As mulheres representam 40% da população de rua na França. Esse número assustador tem um agravante. Para se proteger da violência, elas se escondem, se camuflam. Essas são As Invisíveis do filme de Louis-Julien Petit, mas não foi a cruel realidade que atraiu quase 1,5 milhão de pessoas aos cinemas na França. O diretor ousa e doura a pílula com humor - agridoce, bem verdade.
O núcleo das mulheres sem-teto é quase todo formado por não atrizes, que já viveram nas ruas e atualmente estão em situação mais estável. Na trama inspirada no livro de Claire Lajeunie, um abrigo diurno feminino tem data marcada para fechar as portas. A missão das assistentes sociais é tentar reintegrar as moças na sociedade em tempo recorde, e evitar que sejam enviadas para outros abrigos distantes. Isso inclui de cuidados básicos como higiene e vestimenta, até descobrir a habilidade de cada uma delas e lhes arrumar emprego. É tarefa árdua.
O diretor cuida para que as internas formem um grupo o mais diverso possível, de raça e religião até a faixa etária. Há figuras ímpares, como a mulher que não quer esconder de ninguém que esteve na prisão por matar o marido, a prostituta com métodos heterodoxos para agradar clientes, e uma doida de pedra que diz ser terapeuta. Há tipos mais trágicos, como a jovem viciada em drogas. O enredo também se debruça sobre as assistentes e seus dramas pessoais.
O esquema de mosaico narrativo nem sempre funciona e mantém na superfície temas complexos como preconceito e desamparo social. Petit disse em entrevista seguir a tradição de comédias sociais britânicas como Ou Tudo Ou Nada e Minha Adorável Lavanderia, e que seu desejo era “criar um filme luminoso, cheio de esperança e focado em um grupo restrito”. Isso, é inegável, ele realizou.
Trailer
Ficha Técnica
TÃtulo: As InvisÃveis/Les Invisibles
Direção: Louis-Julien Petit
Duração: 102 minutos
PaÃs de Produção/Ano: França, 2018
Elenco: Audrey Lamy, Corinne Masiero, Noémie Lvovsky, Déborah Lukumuena
Distribuição: Supo Mungam