sábado, 27 de fevereiro de 2021

As Vidas de Glória


As Vidas de Glória
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“Feminismo é a ideia radical de que os humanos são todos iguais, e de que podemos dispensar rótulos de gênero, classe e raça e começar a entender nossa individualidade”. A definição é de Gloria Steinem em uma entrevista recente. Ícone do movimento pela liberdade da mulher nos anos 60 e 70, ela desafiou estereótipos, quebrou barreiras e fez amigos e inimigos pelo caminho. Foi uma vida abundante, que a jornalista e escritora contou com as próprias palavras na autobiografia Minha Vida na Estrada, lançada em 2016.

Hoje aos 86 anos, Gloria vê seu livro ganhar as telas na adaptação de Julie Taymor. A cineasta é a mesma que se debruçou sobre a vida de outra mulher fenomenal, a artista plástica mexicana Frida Kahlo, em Frida (2002), que rendeu indicação ao Oscar de melhor atriz a Salma Hayek. Em As Vidas de Glória, Julie escalou não uma, mas quatro atrizes para dar vida à ativista. E faz mais: cria diálogos entre as Glórias de diferentes gerações, em uma das artimanhas que dão liga à narrativa.

Assim conhecemos a pequena Glória (Ryan Kiera Armstrong), garotinha agitada e fascinada pelo pai (Timothy Hutton, Todo o Dinheiro do Mundo) afetuoso e empreendedor, mas que vive no improviso. A Glória adolescente (Lulu Wilson) parece preocupada com a mãe (Enid Graham), uma jornalista frustrada e debilitada física e mentalmente. Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa) interpreta a Glória na fase em que viajou pela Índia, e ali teve uma noção mais nítida da opressão feminina. É nessa fase também que ganha fama como jornalista, depois de se infiltrar como “coelhinha” em festas da Playboy e revelar o degradante esquema de trabalho das funcionárias de Hugh Hefner.

A consagrada Julianne Moore (Depois do Casamento) tem mais tempo de cena como a Glória cofundadora da revista Ms., que causou polêmica ao defender a liberação do aborto, por exemplo, e abordar temas tabus como o orgasmo feminino. Preocupada em não deixar nada de fora, a diretora leva mais de duas horas para montar seu painel histórico. Às vezes usa recursos visuais meio psicodélicos para modernizar um enredo basicamente factual, mas que destoam de um filme comportado até demais.  

Falta um olhar mais íntimo dessa figura única e desbravadora, cuja vida pessoal ganha apenas lampejos na cinebiografia. A decisão de não ter filhos, a solidão e o casamento tardio, aos 66 anos, são tratados superficialmente. O marido dela, por sinal, foi o empresário e ativista inglês David Bale, pai do astro Christian Bale (Ford vs Ferrari). As Vidas de Glória é uma grande e merecida homenagem, inclusive com a presença da verdadeira no final. Como cinema, porém, falta-lhe a ousadia e a coragem da biografada.




Trailer

Ficha Técnica

Título: As Vidas de Glória/The Glorias
Direção: Julie Taymor
Duração: 139 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2020
Elenco: Julianne Moore, Alicia Vikander, Janelle Monáe, Ryan Kiera Armstrong, Lulu Wilson, Timothy Hutton, Enid Graham
Distribuição: Sony Pictures

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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