quinta, 26 de novembro de 2020

Um Dia, 3 Pais


Um Dia, 3 Pais

No Dia dos Pais, o portal OQVER Cinema & Streaming homenageia os pais de ontem e de hoje, os que estão aqui e os que estão guardados na memória e no coração. Nessa seleção há 3 pais de estilos bem diferentes, mas com o essencial em comum: o amor profundo por seus filhos.

Em Capitão Fantástico, Viggo Mortensen interpreta um pai pra lá de alternativo. Em Uma Família de Dois, Omar Sy é um pai por acaso. E em Uma Babá Quase Perfeita, o saudoso Robin Williams vive um pai separado capaz de tudo para ficar próximo dos filhos.

Com vocês, nossos super pais! 


Comédia Dramática
Capitão Fantástico/Captain Fantastic

Capitão Fantástico/Captain Fantastic

Ben (Viggo Mortensen, Green Book - O Guia) nunca deixa seus seis filhos, de 7 a 18 anos, fazerem citações de livros sem usar as próprias palavras. Todos falam mais de uma língua, os mais velhos sabem até esperanto. Eles caçam o próprio alimento e plantam as próprias verduras. O treinamento matinal inclui técnicas de defesa e é rigorosamente cronometrado. À noite, relaxam lendo e tocando os mais variados instrumentos. A família vive em uma floresta no Noroeste dos Estados Unidos. A mãe das crianças sofre de transtorno bipolar e está internada e aos cuidados dos pais.

Não é spoiler revelar seu suicídio, pois o funeral e a despedida da esposa e da mãe será o divisor de águas para Ben e sua prole, que ele escolheu educar longe da civilização, numa versão contemporânea e voluntária do aventureiro Robinson Crusoé em sua ilha. Ben acreditava que a viver na natureza poderia ajudar a mulher a superar a doença. Todo o preparo físico e intelectual não evita o choque dos filhos em seu primeiro contato maior com a realidade urbana e as famílias paternas e maternas. Capitão Fantástico evidencia o contraste dos dois modos de vida de maneira radical, mas, como na vida, será preciso encontrar um meio-termo para seguir em frente.

É admirável como o ator Matt Ross (Boa Noite e Boa Sorte), em seu segundo filme como roteirista e diretor, criou uma espirituosa fábula sobre a modernidade - densa e lírica, comovente e irônica, transbordante de sentidos. Além da severa crítica ideológica, Capitão Fantástico faz da morte da mãe dessa família afetiva e “primitiva” a metáfora da destruição da natureza pelas relações de consumo e do capital, da substituição do calor humano pelas redes da tecnologia.

O registro de Matt Ross, no entanto, é o da sutileza e inteligência, o que torna seu filme ainda mais encantador e merecedor do prêmio de melhor direção na mostra Um Certo Olhar em Cannes 2016.  A indicação ao SAG (sindicato dos atores) de melhor elenco e de Viggo Mortensen ao Oscar também refletem o brilho e a entrega dos atores. Com tanto a oferecer, Capitão Fantástico narra em seu âmago a história de um pai que, mesmo abalado pelo luto, só deseja amenizar a dor e cuidar bem de seus filhos, ainda que à sua maneira pouco ortodoxa.   




Trailer

Ficha Técnica

Título: Capitão Fantástico/Captain Fantastic
Direção: Matt Ross
Duração: 118 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2016
Elenco: Viggo Mortensen, George MacKay, Samantha Isler, Annalise Basso, Nicholas Hamilton, Kathryn Hahn, Steve Zahn, Frank Langella
Distribuição: Universal Pictures


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Comédia Dramática
Uma Família de Dois/Demain Tout Commence

Uma Família de Dois/Demain Tout Commence

É impossível não ser cativado por Omar Sy (Jornada da Vida), o ator francês que conquistou o mundo com Intocáveis (2011), até hoje o campeão de bilheteria do cinema francês, com 11 milhões de espectadores. Uma Família de Dois não bateu recordes, mas fez bonito com a  refilmagem do enorme sucesso mexicano Não Aceitamos Devoluções (2013), dirigido e estrelado por Eugenio Derbez (Dora e a Cidade Perdida). É uma história de pai e filha, digamos, cheia de imprevistos.

bon vivant Samuel dirige barcos de turistas de dia e organiza festas animadas à noite, na paradisíaca paisagem da Riviera Francesa. Certo dia, torna-se protagonista a contragosto da versão mais clássica da frase “toma que o filho é teu”. Neste caso, a filha Gloria, bebê de 3 meses que a mãe, a inglesa Kristin (Clémence Poésy, Harry Potter e as Relíquias da Morte), um affair rápido, literalmente joga no colo dele antes de desaparecer.

