quinta, 26 de novembro de 2020

Rosa e Momo


Rosa e Momo
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Netflix

Rosa e Momo tem tudo para virar um evento cinematográfico. A produção da Netflix estreou forte e já há burburinhos de uma possível indicação ao Oscar para Sophia Loren, uma das maiores estrelas do cinema italiano. A última aparição na telona foi há uma década, no musical Nine, de Rob Marshall, em que sua personagem era chamada de Mamma. Pois é na pele de outra matriarca que ela volta à cena, aos 86 anos e sob a batuta do filho, Edoardo Ponti.

Na terceira parceria com o rebento cineasta, Sophia dá vida à Madame Rosa, nascida nas páginas do romance escrito pelo francês Romain Gary em 1975, e adaptado para o cinema pela primeira vez dois anos depois, em Madame Rosa – A Vida à Sua Frente. Dirigida por Moshé Mizrahi e com Simone Signoret como protagonista, a produção deu à França o Oscar 1978 de melhor filme internacional. A versão italiana se passa em Bari, no sul da Itália, e Sophia fala napolitano.

Nessa cidade portuária às margens do Mediterrâneo, Madame Rosa é uma prostituta aposentada que cuida dos filhos de jovens colegas de profissão. Alguns foram abandonados, outros estão em sua casa temporariamente, e outro é Momo, um órfão senegalês de 12 anos. Delinquente, arredio e pequeno traficante de drogas, o garoto muçulmano é abrigado por Rosa mesmo depois de roubá-la - ela o aceita a pedido (e pagamento) de um amigo médico. Interpretado pela revelação Ibrahima Gueye, Momo é também o narrador dessa história sobre o encontro de dois serem sofridos. Ele perdeu a mãe tragicamente, ela tem as cicatrizes perenes do Holocausto.

Momo repara nos números tatuados no pulso de Rosa, mas a palavra Auschwitz não significa nada para o pequeno imigrante. Nessa família de sobreviventes há também a prostituta Lola, vivida pela atriz transexual Abril Zamora (série Vis a Vis). Rejeitada pela família, ela tenta uma reaproximação com o pai, que deseja conhecer o neto Babu, um dos abrigados por Rosa. Essa representatividade transporta a trama dos anos 70 para a atualidade, embora o cineasta Ponti o faça com sutileza e sem negar as influências do neorrealismo italiano.

Das rixas iniciais floresce a amizade entre Rosa e Momo. Ela não está bem de saúde. Às vezes tem lapsos e parece petrificada. Seu coração está cansado. Esses dois fazem um pacto e Momo fará de tudo para levá-lo até o fim. Comovente demais e a canção de Laura Pausini, “Io sì”, arranca lágrimas. Sophia Loren ganhou o Oscar em 1962 por Duas Mulheres, de Vittorio De Sica, e se tornou a primeira atriz a receber a estatueta por um filme em língua estrangeira. O segundo foi o Oscar honorário de 1991. Se emplacar uma vitória em 2021, a diva italiana fará história novamente ao bater o recorde de Jessica Tandy, que tinha 80 anos quando foi premiada melhor atriz por Conduzindo Miss Daisy, em 1990.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Rosa e Momo/La vita davanti a sé
Direção: Edoardo Ponti
Duração: 94 minutos

País de Produção/Ano: Itália, 2020
Elenco: Sophia Loren, Ibrahima Gueye, Renato Carpentieri, Babak Karimi, Abril Zamora
Distribuição: Netflix

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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