quinta, 26 de novembro de 2020

Tenet


Tenet
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O inglês Christopher Nolan deve ter brincado muito de faz de conta na infância, porque é impressionante sua capacidade de criar histórias originais e mirabolantes. Ele tinha 7 anos quando rodou seu primeiro filme caseiro com a Super 8 de seu pai, e estudava Literatura Inglesa quando aprendeu a manejar a câmera 16 mm. Com ela se aprimorou nas técnicas de guerrilha, as mesmas adotadas para realizar seu primeiro longa, Seguinte (1988), com apenas US$ 6 mil. O que mudou de lá pra cá, na verdade, são os muitos zeros a mais no orçamento e o aparato técnico a seu dispor. Nolan é hoje uma criança grande, que fez ótimo uso dos recursos que agigantaram suas brincadeiras cinematográficas e as colocaram no olimpo dos blockbusters.

É com esse espírito lúdico que o espectador deve se entregar às peripécias do artista indicado ao Oscar pelos roteiros de Amnésia (2000) e A Origem (2010), e pela direção de Dunkirk (2017) – os dois últimos nomeados também a melhor filme. O tempo, a máquina que não para, é a matéria-prima essencial desse moleque travesso da sétima arte. E se Nolan não pode moldá-lo a seu bel-prazer na vida real, na ficção ele o faz sem nenhuma cerimônia. Em Tenet, somem o lirismo de Interestelar (2014) e a humanidade pulsante de Dunkirk. Há uma frieza emocional na trama de espionagem que entorta o tempo pela teoria da “entropia invertida”.

O enredo explica inúmeras e repetitivas vezes que o material que tem sua entropia invertida “anda para trás”. Exemplo: a bala volta para dentro da arma. E o que acontece quando uma máquina funde a temporalidade? Pessoas e objetos se movimentam em assimetria – uns para frente, outros para trás – em dois fluxos temporais simultâneos. Ao burlar as leis da física, Nolan gera um caos que toma forma em sequências espetaculares. A parafernália teórica e visual ampara como pode um roteiro chinfrim sobre a ameaça da Terceira Guerra Mundial. O elenco estelar também colabora, e muito.

John David Washington (astro de Infiltrado na Klan e filho de Denzel Washington) vive o agente conhecido apenas como Protagonista. Ele se une ao sujeito misterioso e polivalente interpretado por Robert Pattinson (O Diabo de Cada Dia), com a missão de salvar o mundo. Kenneth Branagh (Assassinato no Expresso do Oriente) é o vilão que tem domínio da fenda temporal e sua esposa, Elizabeth Debicki (Tudo Pela Arte), faz o elo entre o bem e o mal. É maniqueísta nesse tanto. Engrossam o time Aaron Taylor-Johnson (Legítimo Rei), Clémence Poésy (Uma Família de Dois) e o habitual colaborador de Nolan, Michael Caine (o mordomo Alfred na trilogia de O Cavaleiro das Trevas).  

Nolan utilizou uma mistura de IMAX® e 70mm para seu cinema espetáculo, com locações nos Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Dinamarca, Noruega, Estônia e Índia. Tenet é enorme na forma e ralo no conteúdo. A dica é entrar na brincadeira, desencanar de entender tudo e, por 2h30, se deixar levar pela experiência imersiva que só a sala escura do cinema e a tela grande são capazes de proporcionar. Já valeu.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Tenet
Direção: Christopher Nolan
Duração: 150 minutos

País de Produção/Ano: Reino Unido/EUA, 2020
Elenco: John David Washington, Robert Pattinson, Elizabeth Debicki, Kenneth Branagh, Martin Donovan, Michael Caine, Clémence Poésy, Dimple Kapadia, Aaron Taylor-Johnson
Distribuição: Warner Bros.

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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