quinta, 26 de novembro de 2020

Ethan Hawke, 50


Ethan Hawke, 50

No perfil da cultuada revista The New Yorker sobre sua carreira, Ethan Hawke declarou: “Se você quer viver na arte, você tem que mergulhar fundo”. Dito e feito. Indicado a quatro Oscar, dois de ator coadjuvante por Dia de Treinamento (2001) e Boyhood: Da Infância à Juventude (2014), e dois de roteiro original por Antes do Pôr-do-Sol (2004) e Antes da Meia-Noite (2013), Hawke é um artista multitalentos bem-sucedido onde quer que “mergulhe”.

Ator versátil, roteirista, produtor, diretor, músico e escritor (Código de um Cavaleiro, Quarta-feira de Cinzas), Hawke circula com êxito em blockbusters e na produção independente, com uma invejável filmografia de mais de 85 títulos em 35 anos de sets e palcos, que deram voz à sua e às gerações seguintes. Para celebrar o aniversário de 50 anos do astro neste 6 de novembro, nossa dica é fazer um passeio da sua juventude à maturidade, com o já clássico Sociedade dos Poetas Mortos, e os indies Juliet, Nua e Crua, no qual solta a voz, e Estocolmo, em que passa para o outro lado da lei sem perder o charme.


Drama
Sociedade dos Poetas Mortos/Dead Poets Society

Sociedade dos Poetas Mortos/Dead Poets Society

Vencedor do Oscar de melhor roteiro original em 1990, além do Bafta de melhor filme e trilha sonora, o drama do diretor australiano Peter Weir (Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo) foi inspirado no professor de inglês do roteirista Tom Schulman (Nosso Querido Bob). Em atuação indicada ao Oscar, Robin Williams (Gênio Indomável) colocou o desafiador e anarquista professor John Keating no rol dos grandes personagens da história do cinema.

Isso sem falar na presença dos então iniciantes Ethan Hawke (Estocolmo), Robert Sean Leonard (o médico ponderado e melhor amigo de House) e Josh Charles (da série The Good Wife). A autêntica sintonia entre os alunos é fruto de uma jogada esperta do cineasta, que reuniu os jovens para uma temporada de ensaios nas locações e ainda filmou a história em ordem cronológica – coisa rara.

Na trama, Keating é o novo professor de inglês da prestigiada Academia Welton, em 1959. Formado na escola, ele usa métodos pouco ortodoxos em sala de aula, com ênfase nos versos de grandes poetas como Shakespeare, Thoreau, Lord Byron, Raymond Calvert, Tennyson e Walt Whitman. É de Whitman o poema “O Captain! My Captain!”, cujo título se tornou o apelido de Keating entre os alunos, por sugestão – irônica – do próprio professor. Com a poesia, a mira de Keating não é apenas o ensino da língua, mas despertar a autorreflexão e o senso crítico nos pupilos, engessados no lema conservador da escola: “honra, tradição, excelência e disciplina”.

Keating revela também que foi membro da antiga Sociedade de Poetas Mortos, um grupo de leitura que se reunia numa caverna nos fundos da escola para celebrar a vida, a juventude e a poesia. É a deixa para que Neil (Leonard) convença o tímido Todd (Hawke), o romântico Knox (Charles), o estudioso Meeks (Allelon Ruggiero), o provocador Dalton (Gale Hansen), o puxa-saco Cameron (Dylan Kussman) e o boa praça Pitts (James Waterston) a reprisar a experiência.

Estimulados a pensar por si próprios por Keating, os garotos se lançam em novas conquistas. Neil mente para o pai durão, que quer vê-lo médico formado, e dedica-se aos ensaios da peça Sonhos de uma Noite de Verão. A revoada de pássaros e o circunspecto evento de abertura do ano letivo, na primeira sequência de Sociedade dos Poetas Mortos, já avisam que a liberdade de pensamento e de opinião não faz parte das carteiras da Academia – ou do país –, e será severamente punida. Mesmo assim, a inspiração e o vigor de Keating e seus alunos, 60 anos após o tempo em que se passa o filme, e 30 anos após seu lançamento, ainda invocam a beleza e o poder atemporais da poesia.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Sociedade dos Poetas Mortos/Dead Poets Society
Direção: Peter Weir
Duração: 128 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 1989
Elenco: Robin Williams, Robert Sean Leonard, Ethan Hawke, Josh Charles, Gale Hansen, Dylan Kussman, Allelon Ruggiero, James Waterston, Kurtwood Smith
Distribuição: Touchstone Pictures


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Comédia Dramática
Juliet, Nua e Crua/Juliet, Naked

Juliet, Nua e Crua/Juliet, Naked

Adaptação do romance homônimo de Nick Hornby, cuja obra já rendeu ao cinema os adoráveis Alta Fidelidade (2000), Um Grande Garoto (2002) e Uma Longa Queda (2014), Juliet, Nua e Crua retoma uma das dobradinhas temáticas preferidas do escritor, amor e música. O filme é também uma simpática história sobre o otimismo e a coragem das segundas chances.

