domingo, 11 de abril de 2021

Prata-Viva


Prata-Viva
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O jovem Juste (o estreante e ótimo Thimotée Robart) acorda atordoado, amnésico, em meio à vegetação serrada do Parc Buttes-Chaumont, no subúrbio ao norte de Paris. Segue o som de algumas vozes para pedir ajuda, mas as pessoas o ignoram. É o compassivo Alpha (Djolof Mbengue) quem o socorre e encaminha para Kramarz (Saadia Bentaïeb, Baseado em Fatos Reais). Doutora de almas, ela incumbe Juste de ser um dos mensageiros do além, destinado a conduzir o espírito dos mortos à sua nova morada. Prata-Viva é o primeiro longa de Stéphane Batut, um dos diretores de elenco mais prestigiados do cinema francês.

Batut desafia narrativamente as fronteiras entre vida e morte, em um delírio lírico, delicadamente estetizado, comovente e instigante. Formalmente, também o faz, ao embaralhar drama, romance, realismo mágico e o sobrenatural. O diretor usa recursos clássicos como sobreposições de imagens e trucagens de luz aplicadas à belíssima fotografia, para compor o registro diáfano, melancólico e onírico da jornada entre mundos de seu protagonista, não por acaso chamado Juste. A trilha sonora, com peças de Debussy e Rachmaninoff, eleva alguns decibéis a mais a sensação de devaneio existencial que impera em Prata-Viva.

Habitante do limbo, onde o tempo não conta, Juste flana por Paris ora humano, ora invisível, com sua missão e sua jaqueta preta de brocado. Seu porto seguro é Alpha, dono de um brechó, antigo mensageiro que, por um lapso da rigorosa Kramarz, tem uma vida normal. Quando encontra Agathe (a intensa Judith Chemla, Minha Lua de Mel Polonesa) e revive com ela o pulsante romance esquecido no passado, a fagulha do amor se mistura com a da vida. E Juste quer mais. Quem haveria de culpá-lo?

Com sua fábula moderna e bela, Stéphane Batut, que também é coautor do roteiro, vai somando sentidos à história. A invisibilidade de Juste espelha outras, individuais e sociais, ainda mais nítidas nas metrópoles com seu ritmo avassalador. A morte à espreita a perguntar sobre a vida. Quando Juste conversa com os mortos, antes de levá-los até Kramarz, ele lhes pergunta qual o momento mais memorável de suas vidas. São esses momentos a chave para a outra dimensão, uma metáfora singela e pungente de como criamos e apreciamos esses momentos enquanto estamos vivos.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Prata-Viva/Vif-Argent
Direção: Stéphane Batut
Duração: 106 minutos

País de Produção/Ano: França, 2019
Elenco: Thimotée Robart, Judith Chemla, Djolof Mbengue, Saadia Bentaïeb
Distribuição: My French Film Festival

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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