segunda, 18 de janeiro de 2021

O Céu da Meia-Noite


O Céu da Meia-Noite
Assista Agora!
Netflix

George Clooney (Os Descendentes) está ausente da telona desde 2016, quando produziu e protagonizou o ótimo Jogo do Dinheiro, dirigido por Jodie Foster. Na ficção científica O Céu da Meia-Noite, ele torna a missão tripla ao assumir também a batuta. Seu sétimo longa-metragem na direção estreou na última semana deste estranho 2020 e foi direto para o Top 10 da Netflix. Filmada antes da pandemia global, a produção estabelece curiosos e incômodos paralelos ao status atual do nosso planeta, com sua narrativa situada na fronteira imprecisa entre a distopia e a utopia.

A adaptação do romance de Lily Brooks-Dalton, Good Morning, Midnight (Bom dia, Meia-Noite) foi escrita por Mark L. Smith, roteirista do premiado O Regresso, do cineasta mexicano Alejandro G. Iñárritu. No ano de 2049, o envelhecido cientista Augustine Lofthouse (Clooney) prefere continuar isolado e solitário no observatório do Polo Ártico a juntar-se aos colegas na evacuação da base. Augustine, assim como a Terra, sofre de um mal terminal. Mas ele não contava com a indesejada companhia de uma garotinha perdida, que ainda por cima não fala. Ela revela seu nome por um desenho: Iris (a estreante Caoilinn Springall).

Na juventude (Ethan Peck, ator que teve a voz mixada por computador para emular a de Clooney), o cientista dedicou-se obsessivamente a pesquisar regiões no espaço sideral que pudessem acolher a vida humana. Descobriu que uma lua de Júpiter, K-23, seria um destino possível. Agora, com suas últimas forças, Augustine tenta contactar a tripulação da nave Éter, exploratória de K-23 e ignorante da catástrofe que dizimou a Terra, para pedir que os tripulantes deem meia volta e reiniciem a humanidade num novo berço.

Para isso, ele e Iris precisam atravessar o gélido Ártico, sob tempestades de neve incessantes, até um outro observatório, com antenas mais possantes. As acidentadas travessias de Augustine e Iris, na Terra, e da nave Éter, de volta para casa, se alternam. O comandante Adewole (David Oyelowo, Selma: Uma Luta pela Igualdade) e sua esposa Sully (Felicity Jones, Suprema) esperam seu primeiro bebê, fato que tanto alegra quanto comove os outros tripulantes da nave, o piloto Mitchell (Kyle Chandler, Manchester à Beira-Mar), Sanchez (Demian Bichir, O Grito) e Maya (Tiffany Boone, série Hunters). Confrontada com as notícias do cientista, a tripulação se divide quanto à escolha que lhe cabe. Mas Augustine ganha uma razão para, finalmente, descansar em paz.

É essa razão que conecta e dá um sentido maior às jornadas de Augustine, Iris e da nave Éter. Em O Céu da Meia-Noite, o experiente George Clooney não está interessado em explicar o que destruiu a Terra, na comprovação astronômica da sua proposta, e muito menos em um certo realismo que costuma se esperar do gênero. Ele prefere incorporar na sua encenação recentes referências explícitas, como O Regresso, Blade Runner 2049 e o premiado Gravidade, dirigido pelo também mexicano Alfonso Cuarón, no qual atuou ao lado de Sandra Bullock. Ou implícitas, como Interestelar, Ad Astra, A Estrada e até Filhos da Esperança. É como se (re)afirmasse, emblemático, uma tradição ficcional na qual o planeta e a nossa espécie, no presente ou no futuro, estão em risco.

Clooney afirmou que sua maior dificuldade foi dominar a linguagem da realidade virtual e dos efeitos especiais, aprendizado que chamou de cansativo. E ainda que não buscasse originalidade, mas funcionalidade, criou sequências belíssimas de Éter, da viagem espacial, da paradisíaca K-23, e mesmo da imensidão gelada da Islândia, onde filmou as cenas externas do Ártico - em parceria com o diretor de fotografia alemão Martin Ruhe (Um Homem Misterioso), o compositor francês Alexandre Desplat (A Forma da Água) e seu elenco de ilustres coadjuvantes. Mas, antes de tudo, Clooney nos convida a acompanhar seu Augustine não tanto em seu evidente conformismo científico com a destruição do planeta e da humanidade, mas em sua discreta e determinada esperança.




Trailer

Ficha Técnica

Título: O Céu da Meia-Noite/The Midnight Sky
Direção: George Clooney
Duração: 118 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2020
Elenco: George Clooney, Felicity Jones, David Oyelowo, Caoilinn Springall, Kyle Chandler, Demián Bichir, Tiffany Boone, Sophie Rundle, Ethan Peck
Distribuição: Netflix

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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