sexta, 27 de novembro de 2020

E Então Nós Dançamos


E Então Nós Dançamos
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O balé como alegoria da força da arte na luta pela autonomia e independência contra arbitrariedades, preconceitos, injustiças sociais é um tema milenar da história da cultura e que integra a cinematografia mundial há décadas. Produções como Flashdance (1983), Footlose (1984), Billy Elliot (2000), Vem Dançar (2006) e O Bailarino do Deserto (2015) comungam dessa seara e, justamente por isso, abriram um canal privilegiado de empatia com o público.

E Então Nós Dançamos é, pode-se assim dizer, um filme-dança manifesto do diretor Levan Akin. Foi exibido em Cannes, ganhou inúmeros prêmios no circuito de festivais LGBT e tentou colocar a Suécia no Oscar 2020, mas não entrou na lista de finalistas. Embora a atração proibida entre dois bailarinos ocupe lugar central na trama, o roteiro e a direção transformam a história de Merab e Irakli na história de uma família, de uma tradição, de um país, de um tempo.

Desde criança, Merab (Levan Gelbakhiani) estuda dança com o propósito de integrar O Balé Nacional da Geórgia, uma tradição não só da sua família como de seu país. Sua parceira desde os 10 anos é Mary (Ana Javakishvili), que se considera também sua namorada. Mas quando Irakli (Bachi Valishvili) entra para o grupo, irreverente, talentoso e seguro de si, traz com ele desafios, delícias e dissabores que vão desequilibrar o já tumultuado cotidiano de Merab.  

Esse é o fio condutor que o diretor explora em todas as nuances, com uma câmera intimista que nos apresenta os arredores da pequena cidade de Tbilisi, as relações familiares, os bastidores da companhia de dança quase sempre do ponto de vista de um personagem, e, ainda assim, com uma universalidade surpreendente. É o primeiro filme de Akin na Geórgia, com elenco e produção local, numa língua que ele não domina, rodado às ocultas depois que o Ballet Nacional se recusou a participar, alegando principalmente que não há homossexualismo na dança do país.

Símbolo nacional, que o cineasta compara ao karatê para a cultura japonesa, a conservadora dança georgiana oficial confere identidade a um país ainda às voltas com a sua reconstrução pós-União Soviética, em que o turismo crescente oculta uma realidade social que não fica bem nas fotos. Para rodar E Então Nós Dançamos, Akin fez um extenso trabalho de pesquisa e baseou-se em casos reais. Talvez por isso seu filme flua com naturalidade e seus personagens cativem logo nas primeiras sequências, com destaque para Merab, seu caos particular e sua dança-solo final, desde já, memorável.




Trailer

Ficha Técnica

Título: E Então Nós Dançamos/And Then We Danced
Direção: Levan Akin
Duração: 106 minutos

País de Produção/Ano: Suécia/França/Geórgia, 2019
Elenco: Levan Gelbakhiani, Ana Javakishvili, Bachi Valishvili, Kakha Gogidze, Marika Gogichaishvili
Distribuição: Zeta Filmes

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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