segunda, 18 de janeiro de 2021

A Chegada


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Por SUZANA UCHÔA ITIBERÊ e FÁTIMA GIGLIOTTI

“A linguagem é o fundamento da civilização. É a liga que mantém as pessoas unidas”. É assim que o físico Ian Donnelly (Jeremy Renner, Vingadores: Ultimato) se apresenta para a linguista Louise Banks (Amy Adams, Vice) no início da ficção científica A Chegada, indicada ao Oscar de melhor filme em 2017. A citação é um trecho do livro dela e ele discorda da afirmação, em favor da ciência. Ela silencia. Mas os alienígenas em visita à Terra, que os dois estão prestes a encontrar, muito mais avançados do que nós, tinham o propósito de nos presentear, seres humanos, com uma língua universal para que conseguíssemos, afinal, nos entender como parte da mesma humanidade, salvar a nossa espécie e o nosso planeta.

Inspiradas pelo filme, Fátima Gigliotti e Suzana Uchôa Itiberê escreveram a quatro mãos esta crítica, como uma sugestão do portal OQVER para celebrar calorosamente A Chegada deste novo ano, ainda marcado pela insensatez humana e pela pandemia global do coronavírus. É uma mensagem simbólica da nossa esperança, a mesma da protagonista Louise, de encontrar uma língua comum para conquistar a união do nosso planeta, do nosso País, em favor de um mundo mais humano, justo, inclusivo, pacífico, saudável, feliz. Bem-vindo 2021! 

Primeira produção do gênero dirigida pelo canadense Denis Villeneuve (Incêndios), que logo depois ganharia a benção de Ridley Scott para filmar Blade Runner 2049, a ficção científica se passa no presente, na manhã de um dia qualquer. Semelhante ao dia em que fechamos as nossas portas para nos proteger de um vírus mortal em 2020. De repente, 12 OVNIs, objetos voadores não identificados, escuros e ovalados, aparecem suspensos em 12 pontos aleatórios da Terra, provocando medo e caos nos cinco continentes. Para desvendar seu propósito, o Exército dos Estados Unidos reúne Ian e Louise num acampamento improvisado, próximo a uma das gigantescas naves.

Os dois vão entrar na “concha” e ficar face a face com duas criaturas alienígenas, com a missão de se comunicar e descobrir a intenção dos visitantes. No mundo, são 11 equipes trabalhando de maneira semelhante, trocando informações e se ajudando, até que Rússia e China começam a movimentar suas armas. Villeneuve bebe na fonte de Terrence Malick (Uma Vida Oculta) nas cenas da protagonista com a filha em uma trama paralela, mas não necessariamente linear. A fotografia indicada ao Oscar, a edição de som vencedora da estatueta, e a trilha sonora criam o clima etéreo que contrasta com a tensão crescente que envolve os aliens.

Inspirado no premiado conto História da Sua Vida, de Ted Chiang, o enredo aborda a linguagem de forma inédita no cinema. Na medida em que Louise faz um mapa dos símbolos alienígenas e passa a se comunicar com as duas criaturas, chamadas carinhosamente de Abbott & Costello, sua visão de mundo e sua relação com o tempo começam a se transformar. É uma coisa mágica de se ver e faz parte de uma teoria chamada “hipótese Sapir-Whorf”, segundo a qual as pessoas vivem em universos mentais determinados pelas línguas que falam. O que significa que o estudo de uma língua pode levar à compreensão de uma civilização e sua cultura. A narrativa é enigmática e ao final, quando tudo faz sentido, cenas, diálogos e imagens voltam à cabeça como pistas que passaram despercebidas, soluções reveladas, mas não compreendidas.

Com A Chegada, Denis Villeneuve alcança um patamar aonde poucos chegaram no gênero, um Olimpo habitado por Stanley Kubrick e seu 2001: Uma Odisseia no Espaço, Steven Spielberg e Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Robert Zemeckis com Contato, e os mais recentes Gravidade, de Alfonso Cuarón, e Interestelar, de Christopher Nolan. A questão vai além da presença de seres alienígenas. São filmes que se lançam pelo espaço sideral, que observam o Cosmos, que achatam, ampliam e invadem a fenda temporal para, no fundo, voltar-se primordialmente para o ser humano.




Trailer

Ficha Técnica

Título: A Chegada/Arrival
Direção: Denis Vilenneuve
Duração: 116 minutos

País de Produção/Ano: EUA/Canadá, 2016
Elenco: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker, Michael Stuhlbarg, Mark O Brien, Tzi Ma
Distribuição: Sony Pictures

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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