sábado, 12 de junho de 2021
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Estados Unidos vs. Billie Holiday


Estados Unidos vs. Billie Holiday
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Billie Holiday (1915-1959), a lenda do jazz, deixou um relato pessoal sobre a sua vida em Lady Sings The Blues - A Autobiografia Dilacerada De Uma Lenda Do Jazz, escrita em parceria com o jornalista William Dufty. O livro foi adaptado para o cinema em 1972 e estrelado por Diana Ross, que ganhou uma indicação ao Oscar na sua estreia na telona com O Ocaso de uma Estrela. Os tempos são outros, mas a cantora Andra Day também estreou no cinema em Estados Unidos vs. Billie Holiday, conquistou uma indicação ao Oscar e um Globo de Ouro de melhor atriz na categoria Drama.

E como Andra Day canta blues! Ela deu à sua Billie Holiday a intensidade e a contundência que a direção de Lee Daniels (Preciosa: Uma História de Esperança) nem sempre alcança na adaptação baseada agora no livro Chasing the Scream, do jornalista Johann Hari. Com traços biográficos, o filme concentra-se na perseguição de Billie Holiday pelo FBI desde o momento em que, em 1939, a dama do blues cantou “Strange Fruit”, sobre o linchamento de negros no país, até o dia de sua precoce morte, aos 44 anos, duas décadas depois.

Estados Unidos vs. Billie Holiday

Billie Holiday estreou a canção no famoso Café Society, primeiro clube de Nova York a integrar na plateia brancos e negros. Desde então, atraiu a atenção de Harry Aslinger (Garrett Hedlund, Operação Fronteira), o racista e xenofóbico chefe do Departamento Federal de Narcóticos, que liderou por três décadas. Sob o pretexto de prender a cantora pelo seu conhecido vício em drogas pesadas e obter dela uma confissão sobre seus fornecedores, Aslinger queria mesmo era calar o protesto antirracista que ela cantava. Para ser mais eficaz, o oficial do governo incumbiu Jimmy Fletcher (Trevante Rhodes, Moonlight: Sob a Luz do Luar), um dos mais destacados membros negros do departamento, para seguir e espionar Billie Holiday.

Depois de coordenar a prisão da cantora por posse de drogas, Fletcher desconfia da manipulação de Aslinger na mesma proporção em que cresce sua admiração por Billie. Um ano depois, quando ela recupera a liberdade, ele fica encarregado de segui-la em sua turnê pelo país e os dois se apaixonam. Mas Billie e seu passado atroz não a prepararam para ser amada, e ela prefere voltar à vida de abusos dos amantes, empresários e às drogas.

Estados Unidos vs. Billie Holiday

Lee Daniels não é um diretor de sutilezas, mas sua opção de revelar a coragem e o comprometimento da cantora em dar voz também aos seus iguais soma novos tons ao já consagrado perfil de Billie Holiday. Ficção ou não, a pressão da perseguição e o envolvimento com o agente federal espelham as marcas do preconceito, da dor e da (auto)destruição cruéis impostas pelo acirrado e enraizado racismo da sociedade norte-americana. Tanto, que a lei contra linchamentos de negros continua em análise pelo Congresso Americano até hoje, e Aslinger foi condecorado pelo presidente J.F. Kennedy pelos serviços prestados ao país.

É compreensível que Daniels tenha preferido um registro mais realista, até tendencioso, apesar dos devaneios que as drogas e a dura experiência da segregação podem provocar, e se perdido um pouco entre eles. Em termos técnicos, a produção é admirável, da fotografia soturna do veterano e parceiro Andrew Dunn (Um Ato de Esperança) aos mínimos detalhes da reconstituição da época e da trilha sonora. Mas a grande estrela de Estados Unidos vs Billie Holiday é Andra Day e sua performance à altura do mito que interpreta.  




Trailer

Ficha Técnica

Título: Estados Unidos vs. Billie Holiday /The United States vs. Billie Holiday
Direção: Lee Daniels
Duração: 130 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2021
Elenco: Andra Day, Trevante Rhodes, Garrett Hedlund, Miss Lawrence, DaVine Joy Randolph, Rob Morgan, Dusan Dukic, Natasha Lyonne
Distribuição: Amazon Prime

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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