segunda, 26 de outubro de 2020

Adoráveis Mulheres


Adoráveis Mulheres
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Há 25 anos, estreava nos cinemas a adaptação de Gillian Armstrong do clássico romance de Louisa May Alcott, Mulherzinhas, revisitado neste ano com os tons dos novos tempos por Greta Gerwig em versão tamb;em intitulada Adoráveis Mulhere. Para Gilliam, diretora australiana que ajudou a lançar a carreira internacional de Mel Gibson (Mrs. Soffel) e Cate Blanchett (Charlotte Gray, uma Paixão Sem Fronteiras), Adoráveis Mulheres foi seu trabalho de maior destaque em Hollywood. Conquistou três indicações ao Oscar - melhor atriz (Winona Ryder, da série Stranger Things), figurino e direção -, além do afeto unânime da crítica.

É no mínimo curioso revisitar essa versão dos anos 1990, que não perdeu o vigor do romance publicado em 1868, eternizado pelo quilate literário e pelo apurado comentário social da época. Jo March (Winona) será sempre um símbolo de inquietação e emancipação feminina. Um dos acertos é justamente o roteiro de Robin Swicord, que escreveu e dirigiu o saboroso O Clube de Leitura de Jane Austen e criou o argumento de O Curioso Caso de Benjamin Button, baseado num conto do escritor F. Scott Fitzgerald. Talvez por isso este Adoráveis Mulheres soe mais literário.

Como no livro, em tempo linear, a trama conta a história das March: a caridosa matriarca Marmee (Susan Sarandon), a zelosa e popular Meg, a rebelde e atrapalhada Jo, a sensível e caseira Beth (estreia no cinema de Claire Danes) e a ambiciosa Amy (Kirsten Durst). Os apuros para sobreviver, com o pai lutando na Guerra da Secessão, são amenizados pelas peças que Jo escreve e o quarteto encena, e pela amizade do vizinho rico Laurie (Christian Bale, Vice).

Ironicamente, é o pedido de casamento de Laurie, e a recusa de Jo, que põe fim à idílica juventude das irmãs. O casamento era a única saída para mulheres de família humilde e a vida adulta não será tão generosa com elas. Mas segue, marcada pela nostalgia e por uma certa melancolia que dão o tom desta adaptação, enfatizadas pela atuação e pelo rigor artístico da produção, com detalhes encantadores. O interior rústico, mas aconchegante, do lar dos March, por exemplo, reproduz a casa da escritora preservada como museu, em Concord, na Filadélfia. A luz de velas é a única fonte de iluminação da fotografia nas cenas no interior da casa, como o era no tempo de Jo, o que dá uma textura especial ao filme. Alguns figurinos são usados sucessivamente pelas irmãs, para ressaltar a simplicidade da família.

Certamente, não é a altivez ou o inconformismo das March que se impõe nas Adoráveis Mulheres de Gilliam e sua roteirista Robin, mas antes a tenacidade para enfrentar as limitações injustas, da pobreza, da guerra, do lugar servil das mulheres no mundo dos homens. Um quarto de século depois, Greta Gerwig, a quinta mulher a ser indicada a melhor direção na história quase centenária do Oscar, por Lady Bird - A Hora de Voar (2017, deu à sua versão das irmãs March uma espirituosidade impetuosa, e ao filme uma abordagem narrativa moderna, criativa. Sinal de outros e melhores tempos.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Adoráveis Mulheres/Little Women
Direção: Gillian Armstrong
Duração: 115 minutos

País de Produção/Ano: EUA/Canadá, 1994
Elenco: Winona Ryder, Trini Alvarado, Kirsten Dunst, Samantha Mathis, Claire Danes, Christian Bale, Gabriel Byrne, Eric Stoltz, Florence Paterson, Mary Wickes, Susan Sarandon
Distribuição: Columbia Pictures

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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