segunda, 12 de abril de 2021

2020 Nunca Mais


2020 Nunca Mais
Assista Agora!
Netflix

O britânico Charlie Brooker e a galesa Annabel Jones colecionaram prêmios Emmy e ganharam o mundo com os 22 episódios da eletrizante e bizarra série Black Mirror. O sucesso lhes garantiu um contrato de longa duração da recém-criada produtora da dupla, Broke and Bones, com a Netflix. O mocumentário 2020 Nunca Mais é a primeira produção da parceria.

“Foi um ano tão monumental que senti que devia fazer algo sobre isso, e adicionar alguns elementos de bobeira e, ouso dizer, engraçados”, explicou Brooker. Annabel Jones brinca que o filme poderia ser o exorcismo de um ano com menos finais felizes até que Black Mirror: Bandersnatch, ainda que termine num tom mais otimista com o anúncio da vacina contra o coronavírus. Criadores e produtores executivos da retrospectiva cômica, a dupla se juntou a outros 18 roteiristas para garantir que 2020 Nunca Mais desse cabo dos fatos mais relevantes do ano... basicamente nos Estados Unidos. Embora sob a perspectiva e o humor (cínico) britânicos, é uma obtusidade difícil de digerir.

Narrado por Laurence Fishburne (Contágio), o filme aborda a ecologia caótica com os incêndios da Austrália em janeiro, o impeachment do presidente e as eleições americanas, o Brexit, o Oscar de Parasita, a pandemia e as reações globais ao coronavírus, a polarização do mundo e o poder das empresas de tecnologia, o negacionismo, o assassinato de George Floyd e o movimento Black Lives Matter - este último tratado com mais respeito e menos graça.

A graça está na galeria de personagens entrevistados. O jornalista cético Dash Bracket (Samuel L. Jackson, O Banqueiro) abre o filme apresentando o tom geral do projeto: “Por que diabos você quer fazer uma retrospectiva de 2020?”, pergunta ao entrevistador. O historiador conservador Tennyson Foss (Hugh Grant, Magnatas do Crime) faz citações a Game of Thrones em sua análise. Já a porta-voz não oficial do governo dos Estados Unidos, Jeanetta Grace Susan (Lisa Kudrow, a série Friends) reclama que a mídia reduziu o espaço para os conservadores.

O bilionário egocêntrico Bark Multiverse (Kumail Nanjiani, Doentes de Amor) lamenta a pandemia, mas comemora os lucros com o aumento abissal do consumo dos programas de videoconferência. A psicóloga desiludida Maggie Gravel (Leslie Jones, Caça-Fantasmas) credita o negacionismo ao fato de que somos “todos imbecis”. O cientista Pyrex Flash (Samson Kayo) endossa o descrédito em relação à ciência em meio à pandemia. E não podia faltar a Rainha Elizabeth (Tracey Ullman, Trapaceiros), agora fã da Netflix.

São esses personagens que injetam ironia e sarcasmo à produção, ligados mais diretamente aos “fatos”. Mas quando a racista dona de casa Kathy Flowers (Cristin Milioti, série Amor Moderno), o jovem influenciador Duke Goolies (Joe Keery, a série Stranger Things) e uma das pessoas mais comuns do mundo, Gemma Nerrick (Diane Morgan), apresentam suas versões daqueles mesmos “fatos”, é que 2020 Nunca Mais beira o humor negro e se aproxima das aterrorizantes realidades paralelas de Black Mirror.




Trailer

Ficha Técnica

Título: 2020 Nunca Mais/Death to 2020
Direção: Al Campbell, Alice Mathias
Duração: 70 minutos

País de Produção/Ano: EUA, 2020
Elenco: Samuel L. Jackson, Hugh Grant, Lisa Kudrow, Kumail Nanjiani, Tracey Ullman, Samson Kayo, Leslie Jones, Diane Morgan, Cristin Milioti, Joe Keery, Laurence Fishburne
Distribuição: Netflix

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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