terça, 30 de novembro de 2021
Cinema Drama

O Homem que Vendeu sua Pele


O Homem que Vendeu sua Pele
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Indicado ao Oscar 2021 de Filme Internacional pela Tunísia, O Homem que Vendeu sua Pele conversa diretamente com The Square – A Arte da Discórdia, produção sueca de 2017, Palma de Ouro em Cannes e também indicada ao Oscar. A linha tênue entre a arte e o oportunismo está no centro do drama, mas o enredo estende as fronteiras com um protagonista que clama pelo debate político e humanitário. Melhor ator na Mostra Horizontes do Festival de Veneza, Yahya Mahayni dá corpo e alma a Sam Ali. Jovem sírio de origem humilde, ele é obrigado a deixar seu país e seu amor, Abeer (Dea Liane), para escapar da perseguição do governo de Bashar al-Assad.

Em Beirute, Sam entra de penetra em vernissages para comer de graça. Numa delas chama a atenção de Soraya (Monica Bellucci, Os Melhores Anos de Uma Vida), que gerencia a carreira da sensação Jefrrey Godefroi (Koen de Bouw). O artista faz milhões ao transformar objetos comuns em obras de arte, e precisa de uma tela “especial” para seu novo trabalho. A proposta que ele faz a Sam é indecente, mas tentadora. Em troca de 1/3 do lucro, Sam entrega suas costas ao artista, que tatua um visto Schengen, o mesmo que o refugiado recebe como parte do acordo e que autoriza seu trânsito pela Europa. O documento permite a ida de Sam a Bruxelas, onde Abeer mora desde que se casou por conveniência.

O Homem que Vendeu sua Pele

Esse pacto faustiano é livremente inspirado na história real do suíço Tim Steiner, que cobriu as costas inteiras com uma tatuagem desenhada pelo belga Wim Delvoye, que por sua vez a vendeu para um colecionador de arte alemão. Quando Steiner morrer, sua pele vai ganhar moldura e virar quadro. Antes disso, a obrigação é se apresentar em galerias pelo mundo. No filme escrito e dirigido pela tunisiana Kaouther Ben Hania, a condição de tela viva coloca Sam no radar de organizações pela defesa de refugiados e direitos humanos.

A questão do que se considera arte ganha nova dimensão nessa obra provocadora. De um lado, o artista anuncia sua missão de derrubar muros. Ao transformar Sam em mercadoria, Jeffrey confronta governos ao mostrar que a circulação de produtos pelo mundo é muito mais simples que a de pessoas. Sam, por sua vez, é um homem de personalidade forte e, embora desfrute de vantagens da situação, se deixa trair pela própria humanidade e não raro burla as regras.

O Homem que Vendeu sua Pele

A cineasta convida à reflexão. Embora a crítica social soe forte, O Homem que Vendeu sua Pele se sustenta em uma história de amor. Sam doa o corpo para reencontrar Abeer. O problema é que, como peça de arte, não é soberano do próprio destino. O desfecho propõe soluções mirabolantes e novelescas que destoam da sobriedade do que se viu até ali. Mas, no fim das contas, a sensação de alívio e esperança compensa.




Trailer

Ficha Técnica

Título: O Homem que Vendeu sua Pele/The Man Who Sold His Skin
Direção: Kaouther Ben Hania
Duração: 144 minutos

País de Produção/Ano: Tunísia, França, Bélgica, Alemanha, Suécia, Turquia, 2020
Elenco: Yahya Mahayni, Monica Bellucci, Dea Liane, Koen de Bouw
Distribuição: Pandora Filmes

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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