terça, 11 de maio de 2021

Parasita


Parasita
Assista Agora!
Looke Google Play NET NOW Vivo Play

Começou com a Palma de Ouro no Festival de Cannes e terminou na histórica cerimônia do Oscar 2019, onde Parasita tornou-se a primeira produção em língua não inglesa a ganhar o prêmio principal, de melhor filme. Bong Joon Ho (veja Lista) ainda levou para casa os Oscar de filme internacional, direção e roteiro original. Parasita é uma fábula sombria sobre a disparidade social na Coreia do Sul. Há humor na receita, verdade, mas é um riso nervoso, porque a relação entre patrões e empregados que ele examina aqui vale para qualquer tempo e espaço. O cinema brasileiro abordou a questão em três ótimos filmes recentes: Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, Casa Grande e Domingo, ambos de Fellipe Barbosa – e aguarde o ainda inédito Três Verões, de Sandra Kogut.

Joon Ho conduz a narrativa um tom acima do real, uma jogada que lhe dá liberdade para trabalhar arquétipos sem medo da caricatura. Há dois quartetos nesse tabuleiro, formados por pai, mãe e um casal de filhos. Os miseráveis Kim são verdadeiros ratos de porão. Sobrevivem em um muquifo calamitoso no subsolo da cidade e ganham uns trocados ao montar caixas de pizza para uma empresa de delivery. Já a família Park é o suprassumo da elite. A mansão no alto de uma ladeira é um primor arquitetônico de alta tecnologia. São gente do bem, vale dizer.

Os Kim aproveitam como podem a chance de se infiltrar na residência dos ricaços e garantir emprego para todo o clã sem, no entanto, revelar os laços de sangue entre eles. O diretor acompanha com um olhar divertido a rotina de patrões e empregados, que parasitam uns aos outros sem comedimento. Só míopes não percebem que essa é uma via de mão dupla. Joon Ho não faz julgamentos morais, mas leva esse arranjo a um radicalismo violento quando uma ex-governanta volta à residência dos Park para resolver um grave problema pessoal.

Há segredos obscuros e chocantes na trajetória dessa gente que se movimenta por duas casas que possuem vida própria. Repare na quantidade de escadas – é um sobe e desce danado entre o topo e a base da pirâmide social. O clímax beira o surreal e se há um senão em Parasita é o diretor não ter dado o ponto final no auge da tensão. Buscar algum tipo de redenção, nesse caso, faz arrefecer o ânimo do espectador e a potência do que se viu até ali. Ainda assim, é pertubador. 




Trailer

Ficha Técnica

Título: Parasita/Gisaengchung
Direção: Bong Joon-ho
Duração: 132 minutos

País de Produção/Ano: Coreia do Sul, 2019
Elenco: Song Kang Ho, Lee Sun Kyun, Cho Yeo Jeong, Choi Woo Shik, Park So Dam, Lee Jung
Distribuição: Pandora Filmes

Assista Agora!
Looke Google Play NET NOW Vivo Play

Compartilhe!

Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

Posts do Autor

Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

Comentar

* Informação requerida
1000
Iamgem do Captcha

Comentários (0)

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro!