domingo, 29 de novembro de 2020

Olhos que Condenam


Olhos que Condenam
Assista Agora!
Netflix

Foram 16 indicações ao Emmy. Jharrel Jerome foi consagrado melhor ator na categoria. Merecido. Minissérie em quatro episódios, Olhos que Condenam reencena com doloroso realismo o caso conhecido como The Central Park Five, um dos mais flagrantes e vergonhosos casos de erro jurídico do Estado de Nova York. Nos primeiros dias de exibição, foi vista por mais de 23 milhões de pessoas em todo o mundo. Nenhuma outra produção original da Netflix disputou tantos troféus na maior premiação da TV e do streaming quanto este drama comandado por Ava DuVernay. Em 2015, a engajada cineasta, produtora e roteirista colocara Selma: Uma Luta Pela Igualdade – também uma história real sobre racismo – entre os finalistas ao Oscar de melhor filme.  

No dia 19 de abril de 1989, enquanto um grupo de jovens negros e latinos do Harlem se reunia para jogar conversa fora num canto do Central Park, uma jovem de 28 anos era estuprada e abandonada quase morta em outro canto. A polícia que chegou para fazer circular os amigos não foi a mesma que esteve na cena do crime. Mas a equipe de investigadores da delegacia supervisionada pela promotora Linda Fairstein (Felicity Huffman, da série American Crime), não só manipulou as provas como também os cinco indefesos garotos, quatro negros e um latino, entre 14 e 16 anos, cujo único crime foi estar no lugar errado na hora errada.

Os Cinco do Central Park foram condenados, apesar da ausência de qualquer prova cabal, de cinco a quinze anos de prisão. Em 2002, no entanto, quando três deles já estavam soltos e tentando reconstruir suas vidas, o verdadeiro culpado confessou o crime e a justiça estadual exonerou os acusados de qualquer culpa. Foi só 12 anos depois, porém, que o Estado de Nova York, após processo judicial, indenizou-os pela perda da inocência e da juventude, para dizer o mínimo.

Ava teve como fonte primordial o relato de Kore Wise, Kevin Richardson, Antron McCray, Raymond Santana, Yusef Salaam, além de material de extensa pesquisa iconográfica. O roteiro segue basicamente a ordem cronológica dos fatos – investigação, julgamento, tempo na prisão, retomada da vida e retratação –, que ganharam uma envergadura dramática exemplar, com a ênfase de uma trilha sonora também inspirada.

Além de proporcionar uma certa redenção, se é que isso é possível, e homenagear os Cinco do Central Park, a diretora os transformou em ícones da desigualdade da sociedade norte-americana, da luta contra o racismo e por uma sociedade mais justa. E o fez com sua arte. Não é fácil assistir a Olhos que Condenam. Ava leva o espectador como um sexto inocente para dentro das salas, celas e solitárias. Às vezes, falta ar. Mas é necessário. Ela não poupa nem o atual presidente de seu país, e estampa imagens dele, à época do julgamento, advogando pela pena de morte.  

Em tempo: O sucesso da produção foi tal que a Netflix lançou, algumas semanas após a estreia, o emocionante documentário-entrevista Oprah Apresenta: Olhos que Condenam




Trailer

Ficha Técnica

Título: Olhos que Condenam/When They See Us
Direção: Ava Duvernay
Duração: 70 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2019
Elenco: Asante Blackk, Caleel Harris, Ethan Herisse, Marquis Rodriguez, Jharrel Jerome, Marsha Stephanie Blake, John Leguizamo, Niecy Nash, Michael Kenneth Williams, Aunjanue Ellis, Felicity Huffman, Vera Farmiga, Joshua Jackson, Jovan Adepo, Chris Chalk, Justin Cunningham, Freddy Miyares Freddy Miyares, Famke Janssen, Blair Underwood, Logan Marshall-Green
Distribuição: Netflix

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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