terça, 11 de maio de 2021

A Viagem de Meu Pai


A Viagem de Meu Pai
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A primeira versão para o cinema da peça La Père (O Pai), de Florian Zeller, pouco tem em comum com Meu Pai, a aclamada adaptação dirigida pelo próprio dramaturgo e estrelada por Anthony Hopkins. Além de ser uma produção francesa, o registro de A Viagem de Meu Pai segue em caminho oposto ao do angustiante, claustrofóbico e fascinante drama indicado a 6 Oscar. Mais do que os efeitos do Alzheimer, a trama explora a difícil inversão de papéis entre pais e filhos com a chegada dos primeiros na terceira idade.

Diretor e roteirista de comédias como As Mulheres do Sexto Andar e Pedalando com Molière, Philippe Le Guay mescla humor e melancolia na história que reúne duas gerações de estrelas do cinema francês: o agora saudoso Jean Rochefort (Caindo no Ridículo) e Sandrine Kiberlain (Quando Margot Encontra Margot). Ele é Claude, um octogenário imponente, mas com sinais de Alzheimer. Apesar de seus esquecimentos, não lhe falta energia para provocar confusão, o que inclui o assédio à empregada. Ele não quer ninguém para ajudá-lo e sua filha mais velha, Carole, trava uma batalha diária e desgastante para assisti-lo. Claude age como um menino travesso e é admirável como Rochefort traz dentro de si o velho e o garoto, em uma convivência um tanto desequilibrada.

O cineasta Le Guay esteve em São Paulo em 2016, para apresentar seu filme no Festival Varilux, e falou à Suzana Uchôa Itiberê sobre os desafios de adaptar a peça de Florian Zeller. “Criamos muitas coisas que não estão no original, como por exemplo a viagem à Flórida, pois a peça se passa em um apartamento”, explicou. A afinidade entre Rochefort e Sandrine em cena não é fruto de ensaio. “Sandrine e Jean se conhecem há 15 anos e quando ela perdeu o pai, Jean foi muito presente e se tornou uma espécie de pai substituto. É um amor genuíno”, revelou Le Guay.

A narrativa passeia pelo tempo, com flashbacks que permitem ao cineasta examinar os traumas e as pendências na trajetória da família. A Viagem de Meu Pai aborda o Alzheimer com sensibilidade, em tom agridoce. Não chega perto do refinamento nem da complexidade de Meu Pai, mas não falta emoção. “Não foi preciso ensaiar as cenas ternas, mas tínhamos um roteiro que incluía brigas feias entre pai e filha. Carole nunca reage aos ataques de Claude. É injusto. Ela está no limite e a capacidade de se calar, para mim, a torna uma heroína”, concluiu o diretor.




Trailer

Ficha Técnica

Título: A Viagem de Meu Pai/Floride
Direção: Philippe Le Guay
Duração: 110 minutos

País de Produção/Ano: França, 2015
Elenco: Jean Rochefort, Sandrine Kiberlain, Laurent Lucas, Anamaria Marinca, Coline Beal
Distribuição: Mares Filmes

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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