terça, 18 de janeiro de 2022
Streaming Musical Biografia

tick, tick...BOOM!


tick, tick...BOOM!
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Netflix

Morreu em 26 de novembro, aos 91 anos, Stephen Sondheim, um midas dos musicais da Broadway. Ele é interpretado por Bradley Whitford em tick, tick...BOOM!, adaptação do musical de Jonathan Larson, que venerava Sondheim e lhe dedicou a canção “Sunday”. Ao contrário do ídolo, o compositor nova-iorquino faleceu precocemente de aneurisma da aorta aos 35 anos, em 1996, pouco antes da estreia de Rent, que lhe rendeu o Tony e o Pulitzer póstumos. Em uma atuação emocionada e urgente, Andrew Garfield tem cacife para ser novamente indicado ao Oscar, depois de entrar no páreo por Até o Último Homem. A produção da Netflix marca a estreia como cineasta de Lin-Manuel Miranda, premiado com o Pulitzer, o Emmy, o Grammy e o Tony pelo musical Hamilton, que foi dos palcos para o streaming do Disney+ com Miranda à frente do elenco. 

tick, tick...BOOM!

Agora atrás das câmeras, ele conduz com fina pena a versão de tick, tick...BOOM!, o semi-autobiográfico “monólogo de rock” que traz Larson (Andrew Garfield) ao piano, acompanhado de uma banda. Ele narra musicalmente os oito anos da atribulada concepção de Superbia, uma sátira roqueira e não autorizada do clássico romance distópico 1984, de George Orwell. É a velha história da luta por um lugar ao sol no show business, aqui transformada em uma obra metalinguística. Tudo o que o personagem conta na performance no palco é traduzido em imagens na trama paralela. Ele diz que o tick tick do título é o som da ansiedade crescente, a corrida contra o tempo para finalizar Superbia antes de completar 30 anos, e o aniversário se aproxima.

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Enquanto isso, Larson trabalha em uma lanchonete e divide um apartamento decadente no Soho com o amigo de infância Michael (Robin de Jesus, Os Rapazes da Banda), ator frustrado que paga as contas como executivo de pesquisas. A namorada, Susan (Alexandra Shipp, Com Amor, Simon), é uma dançarina que dá aulas de dança para crianças ricas. Todos na batalha. O ano é 1990 e ao falar de si mesmo o protagonista ilumina também a Nova York de uma época em que a Aids matava em ritmo alarmante. Não são poucos os amigos infectados de Larson. O enredo arma um jogo paradoxal e moral na medida em que o compositor é forçado a colocar em perspectiva sua angústia pessoal de alavancar o espetáculo com a contagem regressiva existencial de amigos com HIV.

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A ousadia temática de Larson se fez sentir definitivamente no posterior Rent, em que a Aids é mais um elemento na peça sobre liberdade sexual, homossexualismo, uso de drogas e desemprego entre amigos de boemia na Nova York da década de 1980. O Larson que ganha vida na efusiva performance de Andrew Garfield é um Peter Pan obrigado a voltar da Terra do Nunca. Depois de oito anos, inúmeros workshops, apoio de nomes como Sondheim, mas ninguém realmente disposto a produzir Superbia, ele chega na encruzilhada. Desiste dos musicais e vai atrás de outro emprego ou segue no sonho? Questãozinha capciosa.

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tick, tick...BOOM! é um musical clássico, com cantoria de primeira nas sequências no palco – destaque para Vanessa Hudgens (High School Musical) – e números musicais inseridos na narrativa. Nem sempre essa transição flui com naturalidade, mas nada que comprometa a estreia de Miranda na direção, porque o filme tem alma e conquista o público por resgatar Jonathan Larson e honrar o seu legado. E, sim, Andrew Garfield solta a voz com louvor.




Trailer

Ficha Técnica

Título: tick, tick...BOOM!
Direção: Lin-Manuel Miranda
Duração: 115 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2021
Elenco: Andrew Garfield, Alexandra Shipp, Robin de Jesus, Joshua Henry, Vanessa Hudgens, Ben Ross, Michaela Jaé (MJ) Rodriguez, Bradley Whitford
Distribuição: Netflix

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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