artefato também vai transformar a tímida e desajeitada Barbara Minerva (Kristen Wiig, Perdido em Marte) na exuberante e vil Mulher-Leopardo, além de servir aos planos megalomaníacos do empresário picareta Maxwell Lord (Pedro Pascal, Operação Fronteira). Como uma versão alternativa do personagem Grande Irmão (Big Brother) de 1984, clássico da literatura de George Orwell, Lord quer acessar os desejos da população do planeta e dominar o mundo. Mas tudo tem seu preço.

Mulher-Maravilha 1984/Wonder Woman 1984

Mulher-Maravilha 1984 não tem a mesma aura de encantamento de Mulher-Maravilha. Nos dois, porém, Diana é guiada pelo amor, pela empatia, e essa generosidade a torna única entre os super-heróis. Ela não enfrenta os nazistas na Primeira Guerra com espírito bélico. Sua missão é pelo bem da humanidade. Aqui não é diferente. A realização de milhões de desejos individuais provoca uma catástrofe global. O paralelo com a pandemia da Covid-19 é inevitável. Para brecar o mal, é preciso pensar na coletividade e abdicar dos próprios desejos pelo amor ao próximo. O recado não pode ser mais claro e, ao final, ver a Mulher-Maravilha na noite de Natal, a observar a neve cair com esperança nos olhos e aquele sorriso lindo no rosto, é um momento simbólico.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Mulher-Maravilha 1984/Wonder Woman 1984
Direção: Patty Jenkins
Duração: 151 minutos

País de Produção/Ano: EUA/Reino Unido/Espanha, 2020
Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Kristen Wiig, Pedro Pascal, Robin Wright, Connie Nielsen, Amr Waked
Distribuição: Warner Bros.


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Ação
Mulher-Maravilha/Wonder Woman

Mulher-Maravilha/Wonder Woman

Foram mais de US$ 820 milhões na bilheteria mundial. Mulher-Maravilha fez a Warner respirar aliviada e olhar com esperança para o canhestro Universo Cinematográfico da DC. Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror) ganhou uma concorrente, porque a cineasta Patty Jenkins orquestra algumas das sequências de ação mais eletrizantes das adaptações dos quadrinhos. E não é à base de testosterona. Gal Gadot não perde a feminilidade nem na hora da pancadaria. E como ela bate! Para quem era criança nos anos 70 e fã fanática do seriado estrelado por Lynda Carter, o primeiro filme solo da heroína foi um evento especial. 

Mulher-Maravilha não tem medo de se assumir como filme de origem. Mas não há lenga-lenga. Começa com uma viagem pela Terra das Amazonas, onde a princesa Diana cresce sem ter noção de seus poderes e sob a proteção da mãe, a rainha Hipólita (Connie Nielsen). A inocência é a maior qualidade da heroína de Gal Gadot. Se Patty Jenkins transformou Charlize Theron em um ser repugnante em Monster: Desejo Assassino, que rendeu o Oscar à atriz, aqui ela preserva e ressalta a meiguice de Gal. Não há músculos bombados e sim um corpo afinado e delicado, que se encaixa como uma luva no corpete. A força da Mulher-Maravilha vem da alma, e é aniquiladora. Quando ela empunha o escudo e lança a corda, é uma apoteose – emoldurada pela estupenda trilha sonora de Rupert Gregson-Williams.

Mulher-Maravilha/Wonder Woman

A fase inicial faz um mergulho na mitologia grega para desvendar a concepção da heroína, mas a coisa esquenta quando a calmaria na ilha das Amazonas é abalada pela queda do avião do piloto americano Steve Trevor, que Diana resgata do mar. Ele atravessou o portal entre os mundos como uma flecha de cupido, porque é amor à primeira vista. Chris Pine (Legítimo Rei) é o ator perfeito para o papel. Meio galanteador e um tiquinho tímido, ele se encanta pela jovem de beleza exuberante, que também acha interessante o espécime masculino. Nesse encontro, o jogo de palavras com duplo sentido provoca o riso e dá leveza a uma história que, afinal, se passa durante a Primeira Guerra Mundial.

A engenhosidade na forma como os eventos se desenrolam está na mão firme de uma diretora cheia de convicção, que prioriza o fator humano. Diana entra em choque quando se depara com o horror da guerra – o lado negro do homem. Ela não vai para o front porque gosta de uma boa luta. A bondade, o querer bem ao próximo, é a essência da Mulher-Maravilha. Se Gal Gadot já havia roubado a cena do Homem-Morcego e do Homem de Aço na participação em Batman vs Superman: A Origem da Justiça, agora ela prova que é capaz de reinar sozinha e pavimentar o até então arenoso terreno da Liga da Justiça nos cinemas.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Mulher-Maravilha/Wonder Woman
Direção: Patty Jenkins
Duração: 141 minutos

País de Produção/Ano: EUA/China/Hong Kong, 2017
Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, Connie Nielsen, Danny Huston, David Thewlis
Distribuição: Warner Bros.


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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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