sexta, 27 de novembro de 2020

Festival Varilux 2019: Histórias verdadeiras


Festival Varilux 2019: Histórias verdadeiras

Como parte da cobertura do Festival Varilux de Cinema Francês 2019, reunimos duas produções históricas, distantes um século uma da outra, com igual apuro na reconstituição de suas épocas: Cyrano Mon Amour, de Alexis Michalik, e A Revolução em Paris, dirigido por Pierre Schoeller. Além das críticas, você pode comprar seu ingresso e conferir as entrevistas com os cineastas, que vieram ao Brasil na delegação francesa do festival. 


Comédia Dramática
Cyrano Mon Amour/Edmond

Cyrano Mon Amour/Edmond

Se Shakespeare Apaixonado era uma adorável fantasia sobre a origem de Romeu e Julieta, a peça mais clássica do famoso bardo inglês, por que não imaginar a gestação de uma das peças mais encenadas e clássicas do teatro francês, Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand? Alexis Michalik, ator, dramaturgo, roteirista de TV e diretor franco-britânico se fez essa pergunta, já que admitiu ter sido o filme uma de suas inspirações para a premiada e bem-sucedida peça Edmond, vencedora de cinco prêmios Molière - o Oscar do teatro francês -, traduzida para 40 línguas, e com mais de 500 mil espectadores só na França.

Estreando como cineasta, Michalik roteirizou e adaptou sua peça, além de atuar no papel do dramaturgo Georges Feydeau, que nos anos 1890, em Paris, era sinônimo de sucesso nos palcos, para desespero do jovem Edmond Rostand (Thomas Solivérès, de Amor ao Primeiro Filho), cuja última peça foi um fiasco total e lhe deixou com um bloqueio criativo por dois anos. Quando as contas começam a bater na porta da sua casa e o sustento da esposa e dos dois filhos fica ameaçado, ele recebe uma proposta inesperada.

É início de dezembro, e o renomado ator Constant Coquelin (Olivier Gourmet, de O Jovem Karl Marx) precisa de uma nova peça, de preferência uma comédia, para garantir a parceria com dois generosos produtores e se garantir na programação do teatro. Rostand lhe foi indicado por uma amiga em comum, a famosa Sarah Bernhardt, e aceita escrever a peça por encomenda. O problema é que ela deve estrear até o dia 27 de dezembro de 1897, em menos de três semanas.

Foi assim que nasceu uma das peças de teatro mais famosas e encenadas do mundo, Cyrano de Bergerac, pelo menos na imaginação de Michalik. No processo criativo de Rostand, tudo pode ser inspirador, partindo, obviamente, da paixão do ator Leo (Tom Leeb), seu melhor amigo, pela servente do teatro, Jeanne (Lucie Boujenah). Para ajudar Leo, um fanfarrão bonitão, a conquistar a bela sensível, admiradora do teatro em versos de Rostand, o escritor começa a colocar suas lindas rimas nas cartas e na boca de Leo.

Além da produção primorosa, em que fotografia, direção de arte, reconstituição de época, figurinos, maquiagem, trilha sonora estão em perfeita harmonia, e do elenco irretocável, o texto brilhante de Michalik e sua direção inspirada transformam Cyrano, Mon Amour numa celebração ao teatro e à delicadeza, ao lirismo e à arte de contar histórias. Encantador!

PS – Não deixe de ver os créditos com o registro e uma homenagem às principais encenações de Cyrano de Bergerac no cinema e no teatro.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Cyrano Mon Amour/Edmond
Direção: Alexis Michalik
Duração: 109 minutos

País de Produção/Ano: França/Bélgica, 2018
Elenco: Thomas Solivérès, Olivier Gourmet, Mathilde Seigner, Tom Leeb, Lucie Boujenah, Jean-Michel Martial, Dominique Pinon
Distribuição: A2


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Drama Histórico
A Revolução em Paris/Un Peuple et Son Roi

A Revolução em Paris/Un Peuple et Son Roi

Foram sete anos de profundas e exaustivas pesquisas do diretor e roteirista Pierre Schoeller (O Exercício do Poder) o ponto de partida do blockbuster francês A Revolução em Paris. A verossimilhança histórica da recriação dos fatos políticos mais importantes ocorridos entre a queda da Bastilha, em 1789, e a decapitação do rei Luís XVI, nos primeiros anos da construção da república francesa foi prioridade de Schoeller tanto no roteiro como nos mínimos detalhes da produção.

Com um elenco estelar, ele narra as voltas e reviravoltas do poder, acordos e traições do período. Os primeiros encontros da nascente Assembleia Nacional, os discursos de seus membros, conservadores e liberais, sobre o destino da monarquia e do rei (Laurent Lafitte, de Elle), com destaque para personagens decisivos no futuro da nação francesa, como Robespierre (Louis Garrel, de Dois Amigos) e Marat (Denis Lavant, de A Noite Devorou o Mundo). Eles são vistos, no entanto, sempre sob o ponto de vista de um grupo de trabalhadores revolucionários, combatentes da república democrática. De igualdade, liberdade e fraternidade para todos.

O Tio (Olivier Gourmet, de O Jovem Karl Marx), artesão de vidros, e sua esposa Solange (Noémie Lvovsky, de A Casa de Veraneio), são mentores e protetores da lavadeira Françoise (Adéle Haenel, de 120 Batimentos por Minuto) e seu companheiro Basile (Gaspar Ulliel, de Saint Laurent), à frente do grupo com intensa participação nas manifestações e nas galerias da Assembleia. Eventos históricos como a Marcha das Mulheres a Versalhes e a participação feminina na revolução têm especial evidência no drama.

O olhar que A Revolução de Paris lança sobre esse período decisivo na história da França, da Europa e do mundo moderno, pretende ser inclusivo, dar ao povo, operários e mulheres, a voz e o lugar que lhes pertence na história. Quer também propor uma reflexão contemporânea sobre os conflitos e os valores que levaram à conquista de direitos humanos, da democracia. E embora Schoeller se perca na condução de tantas pretensões, esse é um dos poucos casos em que as boas intenções recomendam – ou salvam – o espetáculo.




Trailer

Ficha Técnica

Título: A Revolução em Paris/Un Peuple et Son Roi
Direção: Pierre Schoeller
Duração: 121 minutos

País de Produção/Ano: França/Bélgica, 2018
Elenco: Gaspard Ulliel, Adèle Haenel, Olivier Gourmet, Louis Garrel, Izïa Higelin, Noémie Lvovsky, Laurent Lafitte, Denis Lavant
Distribuição: Bonfilm


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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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