domingo, 11 de abril de 2021

Dia do Cinema Brasileiro em Família


Dia do Cinema Brasileiro em Família

Em 19 de junho de 1898, o ítalo-brasileiro Afonso Segreto registrou as primeiras imagens em movimento em território nacional. O cenário: a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Segreto ganhou fama de primeiro cinegrafista do País e o cinema brasileiro ganhou uma data inaugural.

Neste 19 de junho de 2020, em meio a pandemia do coronavírus, celebramos os 122 anos da nossa sétima arte com quatro retratos de família bem brazucas. Com vocês, as trupes disfuncionais de Benzinho, Como Nossos Pais, Domingo e Minha Mãe é Uma Peça 3.


Comédia Dramática
Benzinho

Benzinho

Um dos melhores filmes nacionais dos últimos tempos, Benzinho saiu do Festival de Gramado 2018 com os Kikitos de melhor atriz para Karine Teles e atriz coadjuvante para Adriana Esteves. Ainda foi eleito o melhor longa nacional pelo Júri Popular e pela Crítica. Todos merecidíssimos. Também foi consagrado o maior vencedor do 18º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2019, com seis troféus: melhor filme, direção, roteiro original, atriz, atriz coadjuvante e montagem.

O roteiro é do diretor Gustavo Pizzi e da atriz Karine Teles, que eram casados e colocam suas experiências na tela. Seus filhos, Arthur e Francisco, vivem os pequenos gêmeos, enquanto o sobrinho de Karine, Luan Teles, encarna o filho do meio. A prole da protagonista Irene (Karine) e de seu marido Klaus (Otávio Müller) se completa com o primogênito Fernando (o estreante Konstantinos Sarris), que está prestes a ir embora para jogar handebol na Alemanha.

A síndrome do ninho vazio está no centro da narrativa, como um combustível estranho na maratona diária de Irene, que se divide entre os afazeres domésticos, um trabalho autônomo e os estudos (ela está prestes a concluir o ensino médio). Se pela frustração profissional do marido Klaus o enredo ilumina a classe média baixa brasileira – em tom cômico, vale ressaltar -, a violência doméstica ganha espaço pela personagem Sônia (Adriana Esteves), irmã de Irene, que busca abrigo na casa dela com o filho após apanhar do marido (César Troncoso).

Além das atuações sublimes, há outra força intensa em cena: as três casas que formam o patrimônio da família – a casa em que eles moram, que está caindo aos pedaços, a casa de praia, que precisa ser vendida, e a casa em construção, cuja obra está parada. Esses espaços cheios de detalhes ajudam a contar a história, são a alma da família. Acima de tudo, porém, são o reflexo de Irene, uma mulher-coragem em plena transformação. Belíssimo. 




Trailer

Ficha Técnica

Título: Benzinho
Direção: Gustavo Pizzi
Duração: 95 minutos

País de Produção/Ano: Brasil, 2018
Elenco: Karine Teles, Adriana Esteves, Otávio Müller, Konstantinos Sarris, César Troncoso
Distribuição: Vitrine Filmes


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Drama
Como Nossos Pais

Como Nossos Pais

O título do premiado Como Nossos Pais é inspirado na música do cantor e compositor Belchior, eternizada na voz de Elis Regina. Depois de se debruçar sobre a juventude em As Melhores Coisas do Mundo (2010), a cineasta Laís Bodanzky (atual presidente da Spcine, empresa de cinema e audiovisual de São Paulo) volta-se para a próxima geração.

Maria Ribeiro (Todas as Mulheres do Mundo) é a protagonista, Rosa. A sequência inicial, do almoço na casa da mãe (Clarisse Abujamra, excelente), é um primor de direção de arte e diálogos que sintetizam muitas das questões que a cineasta examina dali para frente. Uma revelação feita pela mãe a respeito de seu pai (Jorge Mautner) tira Rosa do chão e agrava a crise pessoal e profissional que ela atravessa.

É preciso ter certa maturidade para compreender os anseios dessa mulher na faixa dos 40 anos, que chega à conclusão de que não dá mais conta de tudo – diga-se marido (Paulo Vilhena), filhos, casa, trabalho e, agora, os pais idosos. Rosa não é uma personagem simpática, mas terá a empatia do público feminino.

Os relacionamentos familiares, principalmente de mãe e filha, são o cerne dessa história que pode até cair em alguns lugares comuns, mas o faz com autenticidade. Laís é uma cineasta meticulosa, que cuida de seus personagens de forma até maternal. São as atuações que elevam essa obra descomplicada na formato, mas muito complexa nos sentimentos.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Como Nossos Pais
Direção: Laís Bodanzky
Duração: 102 minutos

País de Produção/Ano: Brasil, 2017
Elenco: Maria Ribeiro, Clarisse Abujamra, Paulo Vilhena, Felipe Rocha, Jorge Mautner, Herson Capri, Cazé
Distribuição: Imovision


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Comédia Dramática
Domingo

Domingo

Fellipe Barbosa é um dos nomes mais proeminentes da nova geração do cinema nacional. Depois dos premiados Casa Grande a Gabriel e a Montanha, ele dirige Domingo, desta vez em parceria com Clara Linhart, assistente de direção dos anteriores. A dupla realiza um filme coral, rodado praticamente em planos-sequência, um tour de force que dita o ritmo acelerado de uma trama de humor ácido, que usa a caricatura como ferramenta política.

