domingo, 11 de abril de 2021

Druk - Mais uma Rodada


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“O que é a juventude? Um sonho? O que é o amor? O conteúdo do sonho”. A frase do filósofo Søren Kierkegaard (1813-1855) abre Druk – Mais uma Rodada, vencedor do Globo de Ouro de Filme Estrangeiro, indicado ao Oscar de Filme Internacional e de Melhor Direção. Druk significa bebedeira em dinamarquês. O magnífico filme de Thomas Vinterberg (Kursk - A Última Missão) é sobre a perda do controle. Controle daquilo que se pode dosar, como a quantidade de álcool, e controle da própria vida, uma artimanha mais desafiadora. Atente, porém, para a citação do pensador dinamarquês. Não se perde o controle do incontrolável, o tempo, essa pulsação inexorável que vai sem volta, arrastando consigo aquela preciosa palavrinha: juventude.

Pois são os jovens que irrompem em cena, em uma comemoração do fim das provas. Da vibrante competição de quem bebe mais, corta para uma sala de professores em uma reunião silenciosa e burocrática, na qual se discute o tal evento e a ideia de uma política de álcool zero nas festividades da escola no próximo semestre. Ali conhecemos Tommy (Thomas Bo Larsen), professor de educação física que lê jornal enquanto os alunos se exercitam; Peter (Lars Ranthe), que ensina música sem ânimo; Nikolaj (Magnus Millang), que fala de psicologia para uma classe desinteressada; e nosso protagonista, Martin (Mads Mikkelsen), cuja aula de história está tão desconexa que os alunos reclamam e marcam uma reunião, com a presença dos pais.

O marasmo contagia Martin também em família, e o casamento com Anika (Maria Bonnevie) não vai bem. Aonde foi parar aquele homem charmoso e popular, que fazia aulas de dança e estava cotado para um cargo de pesquisa, com bolsa para o doutorado? São milhares os filmes em que os professores são agentes de transformação, mestres que deixam suas marcas na vida dos pupilos. Mas em Druk são eles que estão em crise, a da entrada na meia-idade. Durante um jantar, Tommy, Peter, Nikolaj e Martin decidem sacudir a poeira com um experimento, inspirados pelo psiquiatra norueguês Finn Skårderud, que defende que “é sensato beber”.

Segundo a tese de Skårderud, nascemos com déficit de álcool no sangue de 0,05%, equivalente a uma ou duas taças de vinho. Esse seria o nível ideal para manter a pessoa relaxada, mais determinada, com autoconfiança e empolgação. Eles resolvem adotar o método e registrar o resultado, como um estudo acadêmico dos efeitos físicos e psicológicos, assim como da melhora no desempenho profissional e social. De quarteto tedioso, passam a quarteto irreverente, mas é claro que perdem a mão e entram em uma montanha-russa etílica com subidas íngremes e descidas vertiginosas.

O diretor Vinterberg observa esse descontrole com cumplicidade. Ele é o comparsa que se diverte por tabela ao ver os amigos resgatarem a fagulha da juventude, com toda a energia, frescor, impulsividade e irresponsabilidade típicas. Além de escalar atores parceiros de longa data, Vinterberg assina o roteiro de Druk com Tobias Lindholm, em nova colaboração após os premiados A Caça (vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro e estrelado por Mikkelsen) e A Comunidade. Essa trupe de homens volta no tempo à base de um remédio traiçoeiro. O álcool é a ignição da cura e da ruína.

O ponto de vista é masculino, autocrítico e o cineasta pretendia ser mais implacável com seus “adolescentes”. Mas uma tragédia pessoal mudou o espírito da produção. Ida, sua filha de 19 anos, morreu em um acidente de carro pouco depois de iniciadas as filmagens. O set se tornou um ambiente de muito amor e apoio. Vinterberg seguiu adiante e transformou Druk em uma obra de celebração da vida, em homenagem à Ida. A já antológica cena final, ao som de “What a Life”, é apoteótica.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Druk - Mais uma Rodada/Druk
Direção: Thomas Vinterberg
Duração: 117 minutos

País de Produção/Ano: Dinamarca/Suécia/Holanda, 2020
Elenco: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Magnus Millang, Lars Ranthe, Maria Bonnevie, Susse Wold
Distribuição: Vitrine Filmes

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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