segunda, 26 de outubro de 2020

A Melhor Juventude


A Melhor Juventude
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Em agosto de 2019, o diretor italiano Marco Tullio Giordana (Os Cem Passos) esteve no Brasil para apresentar sua epopeia cinematográfica na Mostra 8 ½ de Cinema Italiano, dar uma master class e participar de bate-papo sobre a produção. Com 6 horas e 12 minutos de duração, A Melhor Juventude (2003) estreia nos cinemas brasileiros em cópia restaurada, exibido em duas partes – a segunda estreia dia 23 de janeiro. O título é o mesmo de uma antologia de poemas do cineasta e escritor Pier Paolo Pasolini (1922-1975), de quem Giordana relatou a precoce morte no filme Pasolini, Um Crime Italiano (1995) e de uma popular canção da região dos alpes italianos.

Há um genuíno prazer cinematográfico nessa maratona. O diretor convida o espectador a compartilhar 40 anos na vida dos irmãos Matteo (Alessio Boni) e Nicola (Luigi Lo Cascio), de sua família Caratti, de seus amigos, amores e afetos. E, com eles, a relembrar quatro décadas conturbadas da história da Itália, a partir dos anos 1960. A grande inundação de Florença, em 1966, os protestos estudantis, a crise da Fiat, as Brigadas Vermelhas, o desmonte da Máfia, são fatos que pontuam o passar do tempo, marcado também pelo lirismo, com versos de poemas que os personagens leem ao longo do filme. 

Na primeira parte, Matteo e Nicola se preparam para ir à Noruega com os amigos Carlo (Fabrizio Gifuni) e Vitale (Claudio Gioè), após os exames da faculdade. Matteo prefere as humanidades, a poesia, e Nicola, a medicina. Quando os dois conhecem Giulia (Sonia Bergamasco), paciente de um hospital psiquiátrico sujeita a eletrochoques e maus tratos, tudo muda, e os irmãos seguem caminhos completamente distintos.

São os últimos anos da década de 1960, e nos próximos vinte anos os irmãos Caratti tornam-se adultos. O instável, irascível e solitário Matteo, na polícia. O afetuoso e comprometido Nicola, como psiquiatra e praticamente pai solteiro da pequena Sara. Nos anos 1980 e 1990, os irmãos respondem aos compromissos da vida adulta à sua maneira. Matteo, cada vez mais isolado e problemático. Nicola às voltas com a filha adolescente, a família, os pacientes. Ambos vão enfrentar surpresas, dissabores e perdas – uma delas, inesperada. Menos vibrante e mais dramática, há nessa segunda parte ainda o frescor da juventude da nova geração da família.

Na saga dos irmãos Caratti há constantes viagens por todo o país, de Turim a Sicília, Florença e Toscana, mas Roma é o lar deles e do filme. Filiado à tradição de grandes contadores de história do cinema italiano e seu domínio da técnica e da emoção, Giordana acalenta a aventura interior de seus personagens nas situações que a realidade lhes impõe, sem grandes revoltas ou rebeldias. Vida que acontece, simplesmente.

A Melhor Juventude foi produzido pela RAI, a rede de televisão pública italiana, para ser exibido originalmente na telinha em episódios, mas o filme foi engavetado, segundo o diretor, por excesso de qualidade. Exibido no Festival de Cannes em 2003, saiu vencedor da Mostra Um Certo Olhar e conquistou elogios unânimes da crítica. Os executivos da RAI estavam certos, Giordana realizou uma obra que transborda qualidade. Sorte a nossa de poder vê-la na telona do cinema.




Trailer

Ficha Técnica

Título: A Melhor Juventude/La Meglio Gioventù
Direção: Marco Tullio Giordana
Duração: 187 minutos

País de Produção/Ano: Itália, 2003
Elenco: Luigi Lo Cascio, Alessio Boni, Jasmine Trinca, Adriana Asti, Sonia Bergamasco, Fabrizio Gifuni, Maya Sansa, Valentina Carnelutti
Distribuição: Arteplex Filmes

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Fátima Gigliotti

Fátima Gigliotti

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Cinéfila incorrigível, jornalista, editora, professora (não muito), crítica (chatinha) de cinema e audiovisual. Trabalhou no jornal A Folha de São Paulo, na coleção Cinemateca Veja, nas revistas TVA, Ver Vídeo, Set, Querida e Preview.

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