Quem assina o roteiro é outro colaborador do cineasta, Lucas Paraizo, coautor de Gabriel e a Montanha e de outros filmes muitos bons, como Aos Teus Olhos e Divinas Divas, além da aclamada série Sob Pressão. Em 2018, Paraizo foi eleito "Roteirista do Ano" pela Associação Brasileira de Autores Roteiristas. O cara é bom, e em Domingo resgata suas memórias de infância no Sul do Brasil para armar um retrato nada lisonjeiro da burguesia.

O longa acompanha uma família do interior gaúcho durante um dia emblemático: 1º de janeiro de 2003. No sábado da posse do presidente Lula, parentes, agregados e empregados se reúnem em uma antiga e decadente casa de campo para um churrasco. Vencedora do prêmio de melhor atriz no Festival do Rio, a diva Ítala Nandi interpreta a matriarca, mulher esnobe e preconceituosa que vive em conflito com a nora (Camila Morgado), um tipo amalucado que se droga com vontade em companhia do cunhado, e tem uma convivência mais amistosa com os empregados.

A câmera segue todos de perto, ora focando um ou outro, e com os retalhos dessas pessoas desconjuntadas constrói um painel da sociedade naquele contexto de transição política. É a obra mais bem-humorada – e incisiva - de Barbosa, que conta com o olhar astuto de Clara Linhart para moldar personagens femininas soberanas em um universo machista. Na entrevista em vídeo a seguir, diretores e roteirista dão detalhes dos bastidores, falam da influência do cinema de Lucrécia Martel (O Pântano) e Luis Buñuel (O Discreto Charme da Burguesia), e ainda esbanjam simpatia. Mais: tem papo divertido com o elenco na seção Vídeos e em nosso canal no YouTube




Trailer

Ficha Técnica

Título: Domingo
Direção: Clara Linhart, Fellipe Barbosa
Duração: 95 minutos

País de Produção/Ano: Brasil, 2018
Elenco: Ítala Nandi, Camila Morgado, Augusto Madeira, Martha Nowill, Chay Suede
Distribuição: ArtHouse


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Comédia
Minha Mãe é Uma Peça 3

Minha Mãe é Uma Peça 3

Paulo Gustavo virou o Midas do cinema brasileiro. Minha Mãe é Uma Peça 3 bateu o recorde de maior bilheteria nacional, e o segundo lugar é de Minha Mãe é Uma Peça 2. Fera em fazer humor com diálogos simples sobre coisas rotineiras, e com embocadura bem brasileira, ele se transformou no rei das sitcoms nacionais (as comédias de situação) – a rainha é Ingrid Guimarães, da franquia De Pernas Pro Ar. Assim como nos dois filmes anteriores, Minha Mãe é Uma Peça 3 tem uma sequência nos créditos finais com a grande inspiradora da série, que nasceu de um sucesso dos palcos: Déa Lúcia, a verdadeira Dona Hermínia. Filmadas pelo próprio Paulo Gustavo, as cenas caseiras com a mãe são um hilário atestado do quanto ele transporta sua vida familiar para as telas.

No primeiro, Dona Hermínia lida com a notícia de que o filho Juliano (Rodrigo Pandolfo) é homossexual, enfrenta a namorada perua (Ingrid Guimarães) do ex-marido (Herson Capri) e tenta ganhar o respeito da filha Marcelina (Mariana Xavier). No segundo, ela tem seus 15 minutos de fama como apresentadora de um programa de TV, curte uns dias com o neto, filho do primogênito Garib (Bruno Bebianno), e sofre com a perda da querida Tia Zélia (Suely Franco). Nesta terceira parte, Hermínia está em plena crise do “ninho vazio”, com cada um dos filhos a cuidar da própria vida longe da barra da sua saia.

Esse capítulo tem uma pitada a mais de melancolia, mas passa logo porque Dona Hermínia é do tipo que sacode a poeira, na verdade sacode tudo. Paulo Gustavo realiza o capítulo mais terno e adocicado da franquia. É seu momento pessoal que ele aborda na trama, com o casamento homossexual de Juliano e a gravidez de Marcelina – o ator é casado com o dermatologista Thales Bretas e há pouco eles se tornaram pais de gêmeos.

Minha Mãe é Uma Peça 3 pode até ousar na mensagem de diversidade, mas a diretora Susana Garcia (Minha Vida em Marte) não quer saber de polêmica. Aposta na leveza das piadas, ressalta a união familiar e prega o amor acima de tudo. Fecha-se muito bem a saga de Dona Hermínia nos cinemas. Mas ela não para por aí. A própria Susana vai comandar Minha Mãe é Uma Peça: A Série




Trailer

Ficha Técnica

Título: Minha Mãe é Uma Peça 3
Direção: Susana Garcia
Duração: 110 minutos

País de Produção/Ano: Brasil, 2019
Elenco: Paulo Gustavo, Mariana Xavier, Rodrigo Pandolfo, Herson Capri, Samantha Schmütz, Alexandra Richter, Patrycia Travassos, Malu Valle
Distribuição: Downtown Filmes/Paris Filmes


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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

Posts do Autor

Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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