quarta, 25 de novembro de 2020

Deus é Mulher e seu Nome é Petúnia


Deus é Mulher e seu Nome é Petúnia
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Petúnia (Zorica Nusheva) é uma mulher de 32 anos, filha única, formada em história, especialmente interessada na Revolução Chinesa, que nunca trabalhou senão como garçonete, mora na casa dos pais, tem poucos amigos e nenhum namorado. O que ela de fato tem é uma mãe opressora, um pai ausente e nenhuma expectativa de futuro – as constantes críticas da mãe a respeito de sua beleza, seu peso e desemprego não ajudam. Na manhã daquele dia que não tinha nada para ser especial, Petúnia quase perde a hora para uma entrevista de trabalho arranjada pela mãe.

Era um emprego de secretária numa fábrica de costura. Mas o gerente recusa Petúnia com alegações preconceituosas e machistas. Humilhada, perdida, ela acaba ficando presa na tradicional procissão da sua pequena Stip, cidade do interior da Macedônia do Norte (antiga Iugoslávia e Macedônia). O ritual da igreja ortodoxa local para a Epifania do Senhor, comemoração do dia do batismo de Jesus celebrada em janeiro, consiste em nadar em busca da cruz que o padre joga do alto da ponte. Quem primeiro pegar a cruz, será abençoado com boa sorte e prosperidade, mas só os homens podem participar do ritual. Até que Petúnia se joga nas águas gélidas e pega a cruz, sob as atentas lentes dos celulares.

Primeiro quem lhe toma a cruz são os perdedores. Depois é sua mãe quem a crucifica, até que a polícia a leva para a delegacia. Sob que pretexto mesmo? Algo como apropriação indébita de um objeto destinado pela Igreja apenas aos homens. Interrogada pelos policiais, ouvida pelo procurador, visitada pelo padre, quase vítima de linchamento, Petúnia resiste, cada vez mais convicta de seus direitos, mesmo que nada disso tenha sido premeditado. Aparentemente, seus únicos aliados são um policial assistente mais progressista e uma repórter (Labina Mitevska, irmã da diretora e produtora do filme) dividida entre a solidariedade, a relevância história da situação e o sensacionalismo que ela pode gerar.

Teona Strugar Mitevska é habituée do Festival de Berlim, onde exibiu vários de seus curtas e longas, mas com Deus é Mulher e Seu Nome é Petúnia ela finalmente estreou na competição oficial e levou o Prêmio Ecumênico do Júri. Também corroteirista, a diretora nunca perde de vista a ironia, às vezes até o absurdo. Através da ousadia de Petúnia, ela faz uma crítica severa à tradição e às instituições conservadoras de seu país, mas não conclui o filme à altura. Sua Petúnia, afinal, não é tão impetuosa assim. Mas já andou uns bons passos na direção da emancipação.  




Trailer

Ficha Técnica

Título: Deus é Mulher e seu Nome é Petúnia/Gospod Postoi, Imeto I e Petrunija
Direção: Teona Strugar Mitevska
Duração: 100 minutos

País de Produção/Ano: Macedônia/Bélgica,/Croácia/Eslovênia/França, 2019
Elenco: Zorica Nusheva, Labina Mitevska, Stefan Vujisic, Suad Begovski
Distribuição: Pandora Filmes

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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