domingo, 11 de abril de 2021

Adoniran, Meu Nome é João Rubinato


Adoniran, Meu Nome é João Rubinato
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Não teria hora melhor para lembrar de Adoniran Barbosa, o sambista dedicado, de vida e de coração, a cantar sobre os excluídos das malocas, paulistanos ou não, como prova a universalidade e a popularidade de seus sambas. Aliás, ele mesmo, no filme, deixa claro que nunca acreditou em samba paulista ou carioca: “É tudo samba”. Mesmo assim, foi com suas canções sobre São Paulo que ele ganhou um pedacinho do coração de cada brasileiro, que cantarola de cor “Trem das Onze”, “Saudosa Maloca” e “Tiro ao Álvaro”, do Oiapoque ao Chuí.

É assim, logo no título, Adoniran, Meu Nome é João Rubinato, que o diretor Pedro Serrano avisa que vai abordar a persona artística, muitas vezes folclórica, do saudoso Adoniran Barbosa (1910-1982), e a surpreendente história de João Rubinato. Esse último é o paulistano filho de imigrantes italianos, trabalhadores de café em Valinhos, no interior de São Paulo, compositor, cantor e ator de rádio, de filmes como O Cangaceiro (1953) e Candinho (1954), com Mazzaropi, além de novelas, como Mulheres de Areia (1973).

Acertadamente, o documentário adota um formato tradicional ao encadear registros de canções populares e menos consagradas, imagens de arquivos com entrevistas do sambista, de familiares, amigos e parceiros. Serrano e sua equipe, no entanto, adicionam à já extraordinária seleção do acervo de memórias e depoimentos, imagens da São Paulo, ora históricas, ora testemunhas tristes da aguda crítica do artista à desigualdade e desumanidade da cidade, espelhadas em suas letras. Como Adoniran, o palhaço triste do famoso retrato de Elifas Andreato, “vetado” para a capa do disco comemorativo dos 70 anos do sambista, o filme tem pelo menos duas faces.

Há saborosas histórias sobre a malemolência malandra de João e as controvérsias sobre a origem das letras, além da ironia e do humor que tanto o artista como a sua obra alimentaram, destacadas por familiares, como o (gaiato) sobrinho Sérgio, e a filha Maria Helena, os Demônios da Garoa, parceiros de décadas, os músicos Carlinhos Vergueiro e Eduardo Gudin. Além de preciosidades como o depoimento do “Arnesto” em carne e osso, que jura nunca ter convidado Adoniran e seus amigos para um samba, e trechos do cantor Riccardo del Turco cantando a versão italiana de “Trem das Onze”.

Mas há também a melancolia do talento não reconhecido e da dura realidade retratada nas letras de seus sambas. Pelão, o produtor musical que deu novo fôlego à carreira de Adoniran já maduro, ao convidá-lo a gravar seus próprios sambas e fazer turnê com os discos, emociona com sua reverência e admiração ao artista. É Elis Regina quem diz que não se deve rir de Adoniran, no máximo sorrir. O sambista do “tem que saber falar errado”, que cantou sobre a fome e os “doutô”, no fundo era triste. Ou disse ser. Com Adoniran, nunca se sabe.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Adoniran, Meu Nome é João Rubinato
Direção: Pedro Serrano
Duração: 92 minutos

País de Produção/Ano: Brasil, 2018
Elenco:
Distribuição: Pandora Filmes

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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