domingo, 11 de abril de 2021

Judas e o Messias Negro


Judas e o Messias Negro
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William O’Neal era um “bad boy” na Chicago dos anos 60, com uma carreira criminosa que incluía roubos, invasão de casas, raptos e tortura. Em 1966, tinha 17 anos quando foi escalado por um agente do FBI para se infiltrar no Partido dos Panteras Negras, em troca de vista grossa para seu mais recente roubo de carro. Em Judas e o Messias Negro, o diretor e corroteirista Shaka King coloca O’Neal como motorista do ativista Fred Hamptom, o presidente da filial de Illinois, quando na verdade o jovem foi chefe da segurança. A liberdade poética imprime movimento à narrativa, mas não foi a única alteração.

 

Formado em Direito e um orador carismático, Fred Hampton tinha apenas 20 anos quando se tornou líder do partido e passou a pregar a revolução socialista. Parece um detalhe, mas o fato de O’Neal e Hamptom serem interpretados por Daniel Kaluuya (Corra!) e LaKeith Stanfield (Joias Brutas), na época com 31 e 29 anos respectivamente, compromete uma aura juvenil que poderia fazer bem ao filme. Mesmo com pouca idade, assim que assumiu o posto Hampton criou programas comunitários, entre eles o café da manhã gratuito para crianças em idade escolar. Planejava a instalação de uma clínica médica, mas não deu tempo.

Judas e o Messias Negro coloca O’Neal como protagonista, tanto que Kaluuya levou o Globo de Ouro de melhor ator como coadjuvante. O’Neal é duplamente subordinado, a Hampton e ao agente especial Roy Mitchell (Jesse Plemons, Estou Pensando em Acabar com Tudo), que por sua vez responde a uma corrente de poder que desemboca em J. Edgar Hoover (Martin Sheen embaixo de pesada maquiagem), o diretor do FBI que sela o destino de Hamptom. Ao escalar dois protagonistas adultos, o cineasta injeta densidade aos personagens, porém lhes tira o frescor da impulsividade e uma inconsequência idealista que validaria seus atos com maior autenticidade.

Falta ao cineasta Shaka King uma investigação mais profunda dos efeitos que o jogo duplo provoca em O’Neal, que obviamente se deixa envolver pelo espírito revolucionário dos Panteras Negras. O conflito moral não o impediu, no entanto, de informar o esquadrão de policiais que invadiu o apartamento onde Hampton e seu grupo estavam abrigados no fatídico 4 de dezembro de 1969. A traição cobrou seu preço, mas no filme vira apenas uma nota de texto ao final. Judas e o Messias Negro tem valor histórico e atuações marcantes, mas não vai ficar para a memória como, por exemplo, o magnífico Infiltrado na Klan, de Spike Lee.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Judas e o Messias Negro/Judas and the Black Messiah
Direção: Shaka King
Duração: 126 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2021
Elenco: LaKeith Stanfield, Daniel Kaluuya, Jesse Plemons, Dominique Fishback, Martin Sheen, Ashton Sanders
Distribuição: Warner Bros.

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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