Na pacata Sandcliff, cidade litorânea inglesa, a calorosa Annie (Rose Byrne, Vizinhos) herdou do pai a administração do museu local. Depois de 15 anos de casamento com o professor nerd de cultura pop Duncan (Chris O'Dowd, O Paradoxo Cloverfield), ela ainda disputa a atenção do marido com o mítico Tucker Crowe (Ethan Hawke, Sociedade dos Poetas Mortos), roqueiro americano por quem Duncan é tão obcecado que criou um site sobre ele. A questão é que o cool Crowe lançou um único álbum na juventude, em 1993, e desapareceu.

Curiosamente, é Annie quem posta no mural do site uma crítica feroz às demos recém-descobertas de Crowe que caíram nas mãos do marido. Pois o próprio músico responde por e-mail à crítica dela no site de Duncan, e os dois se tornam amigos virtuais.  O cara é um irresistível desleixado cinquentão, que mora no porão da ex-esposa para cuidar de seu filho caçula mais de perto, já que foi negligente com os quatro mais velhos e suas respectivas – e diferentes, diga-se de passagem – mães. Crowe se desligou da música, mas ele e Annie dão liga. Será que vão dar um jeito de ficar juntos com um oceano, real e simbólico, entre eles?

O diretor Jesse Peretz (das séries Glow e Girls) achou o tom, entre a delicadeza e a desilusão, provavelmente inspirado pelos seus tempos de músico da famosa banda punk The Lemonheads, nos anos 1990, ou na direção dos clipes da banda Foo Fighters. Peretz chamou o compositor Nathan Larson para se encarregar da trilha sonora e das canções, todas originais, interpretadas por Ethan Hawke e uma banda de amigos. Aliás, Hawke, em saborosa sintonia com Rose Byrne e Chris O’Dowd, faz uma nostálgica referência a dois de seus papéis-ícone, o Troy de Caindo na Real e o Jesse da trilogia Antes do..., que cai como uma luva para o Tucker Crowe de Juliet, Nua e Crua.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Juliet, Nua e Crua/Juliet, Naked
Direção: Jesse Peretz
Duração: 107 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2018
Elenco: Rose Byrne, Ethan Hawke, Chris O Dowd, Lily Brazier
Distribuição: Diamond Films


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Comédia Policial
Estocolmo

Estocolmo

Por SUZANA UCHÔA ITIBERÊ

Sabe aqueles sequestros em que a vítima se afeiçoa a seu algoz? É a chamada Síndrome de Estocolmo, que ganhou esse nome por causa de um absurdo caso real ocorrido em 1973, durante um assalto a banco na capital da Suécia. O criminoso era o fugitivo Jan-Erik Olsson, e seus objetivos ao invadir a agência com uma metralhadora e explosivos iam além do dinheiro. Olsson fez quatro funcionários reféns, três mulheres e um homem, e exigiu a companhia de Clark Olofsson, um amigo que estava na prisão.

Foram seis dias de negociações e a polícia começou a estranhar a disposição dos reféns em participar do plano de fuga. Com boa dose de licença poética, Estocolmo muda os nomes dos envolvidos e recria essa história em tom de comédia, tamanho amadorismo do protagonista interpretado por Ethan Hawke (Juliet, Nua e Crua). Seu parceiro de crime é vivido por Mark Strong (1917) e essa dupla esdrúxula comemora a reunião ao som de Bob Dylan.

No filme são três reféns e a trama foca na aproximação entre o ladrão e a personagem de Noomi Rapace (Prometheus), mãe de duas crianças pequenas e cujo marido se oferece para ficar em seu lugar. O diretor e roteirista Robert Budreau (Chet Baker: A Lenda do Jazz) tira humor até das conversas entre os criminosos e o gerente do banco que liderou a força de resgate, e com o próprio primeiro-ministro sueco.

Essa leveza diminui a gravidade da situação, mas documentos da época disponíveis no Google destacam até o abraço apertado entre reféns e criminosos no desfecho, com direito a posterior visita na prisão. Estocolmo é mero passatempo, mas vale como curiosidade e tem Ethan Hawke convincente na pele de um bandido simpático e cheio de charme.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Estocolmo
Direção: Robert Budreau
Duração: 92 minutos

País de Produção/Ano: EUA/Canadá, 2018
Elenco: Ethan Hawke, Noomi Rapace, Mark Strong, Christopher Heyerdahl, Bea Santos
Distribuição:


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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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