segunda, 26 de outubro de 2020

Emily em Paris


Emily em Paris
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Netflix

Logo na estreia, a série Emily em Paris foi direto para o primeiro lugar do Top 10 da Netflix. Meu palpite é que estamos todos tão saudosos de viajar que a promessa de passear com Emily (Lily Collins, Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal) em Paris tornou-se quase irresistível. Se esse é mesmo o caso, é melhor se deliciar com a beleza da Cidade das Luzes, filmada realmente à altura de todos os seus adjetivos, e divertir-se com o elenco francês.

De resto, não há perdão para os equívocos narrativos e culturais concebidos por Darren Star, também criador da badalada série Sexy in the City, além de Barrados no Baile e Youngers. A começar pelos clichês insultantes aos franceses e a seu modo de vida mais solto, erudito e hedonista, que a crítica francesa, com razão, atacou veementemente. Ao ambientar Emily em Paris no seio de uma tradicional empresa de marketing francesa de produtos de luxo, comprada por uma gigante norte-americana de Chicago, Darren Star propôs uma parábola indigesta e démodé (antiquada) do imperialismo selvagem do país de Donald Trump, regada à manipulação das redes sociais e ao prestígio relâmpago de influenciadores digitais.

Emily pode ser graciosa, como é sua intérprete Lily Collins, mas não há nenhuma graça na sua postura pessoal e profissional diante da oportunidade inesperada de trabalhar um ano em Paris. Quem deveria assumir a vaga, para orientar a adaptação da empresa adquirida à gestão da matriz, era a chefe de Emily, que não só falava francês, mas também conhecia a França. A inesperada gravidez a impediu, e Emily a substituiu. Sem falar uma palavra de francês e sem experiência específica com artigos de luxo, sua chegada na empresa soa como uma imposição e um demérito.

Os dez episódios deveriam se encarregar de reverter essa primeira impressão, com a simpatia e o eventual deslumbre de Emily com sua nova vida em Paris. Britânica e filha do cantor Phil Collins, Lily Collins é também produtora da série. Seu esforço é notável, mas não tem roteiro nem envergadura dramática a seu favor. Entre sofríveis campanhas de marketing digital para os clientes sofisticados da empresa, um perfil no Instagram que faz da própria Emily uma influenciadora involuntária e muitos crushes improváveis, Emily em Paris é o retrato acabado deste início de um século 21 liquefeito, tecnológico e superficial.

Há alguns pouquíssimos momentos em que o esplendor cultural de Paris e da França aparecem na telinha, como na visita à exposição imersiva Paisagens de Van Gogh (que veio ao Brasil) no centro de artes Atelier des Lumières. Ou na degustação do champagne produzido pela família da única amiga francesa de Emily, Camille (Camille Razat), cujo namorado Gabriel (Lucas Bravo) mora no mesmo prédio da americana e está sempre por perto quando ela precisa de ajuda. Sua outra amiga, a chinesa Mindy (Ashley Park), consegue despejar outro tanto de clichês insultantes ao modo de vida e à cultura chinesa, outra cortesia de Darren Star.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Emily em Paris/Emily in Paris
Direção: Andrew Fleming, Zoe R. Cassavetes, Peter Lauer, Lucas Bravo, Samuel Arnold, Camille Razat, William Abadie, Bruno Gouery, Charles Martins, Jean-Christo
Duração: 25 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2020
Elenco: Lily Collins, Philippine Leroy-Beaulieu, Ashley Park, Lucas Bravo
Distribuição: Netflix

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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