sábado, 27 de fevereiro de 2021

Com a Corda Toda: 80 +


Com a Corda Toda: 80 +

Eles e elas estão com tudo! No auge da vitalidade e da experiência após os 80 anos, merecem o nosso respeito e muitos aplausos, além do incontestável sucesso. Inspiração pura.

Dentre todo o glamour de Downton Abbey, quem mais está dando o que falar é Maggie Smith (nascida em 1934), no papel da irônica matriarca Condessa de Grantham, Violet Crawley. Vencedora de dois Oscar, por A Primavera de uma Solteirona (1969) e o divertido e ousado Califórnia Suite (1978), ela é uma das quatro grandes damas do cinema inglês que se reúnem periodicamente para trocar figurinhas do passado e do presente, nos palcos e nas telas, no saboroso documentário Chá Com as Damas.

Em Califórnia Suite, aliás, Maggie dividiu a cena com Jane Fonda (de 1937), também vencedora de 2 Oscar, por Klute, O Passado Condena (1971) e Amargo Regresso (1978). Jane voltou a atuar com Robert Redford (de 1936) - vencedor do Oscar de direção por Gente como a Gente (1980) e do Oscar horário pelo conjunto da obra - no delicado Nossas Noites, romance de maturidade entre dois solitários viúvos.

Quem parece que não quer se aposentar, com toda razão, é o incansável Clint Eastwood, com seus 89 anos e quatro Oscar, de melhor filme e direção por Os Imperdoáveis (1992) e Menina de Ouro (2004). Logo depois de seu trabalho irretocável como ator e diretor em A Mula, de 2018, Eastwood dirigiu O Caso Richard Jewell, com estreia prevista no Brasil para janeiro de 2020.


Documentário
Chá com as Damas/Nothing Like a Dame

Chá com as Damas/Nothing Like a Dame

Crítica por SUZANA UCHÔA ITIBERÊ

Nas cenas internas, repare nos porta-retratos com as imagens de Laurence Olivier e Joan Plowright espalhados pela casa. Era ali, no chalé campestre no interior da Inglaterra, que o casal de atores recebia as amigas e colegas de profissão Judi Dench, Maggie Smith e Eileen Atkins.

Foi no extenso jardim que seus filhos pequenos brincaram e cresceram, e é ali que as quatro damas do teatro britânico (sim, todas condecoradas pela realeza) se reúnem de tempos em tempos para botar a conversa em dia. Desta vez, porém, o diretor Roger Michell (Um Lugar Chamado Notting Hill) estava lá para fazer o registro.

Em Chá com as Damas, as octogenárias estrelas fazem chacota com os dissabores da velhice e resgatam de situações corriqueiras a fatos marcantes. Também se deixam guiar pelas perguntas do cineasta. É assim, por exemplo, que Judi Dench fala dos 17 anos na pele de M na franquia James Bond nos cinemas e que Maggie Smith relembra os sets da saga Harry Potter, em que interpretava a professora Minerva McGonagall.

Michell garimpou imagens de arquivo preciosas que ajudam a retratar a longa trajetória artística das quatro damas. O resultado é um documentário informal e banhado pelo fino e irônico humor britânico das protagonistas, que de vez em quando se irritam com a parafernália técnica e divertem o espectador com seus momentos diva. Mas elas podem.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Chá com as Damas/Nothing Like a Dame
Direção: Roger Michell
Duração: 84 minutos

País de Produção/Ano: Reino Unido, 2018
Elenco: Judi Dench, Maggie Smith, Eileen Atkins, Joan Plowright
Distribuição: Supo Mungam


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Romance
Nossas Noites/Our Souls Ate Night

Nossas Noites/Our Souls Ate Night

Crítica por SUZANA UCHÔA ITIBERÊ

Addie chega à casa do vizinho Louis e tem com ele um papo reto. Pergunta se ele poderia passar algumas noites a seu lado, porque está difícil pegar no sono sozinha. Os dois são viúvos. A graça maior dessa ideia inusitada é que ela é dita por Jane Fonda a Robert Redford, que se reencontram nas telas quase 40 anos depois de Cavaleiro Elétrico (1979) – estrelaram ainda Caçada Humana(1966) e Descalços no Parque (1967).

