domingo, 11 de abril de 2021

Festival Eurovision da Canção


Festival Eurovision da Canção
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Netflix

O Festival Eurovision da Canção é quase uma lenda dos eventos musicais europeus, cuja marca são os cenários e as performances extravagantes, as canções ditas bregas, uma participação massiva de países do lado mais escandinavo do continente e a legião de fãs. Em 1974, o vencedor do festival foi o idolatrado grupo sueco ABBA. O ator - quase sempre - fanfarrão Will Ferrell (Pronto Para Recomeçar), casado com uma sueca, encantou-se com o evento desde a primeira vez em que acompanhou as finais, em 1999.

Ferrell persistiu na ideia de fazer um filme sobre o festival. Em 2018, como membro da delegação sueca, pesquisou os bastidores do evento, realizado em Lisboa. Grande parte das filmagens das apresentações aconteceu na edição 2019, sediada em Tel-Aviv. Ferrell foi coautor do roteiro e trouxe David Dobkin, com quem trabalhara em Penetras Bons de Bico, para dirigir Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars. É verdade, porém, que a parceria anterior é muito mais representativa da carreira do ator do que do perfil versátil do diretor do drama O Juiz, com Robert Downey Jr..

O título anuncia a trama do filme, a saga de Lars (Ferrell) e Sigrit (Rachel McAdams, Questão de Tempo) para participar do festival. Os dois são quarentões e só conseguem se apresentar no bar da pequena Húsavík, sua cidade natal, situada na costa norte da Islândia, com cerca de 2.300 habitantes. Lars sonha desde pequeno em ganhar o festival, mesmo sendo por décadas objeto de chacota do pai descrente (Pierce Brosnan, Apenas um Garoto em Nova York) e da comunidade. Menos de Sigrit, sua compreensiva, paciente e talentosa parceira na banda Fire Saga. Por um acaso, a dupla acaba selecionada para o festival, apenas para colecionar gafes dentro e fora do palco.

Assumidamente besteirol, o filme oscila entre a paródia e a homenagem, boas piadas e tiradas de mau gosto, e acaba se perdendo entre os registros distintos. Mas diverte com as performances musicais estravagantes, várias de vencedores do festival em participações especiais, dentre elas do cantor português Salvador Sobral, cuja canção vencedora da edição 2017 do evento, “Amar pelos Dois”, foi gravada por Caetano Veloso. E, sobretudo, com Alexander Lemtov, personagem de Dan Stevens (O Homem que Inventou o Natal), astro milionário e favorito do evento, a quem a mãe Rússia não permite sair do armário.

O único momento realmente “sério”, a performance da óbvia redenção da dupla com a música “Husavik (My Home Town)”, cantada pela sueca Molly Sandén e dublada por Rachel McAdams, garantiu ao filme uma indicação ao Oscar de Melhor Canção Original. Merecida, porque além de simples e encantadora, a música celebra não apenas as belezas da Islândia, mas conduz o nosso olhar para a vida solidária, saudável e “pacata” das cidades do interior. Algo que em suas duas horas de duração, o filme preferiu negligenciar.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars/Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga
Direção: David Dobkin
Duração: 123 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2021
Elenco: Will Ferrell, Rachel McAdams, Dan Stevens, Melissanthi Mahut, Pierce Brosnan, Demi Lovato
Distribuição: Netflix

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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