quarta, 02 de dezembro de 2020

Dolittle


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No cinema, há uma máxima: roteiros escritos a muitas mãos levantam suspeitas. O roteiro de Dolittle foi escrito a oito mãos, capitaneado pelo também diretor Stephen Gaghan, vencedor do Oscar de roteiro por Syriana - A Indústria do Petróleo. Mas escrever para crianças é outra história, e Gagham e seus colegas confirmam a máxima, com um roteiro frouxo, perdido entre a fantasia o delírio, com pouca vocação para o humor.

É triste, na verdade, porque desde o lançamento do primeiro livro do personagem, A história do doutor Dolittle, do inglês Hugh Lofting, em 1920, o médico capaz de se comunicar melhor com os animais do que com a sua própria espécie tem seduzido a imaginação da criançada por gerações, inclusive no cinema. Duas das adaptações mais populares foram o musical de 1967, estrelado por Rex Harrison, e a atualização farsesca de Eddie Murphy (Meu Nome é Dolemite), de 1998, que ganhou até uma continuação em 2001. 

Na era digital, a aposta em reviver Dolittle parecia acertada, principalmente com o “Homem de Ferro” Robert Downey Jr. no papel principal e na produção executiva, com sua Team Downey Productions. Uma combinação matadora, capaz de trazer para o projeto um time de dubladores (dos simpáticos animais) do porte de Emma Thompson (Uma Segunda Chance Para Amar), Rami Malek (Bohemian Rhapsody), Octavia Spencer (Ma), Ralph Fiennes (Segredos Oficiais) e, claro, Tom Holland (Homem-Aranha: Longe de Casa).

Recluso em sua mansão-zoológico após a morte da esposa e companheira de exploração, Dolittle é coagido por seus amigos animais a sair de casa em busca de um elixir mágico para salvar a vida da Rainha Vitória – e de quebra seu lar, já que a monarca é sua apoiadora. Ele precisa percorrer o vasto oceano atrás da Árvore do Éden. Além dos animais, a tripulação inclui o novato assistente Stubbins (o simpático Harry Collett). E no caminho estão os vilões: Dr. Blair Müdfly (Michael Sheen, Meia-Noite em Paris) e Rei Rassouli (Antonio Banderas, Dor e Glória).

Ambientado no século 19, época original dos livros, Dolittle peca pelo infeliz roteiro, pelo exagero e humor de mau gosto. Da interpretação de Downey Jr., com sotaque sofrível e maneirismos afetados, incluindo aí as várias “línguas” animais que ele fala, à megalomania dos cenários e efeitos especiais. É tudo over. Médico e veterinário, Dolittle prefere ser mesmo é zooterapeuta e discutir a insegurança de seu gorila ou a baixa autoestima de um temível tigre. Isso sem falar na agressividade da fêmea-dragão que protege a almejada Árvore do Éden, e sua peculiar constipação. Aliás, como Dolittle e sua trupe chegaram até lá, é um mistério. Um desperdício de tempo e talento.     




Trailer

Ficha Técnica

Título: Dolittle
Direção: Stephen Gaghan
Duração: 101 minutos

País de Produção/Ano: Reino Unido/EUA/China, 2020
Elenco: Robert Downey Jr., Harry Collett, Emma Thompson, Antonio Banderas, Michael Sheen, Jim Broadbent, Rami Malek
Distribuição: Universal Pictures

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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