domingo, 11 de abril de 2021

Lar Ideal


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Nos anos 1990, com Três Formas de Amar, o diretor e roteirista Andrew Fleming (Emily in Paris) chacoalhou os clichês da comédia romântica ao apimentar o triângulo amoroso entre dois amigos da faculdade e uma estudante que, por engano, foi designada para ficar no mesmo quarto. Para a época, era uma proposta ousada não apenas pela sugestão da sensualidade num grau acima do habitual, mas pelo componente homossexual da paixão a três.

Nos 23 anos entre as filmagens de Três Formas de Amar e Lar Ideal, muitas águas passaram sob a ponte da discriminação de gênero, e o amor gay conquistou representatividade nas telonas e telinhas. Para o diretor, 23 é também o tempo de convivência entre ele e seu parceiro, cujo filho de um relacionamento anterior foi educado pelo casal. Foi inspirado pela própria experiência que Fleming escreveu e dirigiu o filme, que lhe consumiu uma década de gestação.

Nele, Erasmus Brumble (Steve Coogan, Greed: A Indústria da Moda) e Paul (Paul Rudd, série Cara x Cara) são um casal à beira de uma disfarçada crise de nervos. Eles encontram uma razão para continuar juntos quando o neto pequeno de Erasmus, Angel/Bill (Jack Gore), é enviado pelo pai, preso por porte de drogas e prostituição, para ficar com eles. A partir daí, não há muita novidade no desenrolar da trama, que passa pela adaptação dos três à nova configuração familiar, ao retorno do garoto aos cuidados do pai e da crise do casal, no caminho de um terceiro ato mais amigável.

Muito mais importante é a maneira como o cineasta conta essa história, que surpreende, seduz e diverte sem esquecer de sugerir algumas reflexões. Já nos créditos iniciais, ele conta ao que veio, com cenas de Erasmus gravando o programa de culinária e estilo de vida que apresenta na TV, produzido por Paul. Cores estouradas, figurinos esdrúxulos, badulaques e adereços pulando na tela, com um Erasmus maquiado, vaidoso e controlador querendo parecer um caubói autêntico.

O estranhamento é proposital, engraçado e inaugura uma narrativa entre a paródia e o clichê. O casal vive em um castelo de contos de fadas gay nas redondezas da interiorana e desértica Santa Fé. Erasmus é a celebridade local, o “artista” desligado e desbocado, exagerado e ensimesmado, que deixa para Paul a incumbência de descer o portão sobre o fosso que os separa das responsabilidades do cotidiano – e da educação do novo membro da família.        

Isso tudo se constrói com situações e diálogos bem-humorados, que destilam ironia ao senso comum, e devem muito à composição dos adoráveis Steve Cougan e Paul Rudd. Não deixa de ser problemático e delicado trazer uma criança para esse contexto, ainda mais uma com passado trágico, que o filme apenas menciona, o que é decepcionante. Mas os dilemas que os três enfrentam apontam para uma nova realidade, como prova a brincadeira do diretor ao escalar atores heterossexuais para interpretar gays e homossexuais para interpretar heteros. O clima é de otimismo, como mostram as fotografias das famílias homoparentais que fecham o filme.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Lar Ideal/Ideal Home
Direção: Andrew Fleming
Duração: 91 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2018
Elenco: Steve Coogan, Paul Rudd, Jack Gore, Jake McDorman, Alison Pill, Lora Martinez-Cunningham
Distribuição: Brainstorm Media

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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