domingo, 11 de abril de 2021

Dia Nacional do Orgulho Gay: Amor é amor


Dia Nacional do Orgulho Gay: Amor é amor

Para celebrar o Dia Nacional do Orgulho Gay, neste 25 de março, nada melhor do que três olhares cinematográficos sobre o amor homossexual.

Seja com a delicadeza da produção nacional Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, com o escracho calculado da comédia Lar Ideal ou com a paixão contida de Desobediência, o importante é reconhecer, com orgulho, as conquistas igualitárias que os filmes iluminam.

A gente quer ser – e que todo mundo seja – feliz.


Drama
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Por SUZANA UCHÔA ITIBERÊ

Foram dezenas de prêmios pelo mundo afora. No Festival de Berlim 2014, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho teve vitória dupla: troféu da Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci) como o melhor filme da mostra Panorama, e o Teddy Awards, como melhor filme de temática GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros). O cineasta Daniel Ribeiro (série Todxs Nós) inspirou-se no próprio curta-metragem, Eu Não Quero Voltar Sozinho, estrelado pelos mesmos atores. Mas não é um esticadinho.

Sem o limite de tempo, Ribeiro alinhava melhor o enredo e retrata o universo juvenil com notável desembaraço. Temas clichês como bullying e rebeldia são explorados com delicadeza, mas é no retrato da descoberta da sexualidade que o diretor refuta a mesmice. Leonardo (Ghilherme Lobo, Divaldo: O Mensageiro da Paz) é cego. Amigo inseparável de Giovana (Tess Amorim, Sequestro Relâmpago), ele trava vínculo com um novo colega de escola, Gabriel (Fabio Audi, Vou Nadar Até Você).

A questão maior desse rito de passagem é complexa: como uma pessoa cega define sua sexualidade? Ribeiro retrata o primeiro amor como um processo natural, desvinculado da atração física (afinal, Leonardo não enxerga), mas fruto da afinidade e de certa química para a qual não se tem explicação. Através de Leonardo, ele mostra que a homossexualidade não é uma escolha, mas um sentimento. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é um grito terno contra a homofobia.

Quem se apaixonar pelo filme pode tê-lo em casa. Além de estar disponível nas principais plataformas de streaming, acaba de ser relançado em DVD e Blu-ray na loja digital da Imovision




Trailer

Ficha Técnica

Título: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
Direção: Daniel Ribeiro
Duração: 96 minutos

País de Produção/Ano: Brasil, 2014
Elenco: Ghilherme Lobo, Fabio Audi, Tess Amorim, Eucir de Souza, Selma Egrei
Distribuição: Vitrine Filmes


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Comédia Dramática
Lar Ideal/Ideal Home

Lar Ideal/Ideal Home

Por FÁTIMA GIGLIOTTI

Nos anos 1990, com Três Formas de Amar, o diretor e roteirista Andrew Fleming (Emily in Paris) chacoalhou os clichês da comédia romântica ao apimentar o triângulo amoroso entre dois amigos da faculdade e uma estudante que, por engano, foi designada para ficar no mesmo quarto. Para a época, era uma proposta ousada não apenas pela sugestão da sensualidade num grau acima do habitual, mas pelo componente homossexual da paixão a três.

Nos 23 anos entre as filmagens de Três Formas de Amar e Lar Ideal, muitas águas passaram sob a ponte da discriminação de gênero, e o amor gay conquistou representatividade nas telonas e telinhas. Para o diretor, 23 é também o tempo de convivência entre ele e seu parceiro, cujo filho de um relacionamento anterior foi educado pelo casal. Foi inspirado pela própria experiência que Fleming escreveu e dirigiu o filme, que lhe consumiu uma década de gestação.

Nele, Erasmus Brumble (Steve Coogan, Greed: A Indústria da Moda) e Paul (Paul Rudd, série Cara x Cara) são um casal à beira de uma disfarçada crise de nervos. Eles encontram uma razão para continuar juntos quando o neto pequeno de Erasmus, Angel/Bill (Jack Gore), é enviado pelo pai, preso por porte de drogas e prostituição, para ficar com eles. A partir daí, não há muita novidade no desenrolar da trama, que passa pela adaptação dos três à nova configuração familiar, ao retorno do garoto aos cuidados do pai e da crise do casal, no caminho de um terceiro ato mais amigável.