É uma reunião antológica, que emociona por si só e pela delicadeza com que o cineasta Ritesh Batra (The Lunchbox) acompanha o crescer da intimidade através das conversas que eles têm na cama. Há sinceridade na forma como narram seus traumas, erros e remorsos. A experiência lhes dá complacência e uma visão mais lúcida do valor de cada coisa.

A trama não fica só no blá blá blá, porque a vizinhança inteira está de olho na movimentação noturna, com Redford passando com sua sacolinha – em que leva pijama e escova de dente – para a casa da frente. A maturidade contribui para que eles vivam essa aventura saborosa sem se importar com a opinião alheia.

Mas nem tudo são rosas e a relação entra em outro nível com a chegada do neto dela, entregue de bandeja pelo filho em crise no casamento. Matthias Shoenaerts (Ferrugem e Osso) faz esse homem meio raivoso e suas poucas cenas são poderosas. Além da preciosa dupla central, a produção da Netflix tem o mérito de iluminar a terceira idade com bom humor e não com melancolia.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Nossas Noites/Our Souls Ate Night
Direção: Ritesh Batra
Duração: 103 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2017
Elenco: Jane Fonda, Robert Redford, Judy Greer, Matthias Shoenaerts, Iain Armitage, Bruce Dern
Distribuição: Netflix


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Netflix

Drama Policial
A Mula/The Mule

A Mula/The Mule

Crítica por SUZANA UCHÔA ITIBERÊ

Clint Eastwood volta aos trilhos! Sim, e vamos fazer o favor de esquecer seu filme anterior, o equivocado 15h17: Trem para Paris, em que o diretor escalou os jovens americanos que evitaram um ataque terrorista para interpretar a si mesmos, na atrapalhada reconstituição do atentado ocorrido em 2015 dentro de um trem saído de Amsterdã. 

Em A Mula, Eastwood faz mágica com o toque minimalista que marcou obras-primas como Gran TorinoMenina de Ouro e Os Imperdoáveis – as duas últimas vencedoras do Oscar de melhor filme e direção. Exatamente uma década separa A Mula de Gran Torino, última vez em que ele esteve dos dois lados da câmera. O roteirista é o mesmo, Nick Schenk, que se inspirou no artigo da New York Times Magazine “The Sinaloa Cartel's 90-Year-Old Drug Mule”, de Sam Dolnick. É o tipo da história real que pede para virar filme.

O protagonista, Earl Stone, é um veterano da Segunda Guerra vivaz e cheio de charme, porém egoísta e afastado da ex-mulher (Dianne Wiest) e da filha (Alison Eastwood, filha do diretor). Outrora um horticultor premiado e agora falido, ele dá um jeito inusitado de pagar suas contas. Tudo o que precisa fazer é dirigir e não chamar a atenção. Meio sem querer, o octogenário Stone torna-se o transportador mais eficiente de um cartel de drogas mexicano – Andy Garcia faz o líder. Em nova parceria com o cineasta depois da indicação ao Oscar por Sniper Americano, Bradley Cooper interpreta o agente da narcóticos que investiga a identidade da "mula".

O enredo policial é simples, até previsível. Mas nada é over, tudo está do tamanho e no lugar certo. A insinuante trilha sonora embala personagens autênticos, enquanto o cineasta se debruça sobre as relações familiares, sejam elas de sangue ou não. Aos 89 anos, Clint Eastwood parece ter o entusiasmo de um garoto, e essa energia é contagiante.




Trailer

Ficha Técnica

Título: A Mula/The Mule
Direção: Clint Eastwood
Duração: 116 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2018
Elenco: Clint Eastwood, Dianne Wiest, Alison Eastwood, Bradley Cooper, Laurence Fishburne, Andy Garcia, Taissa Farmiga, Michael Peña
Distribuição: Warner


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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

Posts do Autor

Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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