terça, 11 de maio de 2021

Radioactive


Radioactive
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Marie Curie e sua história contêm desafios e conquistas da ordem do fenomenal. Polonesa de Varsóvia, em 1891, Maria Skłodowska rumou para Paris, onde mulheres “podiam” se dedicar à ciência, para estudar Física e Matemática na prestigiada Sorbonne. Formada em 1893, mesmo assim não obteve o apoio necessário para suas pesquisas. Foi o professor e cientista Pierre Curie quem se ofereceu para uma parceria científica. Os dois se casaram em 1894.

O casal recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1903, pelas descobertas no campo da radioatividade, mas só Pierre foi convidado a recebê-lo. Viúva precoce, com duas filhas para criar, Marie conquistou novo Prêmio Nobel, agora de Química, pela descoberta dos elementos plutônio e rádio, em 1911. Os Curie demonstraram, “basicamente”, que o átomo não era a menor partícula do universo, porque era composto de elementos menores que se movimentavam e geravam energia. Uma revolução da ciência e do pensamento ocidental.

Radioactive é a cinebiografia de Marie Curie, a única mulher até hoje a vencer o Prêmio Nobel em duas áreas distintas da ciência, e a primeira mulher a concluir um doutorado na Sorbonne e a ocupar o cargo de professora de física na Faculdade de Ciências da Universidade de Paris. Coube ao roteirista Jack Thorne (Enola Holmes, a série His Dark Materials) adaptar a elogiada HQ Radioactive: Marie & Pierre Curie: A Tale of Love and Fallout, de Lauren Redniss. Já a cineasta iraniana Marjane Satrapi (Persépolis) tira proveito de sua experiência em animação para inserir traços e estética pouco convencionais.

Mais uma vez, Rosamund Pike, vencedora do Globo de Ouro 2021 de melhor atriz por Eu me Importo, tem uma atuação magnética no papel-título, que já foi de Greer Garson (1943), Jane Lapotaire (1977), Isabelle Hupert (1997) e Karolina Gruszka (2016). A atriz dá à sua Marie Curie nuances sutis entre a coragem, a vulnerabilidade e a genialidade. Sam Riley (Malévola) a acompanha no compasso da intensidade como Pierre Curie, e os dois, como seus personagens e sua paixão um pelo outro e pela ciência, brilham.

Após a morte de Pierre, no terceiro ato é Anya Taylor-Joy, vencedora do Globo de Ouro pela série O Gambito da Rainha, quem assume a parceria com a protagonista no papel de Irène, a filha de Marie. As duas levam, pessoalmente, para os campos de batalha da Primeira Guerra Mundial, máquinas de Raio X, uma das aplicações inovadoras das descobertas de Marie, para radiografar soldados feridos, impedir amputações desnecessárias e centenas de mortes. Irène e seu marido, Frederic Joliot, receberam o Prêmio Nobel de Química, em 1935, pela descoberta da radioatividade artificial.

Mas o que traz originalidade a Radioactive são as inserções da diretora, em meio à reconstituição de época impecável, na Paris da virada e do início do século 20, de elementos estilísticos e sequências do futuro envoltas numa ambientação onírica. É o caso da belíssima apresentação de dança a que Pierre assiste quando Marie o procura, no segundo encontro dos dois. Ou do tratamento de radioterapia de uma criança com câncer, nos anos 1950. Ou ainda da destruição atômica de Hiroshima e Nagasaki, em 1945, e do desastre nuclear de Chernobyl, em 1986. A trilha sonora com Beethoven e Philip Glass ecoa a proposta da cineasta.

Em tempos de pandemia e negacionismo, Rosamund Pike não poderia estar mais certa sobre o filme e sua personagem: “Madame Curie mudou o mundo e revelou algo tão bonito e tão perigoso como a radioatividade, que na época significava tornar visível uma grande parte do universo. Depois da revelação, você tem que deixar o resto com a humanidade”. Em tempos de movimento #Metoo, Marie e sua filha Irène são modelos e faróis da história das conquistas da mulher, apesar de toda a discriminação e resistência que enfrentaram.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Radioactive
Direção: Marjane Satrapi
Duração: 109 minutos

País de Produção/Ano: China, Estados Unidos, França, Hungria, Reino Unido, 2019
Elenco: Rosamund Pike, Sam Riley, Anya Taylor-Joy, Aneurin Barnard, Simon Russell Beale, Sian Brooke
Distribuição: Netflix

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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