terça, 11 de maio de 2021

Pinóquio


Pinóquio
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O cinema do italiano Matteo Garrone é muito bom, mas barra pesada. Sabe bem quem viu seu retrato da máfia napolitana em Gomorra (2008), o drama de um cuidador de cães paupérrimo em Dogman (2018), ou a bizarra adaptação das fábulas de Giambattista Basile em O Conto dos Contos (2015). Então não espere uma canção linda e vencedora do Oscar como “When You Wish Upon a Star” e muito menos o colorido da versão animada de Walt Disney, de 1940. Indicado aos Oscar de Figurino e Maquiagem/Cabelo, o Pinóquio de Garrone é fiel ao sombrio conto escrito por Carlo Collodi em 1883, e talvez esse seja seu maior senão, porque o diretor se afasta do público infantil.  

Pais nostálgicos que consideram apresentar o personagem aos filhos pequenos, fiquem com a clássica e lúdica animação disponível no Disney Plus. Quem se aventurar pela visão de Garrone vai se deparar com o estilo “a vida como ela é”. Em cena está um envelhecido Roberto Benigni (Para Roma, Com Amor), que em 2002 interpretou o boneco de madeira na versão infantil e em live-action que também escreveu e dirigiu. Agora dá vida ao marceneiro Gepeto, que literalmente passa fome e sobrevive com a ajuda dos outros. O tronco de árvore mágico que ele transforma no menino Pinóquio é uma doação.  

Pinóquio (Federico Ielapi) é curioso, peralta e avesso à escola, como quase toda criança. O Grilo Falante até tenta dar-lhe consciência da importância de obedecer ao pai e estudar, mas o garoto é teimoso, cheio de personalidade. As encrencas em que Pinóquio se mete estão todas na tela: ele se deixar enganar pela dupla de vigaristas Raposa e Gato, vê o nariz crescer ao mentir para a Fada Azul e se transforma em burrico quando troca a escola pela Ilha dos Prazeres. Em resumo, é vítima da inocência e ingenuidade típicas da infância.

Não é à toa que a Fada Azul vai sempre em seu socorro. Ela sabe que Pinóquio tem bom coração e que, no fim das contas, merece se tornar um menino de verdade. A redenção no reencontro com o pai Gepeto dentro da baleia é comovente. Coautor do roteiro, o diretor Garrone enaltece a educação escolar e o respeito aos mais velhos, mas seu Pinóquio aprende mesmo é com os resultados de suas escolhas, a certas e as erradas. A experiência como professora máxima.

Esse olhar mais adulto, taciturno até, é emoldurado por meticuloso trabalho artístico: as cores opacas da fotografia e dos figurinos, as emoções contidas do elenco (inclusive do histriônico Benigni) e a sensível trilha sonora de Dario Marianelli (vencedor do Oscar por Desejo e Reparação). O Pinóquio de Garrone pode não ter a magia da animação da Disney, mas tem seu encanto.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Pinóquio/Pinocchio
Direção: Matteo Garrone
Duração: 125 minutos

País de Produção/Ano: Itália/França/Reino Unido , 2019
Elenco: Federico Ielapi, Roberto Benigni, Rocco Papaleo, Massimo Ceccherini, Marine Vacth, Gigi Proietti, Davide Marotta
Distribuição: Imagem Filmes

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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