Desesperado, Samuel vai atrás dela em Londres, com a bebê no colo e uns trocados no bolso. Em vez da mãe, encontra o produtor de televisão Bernie (Antoine Bertrand), que faz dele um  dublê de sucesso e se torna padrinho de Gloria (Gloria Colston). Tudo parece bem. A pequena  estuda numa ótima escola, é espirituosa, a casa deles é um sonho, coisa de cinema mesmo, e Samuel vive para a filha. Mas a falcatrua que inventou para explicar a ausência da mãe acaba prejudicando o encontro dos três quando Kristin decide, finalmente, aparecer.

O diretor Hugo Gélin (Amor à Segunda Vista) adaptou o protagonista especialmente para Omar Sy, que é mestre em dosar comédia e drama. Também teve como referência o premiado Kramer vs. Kramer (1979) para retratar os conflitos pela guarda de Gloria e acolher a diversidade na história (embora estereotipada). Além do brilho de Sy, Uma Família de Dois conta com ótimo elenco coadjuvante e produção elegante, para conduzir o espectador a um desfecho impactante.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Uma Família de Dois/Demain Tout Commence
Direção: Hugo Gélin
Duração: 118 minutos

País de Produção/Ano: França/Reino Unido, 2016
Elenco: Omar Sy, Gloria Colston, Antoine Bertrand, Clémence Poésy, Ashley Walters
Distribuição: Paris Filmes


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Comédia Dramática
Uma Babá Quase Perfeita/Mrs. Doubtfire

Uma Babá Quase Perfeita/Mrs. Doubtfire

Chris Columbus é um dos mais bem-sucedidos cineastas quando se trata de filmes para a família, especialmente a criançada. Do sucesso retumbante de Esqueceram de Mim (1990) aos dois primeiros filmes da saga Harry Potter, o criador de Gremlins (1984) fez uma dobradinha com o saudoso Robin Williams (Sociedade dos Poetas Mortos) na dramédia Uma Babá Quase Perfeita (1993), que deu ao ator o Globo de Ouro na categoria comédia, e na ficção científica O Homem Bicentenário (1999).

Uma Babá Quase Perfeita faz uma abordagem singular de uma separação sob o ponto de vista de um pai amoroso e dedicado, mas de resto meio desajustado na vida. Daniel (Williams) é ator/dublador de princípios, do tipo que se recusa a dublar personagem fumante de cartoon infantil. Portanto, nunca tem trabalho. Em casa, prefere a diversão à arrumação, para desgosto de Miranda (Sally Field, O Espetacular Homem-Aranha) e alegria dos três filhos.

Como alguém precisa se responsabilizar pela família, Miranda assume a jornada dupla de mãe provedora. No coração dos filhos, sente-se a bruxa má que cobra disciplina e ordem. O desgaste da convivência, o fim da paixão e o divórcio são inevitáveis. Para driblar a distância das crianças, Daniel apela para o irmão maquiador e se torna a Madame Doubtfire, título do livro escrito por Anne Fine, no qual o filme se inspirou: uma babá senhoril, de origem inglesa, doce no trato e rigorosa no cuidado da adolescente Lydia, do pré-adolescente Chris, e da pequena Natalie.  

As estrepolias, a ternura e a dor que Robin Williams é capaz de engendrar no espectro tragicômico entre Daniel e Doubtfire compensam as escorregadas de ritmo e de roteiro. O  diretor Columbus não ambicionava muito além de fazer de Uma Babá Quase Perfeita veículo para o talento extraordinário do ator e contar a história de um pai genuinamente “louco” de amor pelos filhos. Mesmo despretensiosa, a produção ganhou o Oscar de melhor maquiagem.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Uma Babá Quase Perfeita/Mrs. Doubtfire
Direção: Chris Columbus
Duração: 125 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 1993
Elenco: Robin Williams, Sally Field, Pierce Brosnan, Harvey Fierstein, Lisa Jakub, Matthew Lawrence, Mara Wilson, Robert Prosky
Distribuição: 20th Century Studios


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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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