sábado, 05 de dezembro de 2020

Branca Como a Neve


Branca Como a Neve
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O universo feminino tem sido a base do cinema de Anne Fontaine, que tece seus painéis com medidas equilibradas de ousadia e delicadeza. Assim foi, por exemplo, com Coco Antes de Chanel, cinebiografia da estilista francesa, Gemma Bovery – A Vida Imita a Arte, criativa celebração do clássico romance de Gustave Flaubert, e Agnus Dei, sobre escabroso episódio real da Segunda Guerra. São produções cuidadosas, de qualidade. Daí ser tão espantoso a diretora estar por trás dessa roupagem erótica e pueril do conto dos irmãos Grimm.

Anne disse em entrevista de divulgação que buscava um projeto mais leve depois dos sombrios Agnus Dei e Marvin – este último a história de um jovem ator gay vítima de homofobia. Isabelle Huppert participa como ela mesma no drama ambientado no mundo das artes, e em Branca Como a Neve veste a pele, adivinhe, da madrasta. Lou de Laâge, que faz a médica que atende as freiras grávidas de Agnus Dei, é a princesinha que, desta vez, de inocente não tem nada. As lentes do diretor de fotografia Yves Angelo criam duas deusas de irretocável beleza.

A doce Claire (Lou) trabalha no hotel de seu falecido pai, agora administrado por Maud (Isabelle), a madrasta que fica furiosa quando descobre que o namorado está de olho na enteada. O plano de matar a garota é sabotado pelo morador de um vilarejo. Ele a socorre e lhe dá abrigo em uma casarão no meio da floresta, local frequentado por vários amigos. Eis os sete anões, que são bem grandinhos, por sinal: dois irmãos gêmeos, um músico, um veterinário, um livreiro e seu filho atleta, e um padre! A narrativa divide-se em três capítulos: Claire, Maud e o reencontro das duas.

No refúgio campestre, a tímida Claire desabrocha e decide exercer sua sensualidade com alegria. Ela faz sexo com a maioria dos “anões”. O padre, que ouve bem-humorado as confissões da moça, à certa altura avisa que não é preciso parar por ali a cada aventura amorosa. Já a invejosa Maud descobre seu paradeiro e vai até lá dar cabo da concorrente – sim, tem maçã envenenada na jogada. Embora o humor dê o tom dessa versão picante, as protagonistas são caricatas e os homens, uns bobões movidos à testosterona. Branca Como a Neve tem uma trama inusitada, mas é raso nos sentimentos. Um passo em falso de Anne Fontaine.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Branca Como a Neve/Blanche Comme Neige
Direção: Anne Fontaine
Duração: 112 minutos

País de Produção/Ano: França/Bélgica, 2019
Elenco: Isabelle Huppert, Lou de Laâge, Charles Berling, Benoît Poelvoorde, Damien Bonnard, Vincent Macaigne
Distribuição: A2 Filmes

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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