domingo, 29 de novembro de 2020

Doutor Sono


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Stephen King não aprovou a adaptação que Stanley Kubrick realizou de seu romance O Iluminado. A produção de 1980 figura nas listas dos maiores clássicos de terror da história do cinema. Stephen King foi só elogios para a versão de Mike Flanagan para Doutor Sono, a continuação publicada em 2013. Os leitores do mestre do suspense têm dito que Doutor Sono está entre as melhores adaptações de uma obra de King, que o filme corrige o que o escritor não gostou na visão de Kubrick. Pode até ser, mas, alto lá, fidelidade ao livro não significa qualidade cinematográfica. Como ninguém é dono da verdade, a dica é ver o original (disponível em streaming) e então conferir o novo filme para tirar as próprias conclusões sobre a opinião do escritor.

Stanley Kubrick provocou o terror na sutileza, na sugestão, naquilo que não se vê. O Iluminado é terror psicológico, em que forças humanas e sobrenaturais se digladiam no limite entre o real e o imaginário. O medo, para Kubrick, estava no suspense. Assim ele contou a história de Jack Torrance (Jack Nicholson), escritor alcoólatra que se isola com mulher e filho num resort fechado para o inverno, do qual será o zelador. Danny, o garotinho, é um iluminado – um médium com poderes telepáticos. E o Hotel Overlook é habitado por espíritos traiçoeiros. Frigir dos ovos: Jack sofre um surto psicótico e aterroriza a família, que escapa, mas não sem antes deixar o espectador com falta de ar.

Doutor Sono retoma a história com foco em Danny, agora quarentão e na pele de Ewan McGregor. Ainda traumatizado, com a vida desregrada e beberrão como o pai, Danny muda-se para uma cidade pequena decidido a se endireitar. Usa seu “brilho” para confortar pacientes terminais e ajudá-los na hora da morte – daí o apelido doutor sono. Até que estabelece contato mental com Abra (Kylieg Curran), uma adolescente que tem poderes ainda maiores que os seus. É ela quem lhe conta sobre a seita macabra liderada por Rose Cartola (Rebecca Ferguson, de Missão: Impossível – Efeito Fallout). O bando descobriu a fonte da juventude ao sorver a aura de iluminados, um vapor que sai pela boca quando sentem medo e dor. Danny e Abra vão unir forças para interromper a onda de assassinatos.

O diretor e roteirista Mike Flanagan se ergueu no gênero, em filmes como O Espelho, Ouija: Origem do Mal e a elogiada série da Netflix A Maldição da Residência Hill. Flanagan é adepto do terror explícito, deslavado, e talvez mais popular que o suspense autoral de Kubrick. Só que adeus sutileza, olá mortes horrendas. Jacob Tremblay, o astro mirim de O Quarto de Jack, que Flanagan dirigiu em O Sono da Morte, interpreta Bradley, um iluminado capturado pelos sugadores de aura. O personagem é torturado e morto com requintes de crueldade, em uma sequência longa e repugnante. Bradley será o elo entre Danny, Abra e os "vampiros hippies".

O confronto final não poderia ser em outro lugar senão no Hotel Overlook, mas as razões de Danny para atrair Rose até lá são estapafúrdias, desculpa esfarrapada para a realização do clímax onde tudo começou. Flanagan honra o clássico de Kubrick em inúmeras referências, e o retorno ao Overlook é especialmente estimulante, com Danny finalmente enfrentando os fantasmas do passado. A recriação do hotel – agora decrépito – merece prêmios de direção de arte. Acontece que levar mais de duas horas para chegar até lá, com uma traminha de terror genérico, é um teste de resistência. Mas vale a pena? Sim.

Em tempo: Danny Lloyd, que fez o iluminado Danny no original e hoje é professor, aparece na torcida do jogo de beisebol. Fica de olho. 




Trailer

Ficha Técnica

Título: Doutor Sono/Doctor Sleep
Direção: Mike Flanagan
Duração: 151 minutos

País de Produção/Ano: Reino Unido/EUA, 2019
Elenco: Ewan McGregor, Rebecca Ferguson, Kyliegh Curran, Cliff Curtis, Carl Lumbly, Bruce Greenwood, Jacob Tremblay
Distribuição: Warner

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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