quinta, 16 de setembro de 2021
Streaming Drama

Quanto Vale?


Quanto Vale?
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Netflix

O advogado interpretado com por Michael Keaton (Os 7 de Chicago) pergunta a seus alunos de uma universidade de Washington: “Quanto vale a vida?”. E não quer uma resposta filosófica, mas matemática, um número mesmo. Seu nome é Kenneth Feinberg, autor do livro What is Live Worth, que inspirou a nova produção da Netflix, Quanto Vale?. Foi essa a questão que precisou responder quando o Congresso norte-americano criou o Fundo de Compensação às Vítimas dos ataques terroristas de 11 de Setembro e o colocou à frente da força-tarefa.

Quanto Vale?

A artimanha jurídica visava evitar processos contra companhias aéreas e provocar o colapso da já fragilizada economia do país naquele momento traumático. O fundo abrangia os três epicentros - World Trade Center, Pentágono e aviões sequestrados - e atenderia aos feridos e parentes dos mortos. A missão de Feinberg era atingir 80% de adesão de cerca de 7 mil pessoas. Para isso, criou uma fórmula de cálculo baseada no valor econômico perdido. A abordagem pragmática, e para muitos insensível, gerou revolta. Convencer uma multidão que a vida de um bombeiro vale menos que a do CEO de uma empresa foi a pedra no sapato da equipe de advogados, que tinha o prazo de dois anos para colher as assinaturas.

Quanto Vale?

Quanto Vale? se engendra nesse imbróglio entre dinheiro e empatia. Roteirista de blockbusters de fantasia como Godzilla e Kong: A Ilha da Caveira, Max Borenstein pisa em solo firme e pedregoso ao adaptar o livro e apresentar uma perspectiva diferente dos escombros do 11 de Setembro. São destroços humanos que ele resgata nessa história, ao mesmo tempo que registra a transformação de um homem confrontado por seus parâmetros morais. Camille Biros (Amy Ryan, Lost Girls – Os Crimes de Long Island), sócia de Feinberg, foi a primeira a se abater no contato direto com vítimas e parentes. Dói no peito os relatos arrasadores, o desemparo estampado na face, as terríveis gravações de despedidas por telefone. Feridas abertas que nenhum dinheiro pode cicatrizar.

Quanto Vale?

É muito comovente, embora a cineasta Sara Colangelo (A Professora do Jardim de Infância) evite o melodrama. A narrativa pincela alguns casos em especial, como o da família de um bombeiro, o do parceiro de um dos mortos prejudicado pelo não reconhecimento da união homossexual, e o de Charles Wolf (Stanley Tucci, Um Ato de Esperança), que perdeu a esposa nas Torres Gêmeas e se tornou líder de um movimento que exigia reparos no projeto de compensação de Feinberg. O elenco é formidável, apesar de o formato da trama ser convencional. Mas o fator humano tem potência de sobra, porque o que se vê é uma gigantesca movimentação patriótica e apartidária.  

Quanto Vale?

Democratas e republicanos se uniram por um ideal de socorro diante daquele marco do terror que desenhou uma linha divisória na História mundial. O País inteiro agiu em uníssono pela superação. Uma lição a que nossos polarizados governantes brasileiros assistiram, mas claramente não aprenderam. Duas décadas depois do 11 de Setembro, que matou aproximadamente 3 mil pessoas, a força destruidora da Covid-19 ruma para os 600 mil brasileiros mortos enquanto o jogo político prejudica o combate à pandemia. O horror, o horror.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Quanto Vale?/What is Life Worth
Direção: Sara Colangelo
Duração: 118 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2020
Elenco: Michael Keaton, Stanley Tucci, Amy Ryan, Tate Donovan, Laura Benanti, Talia Balsam, Shunori Ramanathan
Distribuição: Netflix

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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