quinta, 26 de maio de 2022
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Pequena Mamãe


Pequena Mamãe
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As meninas da imagem não são gêmeas em Pequena Mamãe, e sim mãe e filha. Novidade em streaming, essa poesia de filme escrito e dirigido pela francesa Céline Sciamma promove o encontro através de uma fenda temporal, que se abre com a mesma naturalidade de uma brincadeira de faz de conta. Em apenas 73 minutos, a cineasta mergulha no universo da inocência, onde tudo é possível, para ali iluminar sentimentos complexos que habitam os pequenos corações. Nelly (Joséphine Sanz) acaba de perder a avó, e vai com a mãe, Marion (Nina Meurisse), esvaziar a casa onde ela morou na infância.

Pequena Mamãe

O elo entre mãe e filha se desenha em uma sequência de puro lirismo, durante o trajeto de carro até a residência - vocês vão ver. No antigo quarto da mãe, elas remexem no passado entre livros e brinquedos. Então Marion vai embora sem aviso, e Nelly fica com o pai. No bosque que rodeia a casa, vê uma menina arrastando galhos de árvore para terminar a construção de uma cabana. Ela se apresenta como Marion (Gabrielle Sanz), e basta chegar à casa da nova amiga para Nelly perceber que voltou no tempo em que sua mãe tinha exatamente sua idade, 8 anos.

Pequena Mamãe

Nelly não se impressiona com a semelhança física, simplesmente abraça a situação sem ceticismo. Na cabana, compartilha o segredo com Marion, que o recebe com o mesmo espírito lúdico. É com despreocupação que elas deixam a amizade fluir. Dali a uns dias, Marion vai fazer uma cirurgia para não ter os mesmos problemas de locomoção da mãe, que usa bengala. “Está com medo da operação?”, pergunta Nelly. “Porque sua mãe foi embora”, questiona Marion, incapaz de responder por um ato seu no futuro. Se somos moldados por nossos pais, como entender a nós memos se os conhecemos tão pouco? Céline Sciamma aborda a questão com toda delicadeza em Pequena Mamãe.

Pequena Mamãe

O luto pela avó e a ausência da mãe fazem Nelly refletir sobre seu papel na depressão de Marion no presente. Mas ouve da amiga/mãe: “Não acho que seja sua culpa, você não inventou a minha tristeza”. Tão doce, tão profundo. Nelly critica o pai por nunca falar de quando eram crianças. Quer saber do que eles tinham medo, na tentativa de compreender as próprias inseguranças. As duas sabem que os adultos não acreditariam na viagem no tempo. O encontro de Nelly com a avó ainda jovem é singelo, quase trivial. E o pai, ao ver a futura esposa ainda menina, também não desconfia de nada. É como se o encanto se quebrasse com o fim da inocência, e o filtro da maturidade mantivesse a magia emocional em um lugar pouco acessível do subconsciente.

Pequena Mamãe

Pequena Mamãe é o quinto longa de Céline Sciamma, que se debruça desde sempre sobre a busca de identidade feminina. Assim foi no drama da garota que se diz garoto em Tomboy (2011), e das donzelas do século 18 que se apaixonam no premiadíssimo Retrato de uma Jovem em Chamas. A questão de gênero inexiste no mundo de Nelly e Marion. É o amor maternal e suas cores nem sempre suaves que a diretora perscruta nessa fábula de amizade, vida e morte.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Pequena Mamãe/Petite Maman
Direção: Céline Sciamma
Duração: 73 minutos

País de Produção/Ano: França, 2021
Elenco: Joséphine Sanz, Gabrielle Sanz, Nina Meurisse, Stéphane Varupenne, Margot Abascal
Distribuição: Diamond Films

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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