sábado, 12 de junho de 2021
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Memórias Póstumas de Brás Cubas


Memórias Póstumas de Brás Cubas
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Das Américas à Ásia, são 9 países e cerca de 285 milhões de falantes do português, celebrado internacionalmente em 5 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa. O secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, comemorou a data neste 2021 ressaltando que a riqueza de uma língua se mede pela diversidade e pela inclusão de suas vozes, e fez uma homenagem especial às mulheres que têm e perpetuam o português como língua materna. Salve!

Para celebrar a língua que tanto amamos, nada como revisitar um dos maiores clássicos da literatura brasileira: Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Há exatos 20 anos, a segunda adaptação do incomparável romance, dirigida por André Klotzel (Reflexões de um Liquidificador), ganhou cinco Kikitos no Festival de Gramado. Em 1986, Júlio Bressane (A Erva do Rato) já havia dirigido a sua versão com Brás Cubas. Mas Klotzel, que escreveu o roteiro em parceria com José Roberto Torero, foi mais fiel à estrutura narrativa do livro.

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Como o narrador em primeira pessoa de Machado de Assis, no filme Brás Cubas (Reginaldo Faria) conta suas memórias depois de morto, em 1869, aos 60 anos de idade. Com o brilho das palavras e a ironia típicas do romance, Klotzel quebra a quarta parede e deixa seu Cubas conversar com o espectador sobre sua vida, seus amores, suas ilusões e desilusões. O contraste com a época, aliás extremamente bem encenada, potencializa ainda mais o estranhamento, mas de maneira positiva. Reginaldo Faria está impecável como o sarcástico, mas não menos simpático Brás Cubas, e Petrônio Gontijo (Nada a Perder) traz ao personagem jovem o misto de aventura e indiferença que o marca.

Brás Cubas e o livro, afinal, são uma crítica mordaz de Machado de Assis à vida (vazia) da nobreza, à política e à burguesia que ainda nem se sabia burguesia exatamente. Filho único, graças aos pais, nunca precisou se sustentar, nunca exerceu uma profissão, apesar de advogado formado em Portugal, nunca se casou ou teve filhos. Viveu de romances intensos, mas fugazes, com a prostituta Marcela (Sônia Braga, Bacurau) e Virgília (Viétia Zangrandi), esposa do político de carreira Lobo Neves (Otávio Müller, Três Verões). Homem de poucos amigos, gostava do delirante Quincas Borba (Marcos Caruso, O Escaravelho do Diabo).

As locações em Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Coimbra, em Portugal, colaboram imensamente para caracterizar o período oitocentista da trama, bem como a trilha sonora de peças clássicas, e a presença de telas e pinturas da época. O elenco, com participações especiais de Sônia Braga, Stepan Nercessian e Walmor Chagas, e a qualidade da produção se destacam, fato. Mas é mesmo a direção de Klotzel e seu tratamento respeitoso do texto irretocável de Machado de Assis, que dão ao filme o frescor imune à passagem do tempo. Ainda bem que o escritor, ao contrário de seu personagem, transmitiu o seu legado nada miserável, antes soberbo, da literatura brasileira e da língua portuguesa.  




Trailer

Ficha Técnica

Título: Memórias Póstumas de Brás Cubas
Direção: André Klotzel
Duração: 101 minutos

País de Produção/Ano: Brasil, 2001
Elenco: Reginaldo Faria, Petrônio Gontijo, Marcos Caruso, Viétia Rocha, Otávio Müller, Deborah Duboc, Stepan Nercessian, Sônia Braga, Walmor Chagas
Distribuição: Amazon Prime

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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