domingo, 31 de agosto de 2025
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Babilônia


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Nome da cidade da antiga Mesopotâmia onde hoje fica o Iraque, Babilônia significa “Porta de Deus”. O império babilônico entrou para a História, porém, como antro de degradação moral, idolatria e materialismo. Segundo a Bíblia, sua ruína teria sido castigo divino. No dicionário, aparece como o sentido figurado de “falta de ordem, confusão, babel”. Dito isso, o lisérgico bacanal felliniano que abre Babilônia é tanto a “Porta de Hollywood” quanto o símbolo da devassidão que, no filme, cobra alto preço de seus adeptos.

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Para quem duvida que a meca do cinema era mesmo essa balbúrdia nos anos 1920, basta lembrar da criação do Código Hays, instrumento de censura que ditou as regras morais dos filmes norte-americanos entre 1930 e 1968. Pois é por esses atribulados primórdios do cinema que passeia a frenética câmera de Damien Chazelle, que realiza seu filme mais ambicioso depois dos sucessos Whiplash: Em Busca da Perfeição e La La Land: Cantando Estações. São 189 minutos de duração que pedem a tela grande. As míseras três indicações ao Oscar – trilha sonora, direção de arte e figurino – são um disparate para essa obra de proporções épicas.

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Babilônia começa no auge do cinema mudo e o diretor, também autor do roteiro, é cirúrgico na apresentação de seus arquétipos. A revelação Diego Calva é Manny, o forasteiro mexicano que sonha com um lugar ao sol na cidade dos sonhos. Margot Robbie é Nellie, uma força da natureza pronta para o estrelato. Brad Pitt é Jack, o astro dos atros, como foram Douglas Fairbanks e John Gilbert. Ao redor da trinca orbitam tipos como Elinor (Jean Smart), a colunista de fofocas nos moldes de Hedda Hopper, e o trompetista Sidney (Jovan Adepo), um dos veículos para o oscarizado Justin Hurwitz aumentar o volume da extasiante trilha sonora.

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Chazelle disse em entrevista de divulgação que “Gostava da ideia de olhar para uma sociedade se transformando. Hollywood viveu uma série de mudanças rápidas e aparentemente cataclísmicas nos anos 20. Algumas pessoas sobreviveram, outras não”. A estrutura narrativa de Babilônia acompanha a disruptura e vai da comédia ao dramalhão com extravagância. O clássico Cantando na Chuva, que em 1952 revisitou os percalços da entrada na era sonora, é referência constante na trama.

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Um divertido panorama dos bastidores mostra os recursos mambembes das produções da época e faz contraponto à vida de luxo e glamour de atros como Jack e outros poucos que chegaram ao topo. A síndrome de inferioridade da sétima arte em relação ao teatro é retratada na tóxica relação do ator com uma atriz da Broadway. E, como não poderia deixar de ser, o desenfreado consumo de drogas e álcool, que abreviou (e abrevia) a vida de tantos talentos, dá o tom na trajetória da incomparável Nellie. Já o insosso Manny serve mais como elo de ligação, salve a hilária sequência com o gângster vivido por Tobey Maguire.

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Babilônia conduz os protagonistas por uma pedregosa trilha de ascensão e queda para examinar o custo da efemeridade na vida e na arte. “Acabou”, sentencia a veterana Elinor ao decadente Jack em um diálogo avassalador. Ironicamente, o cineasta pena para colocar um ponto final no próprio filme. Enamorado de sua obra, Chazelle rompe o fio narrativo com uma colagem alucinante de imagens. Promove uma experiência sensorial da montanha-russa que é amar e viver o cinema. Um surto de preciocismo desnecessário, mas com toda a classe. 




Trailer

Ficha Técnica

Título: Babilônia/Babylon
Direção: Damien Chazelle
Duração: 189 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2022
Elenco: Margot Robbie, Brad Pitt, Diego Calva, Jean Smart, Jovan Adepo, Flea, Tobey Maguire, Lukas Haas, Li Jun Li
Distribuição: Paramount Pictures

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).