Muito mais importante é a maneira como o cineasta conta essa história, que surpreende, seduz e diverte sem esquecer de sugerir algumas reflexões. Já nos créditos iniciais, ele conta ao que veio, com cenas de Erasmus gravando o programa de culinária e estilo de vida que apresenta na TV, produzido por Paul. Cores estouradas, figurinos esdrúxulos, badulaques e adereços pulando na tela, com um Erasmus maquiado, vaidoso e controlador querendo parecer um caubói autêntico.

O estranhamento é proposital, engraçado e inaugura uma narrativa entre a paródia e o clichê. O casal vive em um castelo de contos de fadas gay nas redondezas da interiorana e desértica Santa Fé. Erasmus é a celebridade local, o “artista” desligado e desbocado, exagerado e ensimesmado, que deixa para Paul a incumbência de descer o portão sobre o fosso que os separa das responsabilidades do cotidiano – e da educação do novo membro da família.        

Isso tudo se constrói com situações e diálogos bem-humorados, que destilam ironia ao senso comum, e devem muito à composição dos adoráveis Steve Cougan e Paul Rudd. Não deixa de ser problemático e delicado trazer uma criança para esse contexto, ainda mais uma com passado trágico, que o filme apenas menciona, o que é decepcionante. Mas os dilemas que os três enfrentam apontam para uma nova realidade, como prova a brincadeira do diretor ao escalar atores heterossexuais para interpretar gays e homossexuais para interpretar heteros. O clima é de otimismo, como mostram as fotografias das famílias homoparentais que fecham o filme.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Lar Ideal/Ideal Home
Direção: Andrew Fleming
Duração: 91 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2018
Elenco: teve Coogan, Paul Rudd, Jack Gore, Jake McDorman, Alison Pill, Lora Martinez-Cunningham
Distribuição: Brainstorm Media


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Drama
Desobediência/Disobedience

Desobediência/Disobedience

Por FÁTIMA GIGLIOTTI

São duas Rachel (Weisz e McAdams) e um Alessandro (Nivola) a alma de Desobediência, cujo âmago é formado ainda por vários extratos de qualidade. A começar pelo livro homônimo que lhe dá origem, da premiada escritora, colunista de games do The Guardian, Naomi Alderman, que nasceu e cresceu na reservada comunidade judaica ortodoxa da capital britânica, cenário do romance.

O roteiro da adaptação para o cinema tem a assinatura da dramaturga e roteirista Rebecca Lenkiewicz (IdaColette), em parceria com o diretor chileno Sebastián Lelio (Gloria Bell). Como seu também premiado parceiro e colega chileno Pablo Larraín (No), que estreou na direção de filmes de língua inglesa com Jackie, Lelio o fez com Desobediência, também em grande estilo.

A fotógrafa Ronit (Rachel Weisz) retorna de Nova York para Londres, sua cidade natal, para o enterro do pai. Reencontra Esti (Rachel McAdams, maravilhosa), amiga de infância, e o primo Dovid (Alessandro Nivola), agora marido de Esti. O pai de Ronit era ninguém menos que o rabino da comunidade, da qual ela foi expulsa ainda jovem pelo romance com Esti. Dovid, que será o novo rabino, casou com Esti por amor, mas também por conveniência. Em meio ao luto, à censura do passado e aos restritos códigos da religião, a paixão de Ronit e Esti ressurge com delicadeza, sensualidade e urgência.

Com a colaboração do diretor de fotografia Danny Cohen (O Discurso do ReiA Garota Dinamarquesa) e do editor Nathan Nugent (O Quarto de Jack), a artística direção de Lelio desenvolve a narrativa com contenção, contemplação, planos fechados e demorados closes, como se sua câmera quisesse flagrar as emoções que seus personagens não se permitem viver. O cinza, a névoa e o frio naturais de Londres entram nas casas, nos rituais da sinagoga, envolvem os personagens, as relações e distâncias entre eles, acentuando o tom claustrofóbico e sombrio que marca a encenação, os sentimentos e a moral de Desobediência.  




Trailer

Ficha Técnica

Título: Desobediência/Disobedience
Direção: Sebastián Lelio
Duração: 114 minutos

País de Produção/Ano: Reino Unido/EUA/Irlanda, 2017
Elenco: Rachel Weisz, Rachel McAdams, Alessandro Nivola, Allan Corduner, Bernice Stegers
Distribuição: Sony Pictures


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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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