sábado, 27 de fevereiro de 2021

Adoráveis Mulheres


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Jo March quer mais da vida do que casar e ter filhos. Lady Bird também quer mais do que viver na pacata Sacramento. Jo está determinada a ser reconhecida como escritora, Lady Bird planeja morar em Nova York. Com essas duas mulheres inconformadas com um destino pré-concebido, e interpretadas com brilhantismo por Saoirse Ronan, ergue-se o universo cinematográfico da diretora e roteirista Greta Gerwig. Ela é também uma mulher inquieta. Não se contentou em ser a musa, coautora e estrela dos filmes de seu marido, Noah Baumbach – em Frances Ha e Mistress America. Em 2017, Greta entrou para o seleto time de cineastas mulheres em um universo ainda predominantemente masculino. Um passo de cada vez, mas sempre adiante. Ela já foi longe na estreia, Lady Bird – A Hora de Voar, indicada a cinco Oscar. Adoráveis Mulheres concorreu em seis categorias, inclusive melhor filme e atriz, e levou a estatueta de melhor figurino.   

É a sexta adaptação para o cinema do romance Mulherzinhas (Little Women no original), que Louisa May Alcott escreveu em 1868, inspirada na própria vida. Katharine Hepburn foi Jo em As Quatro Irmãs (1933), June Allyson em Quatro Destinos (1949) e Winona Ryder em Adoráveis Mulheres (1994). A versão escrita e dirigida por Greta Gerwig chega em tempos de empoderamento, de #metoo e de heroínas dos quadrinhos tomando a frente no discurso feminista em Mulher-Maravilha, Capitã Marvel, Aves de Rapina e, logo mais, Viúva Negra. Esse entorno potencializa as palavras de Jo: “Cansei de ouvir que à mulher, cabe apenas o amor”. As adoráveis mulheres queriam mais no século 19, a mulher moderna quer mais no século 21. 

A narrativa corre entre dois tempos. No presente, com Jo dividida entre a carreira literária em Nova York e os cuidados com uma irmã doente em casa, na Filadéflia. No passado, no período em que Theodore “Laurie” Laurence (Timothée Chalamet, de Um Dia de Chuva em Nova York) entra em sua vida. Milionário e bon-vivant, Laurie se enamora de Jo, mas se deixa maravilhar por cada uma das mulheres da família March, que estão por conta própria enquanto o patriarca luta na Guerra Civil. Da mãe, a altruísta Marmee (Laura Dern, História de um Casamento), passando pela frágil Beth (Eliza Scanlen, da série Objetos Cortantes), a romântica Meg (Emma Watson, A Bela e a Fera), até a ambiciosa Amy (Florence Pugh, de Midsommar) – que ama Laurie em segredo.  

Pelo jeito a diretora está formando uma patota. Do elenco de Lady Bird, além de Saoirse e Chalamet, ela repete a colaboração com Tracy Letts – o pai de Lady Bird e aqui o editor que abre espaço para os escritos de Jo. Novos na turma, o astro francês Louis Garrel faz o professor com quem a protagonista se envolve em Nova York, e Meryl Streep está divertidíssima como a tia rica e solteira que tem os dois pés no chão quanto ao papel da mulher na sociedade norte-americana do século 19. Ela deixa claro às irmãs March: ou você é rica e dá as cartas da própria vida, ou, não se iluda, precisa casar bem. Adoráveis Mulheres faz uma abordagem sem firulas dessa realidade, e Greta Gerwig tem em cada uma das suas protagonistas uma resposta diferente para a questão “O que é ser mulher?”. A pergunta vale para qualquer tempo e espaço, mas essa versão do clássico romance tem algo exclusivo do novo milênio. Pode ser sutil, mas as mulheres dessa formação da família March têm a cabeça mais erguida que as anteriores.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Adoráveis Mulheres/Little Woman
Direção: Greta Gerwig
Duração: 135 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2019
Elenco: Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh, Laura Dern, Timothée Chalamet, Eliza Scanlen, Tracy Letts, Meryl Streep
Distribuição: Sony Pictures

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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