segunda, 12 de abril de 2021

O Gambito da Rainha


O Gambito da Rainha
Assista Agora!
Netflix

O Gambito da Rainha é um duplo fenômeno. De audiência, porque se tornou a minissérie original de ficção mais vista da história da Netflix. Nos primeiros 28 dias no ar, foi assistida por mais de 62 milhões de pessoas em todo o mundo, além de ter chegado ao Top 10 de 92 países, o Brasil entre eles. E fenômeno comportamental, porque despertou no grande público o interesse pelo xadrez. Reportagem do Estadão revelou que as buscas no Google por “jogos de xadrez” subiram 41%, e o site eBay apontou aumento de 273% na procura por tabuleiros.

Criada e dirigida por Scott Frank (indicado ao Oscar pelo roteiro de Logan), O Gambito da Rainha é uma adaptação do romance homônimo de Walter Tevis (1928-1984), autor também de A Cor do Dinheiro e Desafio à Corrupção, cujas versões para o cinema foram estreladas por Paul Newman. Situados entre as décadas de 1950 e 1960, os sete episódios seguem a jornada de Beth Harmon, de garota prodígio do Kentucky a campeã de xadrez. Os percalços começam na infância, com a morte trágica da mãe e o abandono do pai.

É no orfanato, aos 9 anos, onde ela aprende a jogar, com um zelador bonachão e de bom coração, vivido pelo excelente Bill Camp. É ali também onde Beth tem o primeiro contato com os calmantes que a fazem “viajar” e enxergar as peças se movimentarem sinuosamente no tabuleiro que toma forma no teto de seu quarto. O vício nas “pílulas verdes” e em álcool embala a protagonista na ascensão relâmpago como enxadrista.

Às tantas, Beth é adotada por um casal pra lá de problemático, e aqui é preciso ressaltar a primorosa atuação de Marielle Heller (diretora de Um Lindo Dia na Vizinhança), que entra na onda empoderada da “filha” para se reinventar como mulher. A vida amorosa da protagonista também segue aos solavancos, já que sua incômoda presença no universo exclusivamente masculino – e machista - do xadrez não facilita suas conquistas.

A narrativa de O Gambito da Rainha não foge ao convencional. Há um certo recato no retrato do comportamento errático de Beth, nas parcas cenas românticas e até nas mensagens feministas. Mas a opção de não chocar, não provocar e não postular tem efeito positivo: dá leveza à história e joga o foco no fascinante e complexo mundo do xadrez. Mesmo quem não conhece as regras assiste quase que hipnotizado ao ora frenético, ora cadenciado movimento dos seis tipos de peças: Peão, Torre, Cavalo, Bispo, Rainha e Rei. Não só o elenco aprendeu a jogar, como um dos consultores da série foi o lendário enxadrista russo Garry Kasparov, Grande Mestre e ex-campeão mundial.

A tradicional supremacia russa no esporte ajuda a moldar o pano de fundo da Guerra Fria, que contextualiza a trama naqueles meados do século 20. E claro que as vitórias de Beth sobre oponentes soviéticos são um tempero saboroso para o público norte-americano. O requinte da produção é notável. Dos figurinos a cenários luxuosos, tudo salta aos olhos. Mas O Gambito da Rainha não seria o sucesso que é sem essa joia chamada Anya Taylor-Joy, que dá vida a Beth Harmon. Desde que estreou em A Bruxa (2015), a atriz tem dado passos firmes em produções como Fragmentado, Vidro e Emma. Seu talento é tão enorme quanto seus olhos. Anya é a verdadeira Rainha desse tabuleiro.




Trailer

Ficha Técnica

Título: O Gambito da Rainha/The Queens Gambit
Direção: Scott Frank
Duração: 60 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2020
Elenco: Anya Taylor-Joy, Chloe Pirrie, Bill Camp, Marielle Heller, Marcin Dorocinski, Thomas Brodie-Sangster, Moses Ingran, Isla Johnson, Harry Melling
Distribuição: Netflix

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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