domingo, 11 de abril de 2021

Palavras nas Paredes do Banheiro


Palavras nas Paredes do Banheiro
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Adam (Charlie Plummer, Todo o Dinheiro do Mundo) não sabe bem quando começou a ouvir vozes, e nem quando ganhou três amigos inseparáveis, que só ele vê. Rebecca (AnnaSophia Robb) é zen total, Joaquin (Devon Bostick) ele descreve como “melhor amigo de um filme dos anos 90” e o autoexplicativo Guarda-Costas (Lobo Sebastian) é temperamental. A explicação para as estranhas manifestações veio depois do surto psicótico que provocou sua expulsão da escola em que cursava o ensino médio: esquizofrenia, um distúrbio mental crônico que provoca alucinações visuais e auditivas, entre outros sintomas.

O único lugar onde Adam encontra harmonia é na cozinha, e seu plano de vida é se tornar um chef. Se a juventude já é um redemoinho físico e emocional em si, a de Adam tem extras indesejados. A começar pela adaptação aos medicamentos e seus efeitos colaterais, além do desafio de manter segredo sobre a doença na escola católica que concordou em recebê-lo no meio do ano. Inspirado no best-seller de Julia Walton, Palavras nas Paredes do Banheiro funciona como uma conversa do protagonista com o espectador, que toma o lugar do que seria um psiquiatra.

O diretor alemão Thor Freudenthal já mostrou intimidade com o público juvenil em Diário de um Banana e Percy Jackson e o Mar de Monstros. Aqui ele faz bom uso de efeitos especiais para ilustrar as alucinações de Adam com criatividade. A cena da freira em labaredas na reunião de admissão no colégio é cômica. As aparições de sua intrépida trinca de amigos invisíveis também divertem. São bem-vindos respiros para uma situação complexa e dramática.

O enredo explora também como a esquizofrenia afeta aqueles ao redor do doente. A mãe (Molly Parker, Pieces of a Woman) e o padrasto (Walton Goggins, Os Oito Odiados) assumem posturas aparentemente diferentes, ela protetora e ele repulsivo. Mas é Maya (Taylor Russell), a aluna brilhante que se torna tutora e crush de Adam, o fator tanto de estímulo quanto de tensão. Ele não revela sua condição, e ela também guarda um segredo. Colocar o primeiro amor na equação é um chamariz para fãs de outros títulos do gênero “amor e doença”, como A Culpa é das Estrelas e A Cinco Passos de Você.

Palavras nas Paredes do Banheiro tem atuações estupendas de todo o elenco, mas é o veterano Andy Garcia (Do Jeito Que Elas Querem), como o padre com quem Adam se confessa, que ganha os melhores diálogos. “Você tem uma doença, mas você não é a doença”, ele diz. Esse distanciamento entre o ser e o ter é peça-chave na convivência possível com um mal crônico. O diretor mira a juventude, mas seu filme toca a todos.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Palavras nas Paredes do Banheiro/Words on Bathroom Walls
Direção: Thor Freudenthal
Duração: 110 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2020
Elenco: Charlie Plummer, Taylor Russell, Molly Parker, Andy Garcia, AnnaSophia Robb, Beth Grant, Devon Bostick, Lobo Sebastian, Walton Goggins
Distribuição: Sony Pictures

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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