sexta, 26 de fevereiro de 2021

O Cântico dos Nomes


O Cântico dos Nomes
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Em 1939, aos 9 anos de idade, Martin (Misha Handley) precisa dividir o quarto com um estranho, Dovidl (Luke Doyle). O pai de Martin, produtor de concertos musicais, decidiu acolher o garoto judeu polonês, violinista prodígio, tanto para ajudá-lo com os estudos musicais como para mantê-lo a salvo dos nazistas, já próximos de Varsóvia. Nos 12 anos seguintes, Martin (Gerran Howell) e Dovidl (Jonah Hauer-King) tornam-se amigos, quase irmãos, companheiros nos ritos de passagem que os levam da infância à juventude.

Nesse período, enfrentam a Segunda Guerra e os bombardeios a Londres juntos, sob a sombra dolorosa do paradeiro desconhecido da família de Dovidl, conduzida aos horrores do campo de concentração de Treblinka. Em 1951, na noite da estreia internacional de Dovidl num aguardado concerto, ele não aparece e, simplesmente, desaparece. Em 1986, casado e profissional no ramo da música, Martin (Tim Roth, Os Oito Odiados) não desiste, depois de 35 anos, de saber o que aconteceu com Dovidl. Sob os protestos da esposa (Catherine McCormack, Magia ao Luar), segue uma pista quente nos arredores de Londres, onde mora, que o leva a Varsóvia e Nova York.

É por meio de constantes flashbacks, apuro técnico na produção e belas sequências musicais, além do brilho do elenco infantojuvenil, que o cineasta canadense François Girard (Paixão Proibida) dirige O Cântico dos Nomes. Ele dá continuidade a uma carreira marcada pela música, desde os documentários Trinta e Dois Curtas sobre Glenn Gould (1993) - Prêmio do Júri na Mostra SP 1994 -, e Yo-Yo Ma Inspired by Bach (1997), vencedor de dois Emmy, e com os longas Violino Vermelho (1998) e O Coro (1994). A adaptação do premiado romance homônimo do escritor e crítico de música britânico Norman Lebrecht, no entanto, ficou aquém do seu potencial narrativo e emotivo.

No passado dos amigos-irmãos, a encenação segundo os cânones do bom drama é envolvente, requintada, tem seu próprio ritmo. O arco do suspense recupera os passos de Dovidl em busca de suas raízes e de sua família na Polônia, e traz para o cerne do filme o extermínio dos judeus no Holocausto, com imagens tocantes do Memorial de Treblinka. É justamente o encontro de Martin e Dovidl (Clive Owen, Projeto Gemini) e a elucidação das lacunas de suas vidas em separado que afrouxa o tecido narrativo bem traçado até então. Mesmo assim, há acertos e emoção no relato de Dovidl sobre as razões que o fizeram vestir novamente o casaco da fé do qual se desfez na juventude. O Cântico dos Nomes é a mais comovente delas.




Trailer

Ficha Técnica

Título: O Cântico dos Nomes/The Song of Names
Direção: François Girard
Duração: 113 minutos

País de Produção/Ano: Reino Unido/Alemanha/Canadá/Hungria, 2019
Elenco: Tim Roth, Clive Owen, Catherine McCormack, Stanley Townsend, Gerran Howell, Jonah Hauer-King
Distribuição: Sony Pictures

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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