quinta, 13 de junho de 2024
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Emily


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É 1848 e Emily Brontë está à morte por tuberculose, aos 30 anos. A seu lado, a irmã Charlotte observa os volumes de O Morro dos Ventos Uivantes, o primeiro e único romance de Emily, publicado um ano antes. “Como você escreveu?”, pergunta. “Peguei minha caneta e coloquei no papel”, é a resposta. “Tem mais alguma coisa, algo que está escondendo de mim”, retruca, incapaz de compreender o rigor com que a reclusa e introvertida Emily descreve a fulminante paixão entre Catherine e o irmão adotivo Heathcliff, na trágica história de amor e ódio que se tornaria um clássico da literatura mundial.

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Emily é a explicação de Frances O’Connor, atriz de sucessos como Palácio das Ilusões (1999) e A.I. Inteligência Artificial (2001), que estreia como roteirista e diretora. Livre das amarras da biografia, a cineasta esmiúça a questão com subjetividade, amparada pela escassez de informações sobre a escritora. Na Emily Brontë interpretada pela magnética Emma Mackey (Morte no Nilo) habita a Frances que na adolescência se identificou com a inadequação social da personagem. No enredo, ela embebe o affair entre Emily e o pároco William Weightman (Oliver Jackson-Cohen, de A Filha Perdida) do ardor assombrado que eternizou Catherine e Heathcliff.

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Os ventos uivantes que sopram os cabelos da protagonista são dos mesmos morros de Yorkshire, o condado ao norte da Inglaterra onde o clérigo Patrick Brontë criou cinco filhas e um filho. A esposa e duas filhas morreram precocemente. Branwell (Fionn Whitehead) é o irmão libertário que sucumbiu ao álcool e às drogas, ciente de que seu talento literário não se equiparava ao das irmãs – Charlotte (Alexandra Dowling) é autora de Jane Eyre e Anne (Amelia Gething), a caçula, de Agnes Grey. Teria sido Anne, e não Emily, a apaixonada por Weightman, assistente de Patrick na Igreja.

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Se a acuracidade da diretora nas locações, figurinos, cenários e trilha sonora agrega valor histórico, a liberdade poética aproxima Emily – filme e personagem – da atualidade. Com o irmão, ela compartilha o inconformismo dos tolhidos pela rigidez moral da Era Vitoriana. É por “freedom in thought” (liberdade de pensamento) que os dois berram em um passeio pelas colinas, como se desafiassem a realidade. Mais contundente ainda é o flerte com o terror na sequência da brincadeira com as máscaras, em nova alusão aos ditames comportamentais que tanto incomodavam a protagonista.

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As irmãs Brontë estrearam na literatura sob pseudônimos masculinos, como os falsos irmãos Bell: Charlotte (Currer Bell), Emily (Ellis Bell) e Anne (Acton Bell). Em carta, a própria Charlotte justificou que a princípio não revelaram suas identidades “porque, como nossa forma de escrever e pensar não era o que se chama de ‘feminino’, tínhamos a impressão de que seríamos vistas com preconceito enquanto autoras”. Com Emily, Frances O’Connor realiza uma obra autoral, que usa a dramaturgia para elevar Emily Brontë a símbolo dos espíritos inquietos daquela geração.   




Trailer

Ficha Técnica

Título: Emily
Direção: Frances O Connor
Duração: 130 minutos

País de Produção/Ano: Reino Unido/EUA, 2022
Elenco: Emma Mackey, Oliver Jackson-Cohen, Fionn Whitehead, Alexandra Dowling, Amelia Gething, Gemma Jones, Adrian Dunbar
Distribuição: Imagem Filmes

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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