quinta, 13 de junho de 2024
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Vidas Passadas


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Indicado ao Oscar de melhor filme e melhor roteiro original, Vidas Passadas é tão bonito que dói. É tão romântico que tira o fôlego. É tão profundo que fica com a gente por dias, até a comoção de seus significados atenuar. É também a estreia na direção de Celine Song, que se inspira em uma experiência pessoal para explorar um conceito que os coreanos chamam de in-yun. Significa providência, ou destino, específica para a conexão entre pessoas. E aqui, especialmente, de almas gêmeas.

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A cena de abertura reproduz a vivência da cineasta que dispara o enredo: uma mulher de feições asiáticas conversa com dois homens em um bar, um deles também asiático e o outro judeu. Não se ouve o que dizem. E então ela dá uma olhadela para a câmera e quebra a quarta parede. A partir daí, o espectador será seu cúmplice na jornada que começa 24 anos antes. Assim conhecemos Na Young e Hae Sung, colegas de escola na Coreia do Sul.

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Com seus 12 anos, são alunos brilhantes e enamorados. Na Young é competitiva. Fica brava quando ele tira nota mais alta, mas confessa para a mãe que deseja se casar com Hae Sung. A migração da família dela para Toronto, no Canadá, interrompe a relação. A trama avança 12 anos. Na Young agora é Nora (Greta Lee), recém-chegada a Nova York e aspirante a dramaturga. Hae Sung (Teo Yoo) cumpre o serviço militar obrigatório na terra natal. Meio que por brincadeira, ela o encontra no Facebook e a relação reascende, porém à distância.

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Os silêncios e os olhares falam no cinema de Celine Song. É palpável o amor entre eles. Há ruídos, contudo. No sinal da internet, em ditos e não ditos, na compatibilidade de agendas e de projetos de vida. Nova ruptura. Nora conhece Arthur (John Magaro), também escritor, em uma residência artística. Hae Sung vai estudar na China e troca olhares com uma jovem. Mais 12 anos se passam.

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Aí sim a narrativa alcança o presente, e aí sim a diretora confronta dois mundos, duas línguas, duas culturas, dois homens e duas mulheres, estas últimas no corpo de uma: Na Young e Nora. O motivo? Hae Sung avisa que estará em Nova York em férias. Difícil descrever a química do reencontro, banhado pela melancolia do que poderia ter sido e não foi. Há muitos “e se...” em questionamentos de cortar o coração. Vidas Passadas confronta também o espectador, pego desprevenido por esse romance tão pé no chão, e ao mesmo tempo tão elevado espiritualmente.

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Nora fala sobre o in-yun a Arthur, mas quando Hae Sung entra no quadro ele sente que a relação com ela soa trivial diante da ligação com o amor da infância. Tanto que estuda coreano na tentativa de acessar a Na Young que levou o estrangeiro até ali. E Hae Sung, por sua vez, compreende que a Coreia é muito pequena para a garotinha determinada a ganhar o Nobel. A própria protagonista é obrigada a reavaliar suas expectativas profissionais. 

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Celine Song orquestra situações e sentimentos até voltar à cena inicial, inspirada no que ela mesma viveu ao se ver entre o atual marido e um amor da infância. Só que dessa vez ouvimos o diálogo. É uma primorosa sequência de 10 minutos, que levou dois dias para ser filmada. Livre arbítrio, acaso e destino estão na pauta dessa conversa definitiva, realista nos fatos e lírica nas emoções. Prepare-se para o desfecho. É muito corajoso e desmonta qualquer um.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Vidas Passadas / Past Lives
Direção: Celine Song
Duração: 105 minutos

País de Produção/Ano: EUA, Coreia do Sul, 2023
Elenco: Greta Lee, Teo Yoo, John Magaro
Distribuição: Califórnia Filmes

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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