quinta, 22 de outubro de 2020

Professoras de fibra


Professoras de fibra

Elas são três grandes estrelas de Hollywood que escolheram entrar na sala de aula para interpretar três memoráveis professoras frente a jovens rebeldes. E como aqueles mestres que marcaram a nossa  trajetória escolar, elas venceram a resistência – ou a preguiça – com conhecimento, respeito e humanidade.

Em comum, as três também têm o fato de serem profissionais de primeira viagem, seja numa nova escola ou à frente da lousa. Com vocês, para celebrar o Dia dos Professores, Julia Roberts em O Sorriso de Mona Lisa, Michelle Pfeiffer em Mentes Perigosas e Hilary Swank em Escritores da Liberdade. Uma maratona de belos e comoventes dramas para homenagear essa profissão nobre e indispensável.


Drama
O Sorriso de Mona Lisa/Mona Lisa Smile

O Sorriso de Mona Lisa/Mona Lisa Smile

Em 1953, Katherine (Julia Roberts, O Retorno de Ben) é uma jovem, dedicada e progressista professora de artes que está prestes a realizar sua grande ambição profissional: dar aulas na conceituada Escola Wellesley, de Massachusetts, que prepara as garotas da alta sociedade para entrar na faculdade ou na vida adulta. Mas seu espírito livre vai incomodar não apenas a conservadora diretoria como grande parte das alunas, adeptas à tríade casamento, casa e família como fórmula da felicidade.

No grupo das jovens com os hormônios à flor da pele e rigorosas regras a seguir estão a arrogante Betty (Kirsten Dunst, Estrelas Além do Tempo), a inteligente Joan (Julia Stiles, Jason Bourne), a liberal Giselle (Maggie Gyllenhaal, Batman: O Cavaleiro das Trevas) e a doce Connie (Ginnifer Goodwin, O Noivo da Minha Melhor Amiga). Katherine divide o apartamento com a solitária professora de etiqueta, Nancy (Marcia Gay Harden, trilogia Cinquenta Tons de Cinza), e tem um escandaloso caso com o conquistador Bill (Dominic West, Colette), já que ela está prestes a ficar noiva.

Quando foi lançado em 2004, O Sorriso de Mona Lisa recebeu duras críticas pela caracterização equivocada dos corredores escolares de Wellesley na década de 1950, já então uma escola de mulheres progressistas, e apesar do elenco estelar e da qualidade da produção, conquistou apenas uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Canção Original, “The Heart of Every Girl”, de Elton John e Bernie Taupin.

Mas à luz do tempo, o charmoso filme de Mike Newell (A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata) continua sendo um libelo da luta pela independência e igualdade das mulheres e um consistente elogio à difícil arte de educar. Não deixe de assistir aos créditos finais, que trazem reveladoras imagens reais sobre a (subjugada) condição feminina após a Segunda Guerra Mundial nos Estados Unidos.




Trailer

Ficha Técnica

Título: O Sorriso de Mona Lisa/Mona Lisa Smile
Direção: Mike Newell
Duração: 117 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2003
Elenco: Julia Roberts, Kirsten Dunst, Julia Stiles, Maggie Gyllenhaal, Ginnifer Goodwin, Dominic West, Juliet Stevenson, Marcia Gay Harden
Distribuição: Columbia Pictures


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Drama
Mentes Perigosas/Dangerous Minds

Mentes Perigosas/Dangerous Minds

O roteirista Ronald Bass (Antes do Adeus), vencedor do Oscar de Melhor Roteiro por Rain Man (1988), fez um notável trabalho ao adaptar o livro autobiográfico de LouAnne Johnson, nome também da protagonista de Mentes Perigosas, ex-militar que entra numa sala de aula, pela primeira vez, para dar aulas de inglês numa agitada e miscigenada escola de periferia. No aniversário de 20 anos do lançamento da produção, em 2015, a autora, que continua a dar aulas, disse que houve muitas a(du)lterações de sua obra original para fins dramáticos.

