quarta, 17 de julho de 2024
Cinema Drama

Clube dos Vândalos


Clube dos Vândalos
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Em 1969, Peter Fonda e Dennis Hopper fizeram história com Sem Destino (Easy Rider), na pele de dois motoqueiros que caem na estrada rumo a Nova Orleans, depois de transportar drogas do México a Los Angeles. Corta para 1963, quando o fotojornalista Danny Lyon, então com 21 anos, entrou para um clube de motoqueiros de Chicago e registrou os quatro anos de convivência no livro de fotografia The Bikeriders, publicado em 1967. O diretor e roteirista Jeff Nichols ficou fascinado pela obra, que retrata a transição da agremiação de amantes de motos para a gangue de foras da lei nos moldes da dupla de Easy Rider.

Clube dos Vândalos

Em Clube dos Vândalos, ele se inspira nas imagens e nos áudios das entrevistas realizadas por Lyon para criar a sua versão da história, veja só, pelo ponto de vista de uma mulher, Kathy (Jodie Comer, de O Último Duelo). Com um olhar entre a crítica e a condescendência, ela fala a Lyon (Mike Faist, de Rivais) sobre os rumos de sua vida do momento em que colocou os olhos em Benny (Austin Butler, de Elvis). Tão violento quanto frágil, ele é o vértice de um triângulo que se fecha com Johnny (Tom Hardy, de Venon), o chefão do clube. Kathy quer seu amor longe das motos, Johnny quer seu pupilo preferido no comando, e Benny é um lobo solitário que não quer amarras.

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Com esse microcosmo, Nichols faz um mostruário da contracultura, movimento de mobilização e contestação social que teve seu auge na década de 1960. Com vidas dilaceradas pela Guerra do Vietnã e uma sociedade fragmentada entre o conservadorismo dos anos 50 e o espírito liberal e contestador dos 60, os desajustados motoqueiros dão forma a uma pátria paralela, com suas próprias regras e códigos de conduta.

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A perspectiva de Kathy é maternal. Ela observa os meninos brincarem sob duas rodas, se diverte com o entusiasmo do bando, porém não compreende a fidelidade que endossa o comportamento errante daqueles cervejeiros que adoram uma pancadaria. Kathy é a fronteira entre os dois mundos e sente na pele as transformações do clube. Como um cansado Don Corleone, Johnny perde o controle e vê o clube se descaracterizar com a entrada de subgrupos de vândalos e criminosos.

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Na sexta colaboração com Michael Shannon, com quem rodou filmes como Separados pelo Sangue (2007) e O Abrigo (2011), Nichols brinda o parceiro com um personagem simbólico – trágico até – da instabilidade norte-americana naquele período. Clube dos Vândalos tem história envolvente e personagens cativantes, mas não chega a tocar profundamente na ferida. O cineasta se atém aos fatos tanto da trajetória dos motoqueiros quanto da competição entre Kathy e Johnny pela exclusividade de Benny. Falta páthos, a emoção que arranca suspiros e aumenta os batimentos. É bom, mas podia ser ótimo.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Clube dos Vândalos / The Bikeriders
Direção: Jeff Nichols
Duração: 116 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2023
Elenco: Jodie Comer, Austin Butler, Tom Hardy, Mike Faist, Michael Shannon
Distribuição: Universal Pictures

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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