Verossimilhança à parte, as alterações funcionaram, porque Mentes Perigosas foi um dos grandes sucessos de bilheteria do ano de seu lançamento, e de Michelle Pfeiffer (Assassinato no Expresso do Oriente). Ainda hoje, continua um filme inspirador, principalmente por usar letras de música e poesia em sala de aula – a escritora recorreu ao rap para se aproximar dos alunos e os aproximá-los do estudo da língua inglesa. Uma das cenas mais tocantes é a do torneio Dylan-Dylan, em que os alunos tinham de encontrar um poema do famoso escritor Dylan Thomas que tivesse o mesmo tema que a clássica canção de Bob Dylan, “Mr. Tambourine Man”. O nome artístico de Bob Dylan, aliás, foi inspirado no do poeta.

Mas LouAnne (Michelle) encontrou muitas pedras no meio do caminho antes de conquistar os rebeldes e negligenciados alunos de sua classe, que reunia brancos, negros e latinos nem sempre de bem uns com os outros. A inteligente e grávida Callie (Bruklin Harris), o defensivo Raul (Renoly Santiago) e o valentão Emilio (Wade Dominguez) destacam-se no interessante grupo de alunos da classe, e a novata professora conta com a ajuda e experiência do amigo Hal (George Dzundza), o simpático professor de história veterano.

Na eclética e marcante trilha sonora de Mentes Perigosas, a música “Gangsta’s Paradise”, de Coolio, com um toque especial de Stevie Wonder, ganhou o badalado prêmio MTV de Melhor Videoclipe de Filme e foi o single mais vendido de 1995, o que colaborou consideravelmente para o êxito do filme junto ao público jovem.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Mentes Perigosas/Dangerous Minds
Direção: John N. Smith
Duração: 99 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 1995
Elenco: Michelle Pfeiffer, George Dzundza, Courtney B. Vance, Renoly Santiago, Wade Dominguez, Bruklin Harris, Marcello Thedford
Distribuição: Telecine


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Drama
Escritores da Liberdade/Freedom Writers

Escritores da Liberdade/Freedom Writers

Diferente de Mentes Perigosas, a adaptação do livro Escritores da Liberdade foi bem recebida pela autora Erin Gruwel, que elogiou Hilary Swank, vencedora do Oscar por Meninos Não Choram (1999) e Menina de Ouro (2004), por reduzir seu alto cachê e estrelar a versão escrita e dirigida por Richard LaGravenese – o cineasta repetiu a dobradinha com a atriz no mesmo ano com o romance P.S. Eu te Amo.

A sofisticada e culta Erin (Hilary) vai trabalhar como professora de inglês numa escola de periferia de Los Angeles, para ajudar no orçamento da casa, já que seu marido (Patrick Dempsey, da série Grey’s Anatomy) está com dificuldades no trabalho e o casamento deles também não vai bem. Como novata, ela assume a classe mais problemática, de alunos negros, latinos e asiáticos em pé de guerra uns com os outros, refletindo o ambiente em que vivem.

Erin esforça-se ao máximo para encontrar uma linguagem com os alunos e comum entre eles, sem nenhum apoio e mesmo sob as críticas da diretoria. Algumas de suas tentativas com literatura reverberam positivamente. Um dos livros que a turma lê é O Diário de Anne Frank, e eles decidem levantar dinheiro para trazer para a escola a senhora Miep Gies, a secretária que acolheu e escondeu a família Frank. Erin oferece um diário para cada um dos alunos escrever sua própria história, e encontra assim não apenas o ponto de conexão como de virada de todo o grupo.

No filme, é a própria Mied Gies quem fala com os jovens, em um dos momentos mais comoventes. No jantar após a visita escolar ao Museu do Holocausto, os personagens que conversam com os alunos são interpretados por sobreviventes da Segunda Guerra. A professora Erin Gruwel e os estudantes da sua primeira turma da Wilson High transformaram as experiências e os relatos pessoais de seus diários no livro que deu origem ao filme, e criaram a Fundação Escritores da Liberdade, que estimula o ensino da escrita e oferece bolsas de estudos para jovens estudantes dos Estados Unidos.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Escritores da Liberdade/Freedom Writers
Direção: Richard LaGravenese
Duração: 123 minutos

País de Produção/Ano: EUA/Alemanha, 2007
Elenco: Hilary Swank, Imelda Staunton, Patrick Dempsey, Scott Glenn, April L. Hernandez, Mario, Sergio Montalvo, Jason Finn, Gabriel Chavarria
Distribuição: Paramount Pictures


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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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